Novidade na cardiologia

Terça-Feira , 12 de Fevereiro de 2008

Monalisa Perrone
Uma nova técnica que dispensa a cirurgia no peito pode ser a esperança de uma vida melhor para pacientes idosos com problemas no coração. Os médicos usam um instrumento que entra pela virilha para implantar uma prótese feita de pele de boi.O hospital Albert Einstein, em São Paulo, é o primeiro a realizar o procedimento na América Latina.

Uma pequena caminhada em frente de casa já era suficiente pra deixar exausta dona Maria Domingos Selli, de 88 anos. “Eu parava na subida, já não saia mais de casa”, ela conta.

O problema estava numa válvula do coração, que não conseguia mais bombear sangue suficiente. Foram anos vivendo mal, até que surgiu a solução: uma nova técnica que implanta uma prótese capaz de recuperar os movimentos do coração.

O procedimento – que não pode ser chamado de cirurgia, porque não precisa de cortes no peito – foi feito pela primeira vez há duas semanas num hospital de São Paulo. Um cateter inserido na virilha leva a prótese, cujo formato lembra uma rolha de champagne, até o coração. Imediatamente, ela expande a válvula aórtica, que passa então a bombear o sangue na medida certa. Em 48 horas, o funcionamento é total.

“Essa prótese é feita com a pele que envolve o coração do boi, que é chamada de pericárdio bovino”, explica o cardiologista Marco Antônio Perin. “É material biológico, então você não precisa tomar anticoagulante. Não há rejeição a essa válvula”.

Dona Maria recebeu o implante no coração no fim de janeiro, e já está andando de um lado para outro da casa. Mas o que ela quer mesmo é ganhar as ruas do bairro. “Quero pegar o ônibus, ir pra Santo André e São Caetano ver minhas irmãs e minhas colegas. Pôr a fofoca em dia, né?”, planeja.

Mas antes do passeio, dona Maria tem retorno marcado no hospital. Para a equipe responsável pelo procedimento, inédito na América Latina, vai ser a oportunidade de rever alguém que deixou saudade. “Dona Maria é uma paciente de 88 anos e com uma vontade de viver muito grande”, garante o cardiologista. Ela concorda: “Quero fazer o que eu fazia, subir laje, cozinhar… eu gosto de tudo”.

Por ser uma técnica nova, os custos do implante ainda são altos – em torno de R$ 100 mil – , mas os médicos dizem que o valor vai cair e em poucos anos muitos pacientes serão beneficiados.

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