Para receber a SPFW, Pavilhão ganha tons de rosa

Domingo, 15 de Junho de 2008 

 

Neste ano, várias grifes preferem desfilar pela manhã; moda japonesa é homenageada em três exposições

Valéria França
O Pavilhão da Bienal do Ibirapuera já está com um ar fashion. Do lado de fora, dá para ver que os vidros da entrada principal exibem um tom rosa, cor escolhida pelo cenógrafo Felipe Tassara para reproduzir uma floresta estilizada de cerejeiras do Japão. No saguão, há uma instalação com mais cerejeiras, feitas de papelão e com 4 mil flores de origamis.

É o Pavilhão preparando-se para receber a São Paulo Fashion Week, que começa na terça-feira. Pela primeira vez, o evento será transmitido para uma ala montada no terceiro andar do Shopping Iguatemi, onde serão dispostas telas para o público assistir aos 50 desfiles da temporada. Esta semana da moda marca a estréia da Maria Garcia, grife jovem da consagrada Huis Clos; o retorno da carioca Blue Man, de moda praia; e a chegada das também cariocas Reserva, conhecida pela coleção masculina casual, e a Colcci, que traz junto a modelo Gisele Bündchen, há três anos longe da SPFW.

Mais de 2 mil profissionais trabalham para colocar a estrutura de pé, que promete ser diferente de tudo que a organização do evento já fez. A SPFW homenageia o centenário da imigração japonesa. “Estou alinhavando os preparativos desde 2005, quando comecei a conversar com o governo japonês”, diz Paulo Borges, coordenador do evento.

Há três anos, desde que a SPFW entrou na onda da sustentabilidade, as paredes do Pavilhão da Bienal são forradas com estruturas de papelão encaixadas, criadas pelos cenógrafos Daniela Thomas e Felipe Tassara. A produção da dupla resultou num visual clean e virou marca registrada. Nesta edição há mais cores. “No primeiro andar, colocamos mangás pops e uma instalação de postes luminosos com ideogramas japoneses”, diz Borges.

EXPOSIÇÕES

Em salas especiais, serão montadas três exposições. Olhar e Tradição reúne 20 quimonos de épocas diferentes, emprestados pelos museus do Bunka Fashion College e do Bunkyo Museu da Imigração. Olhar Contemporâneo apresenta criações de grandes expoentes da moda japonesa, como Kenzo Takada, Yohji Yamamoto e Issey Miyake, entre outros. O fotógrafo Cristiano Mascaro ganha um espaço para suas fotos, que mostram as semelhanças e contrastes entre Tóquio e São Paulo.

A SPFW embarca no centenário da imigração também pelo fato de o Japão ter tudo a ver com moda. “É um país com importância histórica nesse setor. Até os anos 60, o eixo fashion concentrava-se na Europa. Na década de 70, Kenzo abriu espaço para outro tipo de moda. Foi uma grande ruptura”, diz Borges, num escritório improvisado no Pavilhão, que funciona como quartel-general durante os últimos dias de preparativos.

Borges é detalhista. E tudo depende de sua aprovação, das flores à agenda de desfiles. “Neste ano, houve uma preferência maior das grifes por apresentarem a coleção na parte da manhã”, diz. Cinco dos sete dias do evento têm desfiles antes do meio-dia. “As marcas querem selecionar ainda mais o público. Acreditam que só vai a um desfile matutino quem realmente tem muito interesse.”

Depois de decidir a agenda, outra empreitada é fechar as salas onde cada grife desfila. “Eu prefiro sempre a menor. A grande é para a Cavalera, que convida muita gente”, diz Marcelo Sommer. Ele é dono da marca Do Estilista – que, na edição anterior, se apresentou no jardim do Parque do Ibirapuera – e que assina a coleção da Cavalera.

O tipo de cenário escolhido também pesa na hora de bater o martelo pela sala mais adequada. A grande questão é a agilidade de montar e desmontar a passarela a tempo de não atrasar os demais desfiles. E, como no Pavilhão da Bienal só existem quatro salas, muitas vezes as marcas menores acabam em salões anexos, como a do Museu de Arte Moderna (MAM), para dar vazão ao calendário.

“Conseguimos montar uma plataforma convergente de lançamentos, design e criatividade. Consolidamos um mercado interno de moda. Agora, o foco é mercado global”, diz Borges.

“E, para isso, é necessário uma política de longo prazo, pois o Brasil ainda não sabe exportar nada além de matéria-prima.”

 

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