Sindicato promete ”parar” SP

Sábado, 28 de Junho de 2008 

Na 2.ª, cerca de 200 caminhões devem paralisar vias da capital

Mariana Oscar e Sandra Vilar

 

O Sindicato dos Condutores em Transportes Rodoviários de Cargas Próprias de São Paulo promete parar a cidade na próxima segunda-feira em protesto às medidas da Prefeitura. A partir das 11 horas, cerca de 200 caminhões devem trafegar em comboio pelas principais vias da capital. O Sindicato ameaça ainda fazer manifestações relâmpago com piquetes de trabalhadores no trânsito. O presidente da entidade, Almir Macedo Pereira, argumenta que a restrição causará um desemprego em massa, além de desabastecer a cidade.

linkEntenda todas as mudanças no trânsito

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (ABCAM) também se mobiliza. “Os caminhoneiros não poderão esperar a liberação das Marginais, à noite, estacionados de dia no acostamento das estradas, pois poderão ser multados pela Polícia Rodoviária. Então, eles vão aproximar-se das Marginais e, como estarão proibidos de seguir em frente, vão parar no acostamento. Como são muitos, alguma faixa será ocupada”, afirmou o presidente da organização, José Lopes.

Para o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (Setcesp), o esforço que o governo municipal está fazendo para restringir a circulação de caminhões seria melhor aplicado na fiscalização do trânsito. “É mais útil tirar os carros irregulares de circulação do que os caminhões”, disse, o vice-presidente do Setcesp, Manoel Lima Júnior.

Ele até diz que o mercado não sofrerá desabastecimento porque os veículos de grande porte serão substituídos por menores. Mas, segundo o setor, para contornar a medida os congestionamentos podem até piorar. Um estudo divulgado pelo sindicato, no início de maio, aponta um crescimento de 500% da frota de veículos de entrega de mercadorias com o início da medida, além um aumento de 13% no custo do frete e dos serviços de logística na cidade. “De qualquer forma, vamos acatar a medida. É o que nos resta”, disse Lima.

A ABCAM, que congrega cerca de 100 mil associados em todo o País, já responsabiliza o prefeito Gilberto Kassab pelo transtorno anunciado. “São Paulo vai parar não por nossa culpa, mas por culpa do prefeito, que proibiu o tráfego de caminhões durante o dia pelas marginais”, disse. Uma nova greve dos motoristas deverá começar na segunda-feira em todo o País. O sindicalista aponta três motivos para a categoria cruzar os braços pela segunda vez este mês. “No dia 30, o pedágio e o óleo diesel vão subir de preço e, além desses aumentos, há a proibição do Kassab”, observou.

O aumento no preço do frete, para fazer frente aos aumentos do pedágio e do óleo diesel, é a principal reivindicação dos caminhoneiros aos donos das transportadoras. Elas pagam entre R$ 1,30 e R$ 1,40 pelo km rodado. Desabastecimento e bloqueios de estradas são previstos pelo presidente da ABCAM. “O risco é inevitável e, para parar o Brasil, a gente precisa antes parar a cidade de São Paulo.”

ESPECIALISTAS

O presidente da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cyro Vidal não acredita que a restrição terá o impacto esperado pela Prefeitura. Um dos maiores entraves, segundo ele, é a complexidade das novas regras. “Tudo que é confuso e exagerado é negativo.”

Apesar de considerar necessária, o ex-secretário estadual de Transportes Adriano Branco afirma que a restrição é só mais um paliativo. “Vai trazer um alívio e também muita dificuldade”, disse. Segundo ele, a medida é uma maneira de priorizar indiretamente o grande vilão dos congestionamentos: o automóvel. Ele diz isso, porque ao tirar o caminhão das ruas, andar de carro fica mais fácil. Para ele, o problema do transporte de cargas deveria ser resolvido com investimento em ferrovias e hidrovias. “Nos Estados Unidos, 30% da carga anda de caminhão. No Estado de São Paulo, são 93%”, disse.

Um dos poucos a defender a proibição, além de uma fiscalização rígida, é o engenheiro e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Jaime Waisman. “A parte mais sensível do motorista infrator é o bolso”, lembrou. Waisman também ponderou que o impacto da proibição será percebido em graus diferentes, de acordo com a região da capital. “Os moradores do Ipiranga vão notar uma melhora maior do que quem vive nos Jardins. Mas toda a cidade vai ganhar.”

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