Marcopolo: joint venture mostra estratégia de ampliar presença no exterior

Por: Giulia Santos Camillo
26/06/08 – 13h30
InfoMoney

SÃO PAULO – Com a valorização do real, a estratégia é transferir a produção para outros países em vez de exportar. Foi com isso em mente que a Marcopolo (POMO4) formalizou a joint venture com a egípcia GB Auto para montar uma fábrica no país.

A medida já tinha sido antecipada pelo vice-presidente do Conselho de Administração da companhia, José Antonio Martins, em palestra na Abcem (Associação Brasileira da Construção Metálica) na última terça-feira (24), mas só foi anunciada formalmente um dia depois.

Termos da associação
De acordo com o fato relevante enviado ao mercado, a Marcopolo e a GB Auto se associaram formando a empresa GB Buses, com o objetivo de montar e comercializar modelos de ônibus já fabricados pela egípcia.

Em entrevista à InfoMoney, Carlos Zignani, diretor de Relações com Investidores da Marcopolo, explicou que “no primeiro ano, que começa em julho de 2009, a expectativa é de produzir 1.500 unidades, chegando no quinto ano com 5 mil unidades, com investimentos previstos de US$ 50 milhões, que vão ser aportados 49% pela Marcopolo e 51% pela empresa egípcia”.

Cabe lembrar que a empresa ampliou a presença no exterior nos últimos anos, possuindo fábricas na África do Sul, Argentina, Colômbia, México e Portugal, além do Brasil. Confira abaixo a entrevista com Carlos Zignani.

InfoMoney – Quais os objetivos da Marcopolo com a formação da joint venture?
Carlos Zignani – O objetivo da empresa seria principalmente retomar o mercado do Oriente Médio que a companhia perdeu nos últimos três anos em função da valorização da nossa moeda. O custo Brasil encareceu muito e nós perdemos o mercado.

Nós estávamos há muito tempo vendo que tipo de operação a gente poderia fazer para retomar este mercado e encontramos um parceiro interessante no Oriente Médio, que é a Gabbour Auto.

“O objetivo da empresa seria principalmente retomar o mercado do Oriente Médio”

IM – E qual seria o interesse da Marcopolo na formação de uma joint venture com essa companhia em particular?
Zignani – Ela é uma empresa grande, companhia de capital aberto que tem ações cotadas nas bolsas da Europa e dos EUA. Eles têm uma fábrica de ônibus no Cairo, além de montar também caminhões da Volvo, Mitsubishi e Hyundai, e automóveis e motocicletas. É um grupo que tem mais de 5 mil funcionários.

E nós estamos fazendo uma joint venture com o objetivo de transferir a planta que fica no Cairo para a cidade de Suez, que é próxima ao canal e fica a 150 km do Cairo. E o objetivo então é a retomada do mercado do Oriente Médio, atingir a costa norte-africana e o mercado europeu ocidental.

IM – Há alguma outra medida para se proteger do enfraquecimento do dólar?
Zignani – As medidas que nós estamos tomando são principalmente a mudança da nossa estratégia de enviar ônibus desmontado do Brasil para uma montagem 100% local. Essa é a primeira grande mudança da Marcopolo.

A segunda é que nós estamos criando centros produtivos de autopeças para ônibus ou replicando a Marcopolo do Brasil em outros locais. Então nós já estamos começando um centro produtivo de autopeças, igual ao que fazemos no Brasil, na China. E devemos iniciar já a produção a partir de setembro agora, através da locação das instalações de uma empresa, que fabricava componentes e montava ônibus, por dez anos.

“E logicamente como futuro nós estamos pensando e olhando a China”

IM – A empresa estuda outros investimentos?
Zignani – A Marcopolo está estudando outros mercados importantes no mundo. São regiões de alta população, territórios grandes e com renda média para baixa, que é o perfil do país utilizador do ônibus. Dentro desse aspecto tem a região que estávamos estudando, o Oriente Médio, que agora já anunciamos.

Na Ásia, já temos duas plantas, uma na Rússia e outra na Índia. E logicamente como futuro nós estamos pensando e olhando a China, que a gente começa agora uma fábrica só de componentes, mas de ônibus não tem. Outra região importante para nós é a costa centro-africana.

Não é bem o perfil que eu comentei, mas EUA e Canadá são algumas das pretensões. A Marcopolo gostaria de ter uma presença neste mercado. Temos presença importante no México, mas nos EUA e no Canadá não temos.

IM – A Marcopolo estuda a revisão do guidance no curto-prazo?
Zignani – Nós já revisamos o guidance agora em maio e vamos aguardar mais um pouco para mudar isso.

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