Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os dois bancos estão fazendo uma análise profunda dos seus spreads para eliminar as “gorduras” existentes, informou uma fonte do governo. O grupo de trabalho criado este mês pelo presidente para baixar o spread também estuda se há espaço para reduzir a chamada “cunha fiscal”, ou seja, os impostos sobre o spread, principalmente o PIS e a Cofins.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, está irritado com as argumentações dos bancos privados de que o spread, mesmo com queda do custo de captação, não pode cair por causa da maior exposição das instituições ao risco de inadimplência. “Quando a inadimplência estava caindo em 2007, por que os bancos não reduziram o spread?”, questionou um auxiliar do ministro.
Da mesma forma, o BC mantém a posição técnica, segundo a qual uma redução dos compulsórios não facilitaria a queda do spread. “Os compulsórios já foram reduzidos e o spread não caiu”, disse uma fonte. O entendimento é que zerar os compulsórios, neste momento, seria uma medida equivocada, que só garantiria o aumento do lucro dos bancos. A ideia de divulgar o ranking é dar mais transparência sobre o custo do spread nas várias operações de empréstimos, como já foi feito com as tarifas bancárias. Com os dados, as organizações de defesa do consumidor poderão acompanhar a evolução do spread e dar amplitude às informações, estimulando a concorrência.
Polêmica, a divulgação vem sendo defendida por integrantes da equipe econômica e ganhou força esta semana, depois que a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) divulgou balanço sobre o spread com metodologia diferente da usada pelo BC. Segundo fontes, o presidente Lula é simpático à proposta de divulgação do ranking. O questionamento público da metodologia de cálculo do spread só aumentou o desconforto do BC com o problema, mas a diretoria do banco não resiste à divulgação do ranking dos spreads. (Adriana Fernandes)