Negociações na Rodada Doha entram em crise. De novo

Terça-Feira, 03 de Junho de 2008 

 

Jamil Chade
A Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) voltou a entrar em crise profunda. Ontem, o mediador das negociações para a liberação de produtos industriais, Don Stephenson, jogou a toalha dizendo que seria inútil continuar o processo por falta de entendimento.

De um lado, americanos e europeus querem amplo acesso aos mercados industriais e de serviços dos países emergentes para abrir seus mercados agrícolas. O países emergentes, entre eles Brasil, Argentina, África do Sul e Índia, se recusam a aceitar a liberação de mais de 50% sugerida pela OMC. Para esses governos, o que há sobre a mesa na agricultura não justifica a abertura de seus mercados industriais e de serviços.

“É hora de os países assumirem a responsabilidade e trabalharem para aproximar posições”, disse Stephanson. “Enquanto não chegarem nesse ponto, me parece inútil convocar reuniões de negociações.”

No fim de maio, o mediador apresentou o rascunho de uma proposta com a esperança de que uma reunião ministerial pudesse ocorrer em junho ou julho para fechar um acordo. Mas o processo caminhou para um lado indesejado e já não há nenhuma certeza.

“Durante a última semana de negociação, as coisas se degradaram. Ainda estamos muito distantes de poder apresentar um texto aos ministros”, disse ele. As negociações começaram em 2001.

 

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