Um duelo de estilos e história em Viena

Domingo, 29 de Junho de 2008 

Espanha tenta 1.º título após 44 anos. Alemanha quer o tetra

Jamil Chade

Alemanha e Espanha fazem hoje a final de um torneio marcado pelo triunfo do ataque e da volta do drama ao futebol. Em Viena, a Eurocopa-2008 verá um duelo de estilos e história. De um lado, os habilidosos espanhóis esperam acabar com um jejum de 44 anos sem títulos internacionais. Enquanto isso, a experiente Alemanha busca seu tetracampeonato do torneio e o status definitivo de maior potência do futebol europeu. O jogo será às 15h45 (de Brasília, com Record e SporTV).

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Se a Espanha eternamente é chamada de ?fúria?, no campo a Alemanha é quem mereceria esse nome. Em dez participações na Eurocopa, essa será sua sexta final. No atual torneio, os alemães deixaram claro que são eficientes, mesmo que não tenham o mesmo brilho de outras equipes. De uma forma tipicamente alemã, o time de Ballack e Klose acabou com o sonho de Portugal de Felipão e ainda despachou os turcos. Mas foram derrotados pela Croácia e sofreram para bater a Áustria.

“Não estivemos sempre no nível mais alto. Mas estamos na final e é isso que conta”, afirmou o pragmático técnico alemão Joaquim Loew. Ele confirma: a Espanha foi até agora o melhor time do torneio.

Para ele, uma conquista hoje pode ser a redenção do fracasso do time na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Loew, que foi o auxiliar técnico do time do Mundial, pode dar, com dois anos de atraso, a alegria que os torcedores esperavam.

Durante a Euro, os alemães praticamente jogaram em casa. O estádio da Basiléia, na Suíça, fica há menos de cinco quilômetros da fronteira alemã.

Para a Espanha, a final é a chance para mudar a imagem do futebol do país. Acostumados a ter grandes clubes, a seleção ganhou apenas a Eurocopa de 1964, em casa, e ficou em segundo lugar em 84. Desde então, decepções marcaram o futebol do país.

Hoje, o time de Luis Aragonés quer mostrar que essa fase acabou. A Fúria foi a única que não perdeu uma só partida na Eurocopa e chega com a moral de ter derrotado os campeões do mundo nas quartas-de-final, a Itália, e a sensação russa. O time, porém, entra em campo desfalcado do artilheiro David Villa, contundido. Fábregas deve ser seu substituto.

A final ainda dará pela primeira vez o título a um brasileiro. De um lado, Marcos Senna é o pulmão da Espanha. Do outro, o atacante carioca Kevin Kuranyi espera ter sua chance de entrar.

Em campo hoje, estará em jogo também um duelo de gerações e de visões do que deve ser o futebol. Loew, de 48 anos, é conhecido como o novo ?filósofo? do futebol. Com sua camisa engomada, estudos sobre os jogadores e táticas, insiste que o segredo está em não deixar espaços ao adversário. Contará ainda com um time experiente e acostumado com decisões.

Do outro lado estará Aragonés, de 69 anos e conhecido como ?Sábio?. Não esconde: é apaixonado pelo toque de bola. O espanhol se recusa a usar terno, é mal humorado, de pavio curto e repleto de polêmicas. Mas com essas características no comando que espera deixar a Espanha marcada para o futebol.

PARA A HISTÓRIA

Repleta de dramas e um futebol veloz, críticos já apontam que a Eurocopa de 2008 pode entrar para a história como um dos melhores torneios do continente. A média de gols é de dar inveja: 2,6 por partida. O triunfo do ataque se contrasta com o torneio de 2004, quando os gregos venceram montando uma defesa intransponível. Mas o torneio não foi marcado pelas individualidades.

Cristiano Ronaldo, Del Piero ou Henry foram eliminados e a emoção continuou.

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