Conta de luz: Amorim não quer negociar mudanças no Tratado de Itaipu

Por: Flávia Furlan Nunes
23/05/08 – 11h44
InfoMoney

SÃO PAULO – Contrariando a vontade do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse não apoiar uma negociação que vise mudanças no contrato da usina hidrelétrica de Itaipu.

De acordo com o tratado firmado em 1973 e válido por 50 anos, cada um dos países tem direito à metade da energia produzida na usina binacional. O Paraguai, porém, só utiliza 5% de sua parte. O restante é necessariamente vendido ao Brasil, por força do tratado, a preço de custo.

Em reunião com a Representação Brasileira do Parlamento do Mercosul, Amorim disse que o fato de ser contrário à negociação não impede o Brasil de ajudar o país vizinho de outra forma, como com investimentos em infra-estrutura.

Intenção paraguaia
Segundo o assessor da presidência da Administração Nacional de Eletricidade (Ande) – corresponde à Eletrobrás brasileira no país vizinho -, Medardo Pino Rodriguez, a intenção do Paraguai é aumentar o preço da energia.

“O que se busca é que se possa elevar um pouco [o preço pago pelo Brasil] para que o Paraguai, de alguma maneira, tenha um maior benefício pela cessão que está fazendo ao Brasil dessa energia”, disse, segundo a Agência Brasil.

A possibilidade de haver um aumento na tarifa veio durante a campanha para a presidência do país vizinho. Lugo defendeu a retomada da soberania do país sobre seus recursos naturais e prometeu pressionar Brasil e Argentina pela revisão dos tratados das hidrelétricas binacionais de Itaipu e Yacireta.

No bolso do consumidor
Um possível aumento do custo da energia comprada do Paraguai impactaria na tarifa cobrada do consumidor. “As distribuidoras compram cotas da usina e elas repassariam o aumento aos consumidores, por meio do reajuste anual das tarifas”, disse o diretor-presidente da Anace (Associação Nacional dos Consumidores de Energia), Paulo Mayon.

Ainda segundo ele, o Brasil pagaria mais pela energia de Itaipu somente se o contrato se estendesse. “Eu acredito na convergência de interesses. Não temos intenção de mexer no tratado, mas se acontecer um reajuste, o Brasil vai querer estender-se como a 1ª opção de comprador desta energia”.


Deixe um Comentário