SÃO PAULO – Muita cautela,
atenção aos preços e planejamento. São esses os conselhos da economista da MCM Consultores Associados, Basiliki Litvac, para os consumidores brasileiros no início deste ano.
De acordo com a profissional, apesar da previsão de que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) feche 2009 com elevação menor do que em 2008 – 4,9% contra os 5,9% previstos para este ano – alguns preços estarão maiores no começo do ano.
“Alguns indexadores como IGP-M e IGP-10 terminaram 2008 com altas significativas e alguns preços olham no retrovisor, ou seja, serão influenciados, em 2009, pelo comportamento que apresentaram no ano passado e ficarão mais altos”, explica.
Preços maiores
De acordo com Basiliki, preços administrados sofrerão reajustes significativos. “Alguns serviços possuem indexadores como o IGP-M, que fechou 2008 em quase em 10%, então vão subir. Isso inclui serviços públicos, como água e luz. Como 2008 foi ano eleitoral, muitas capitais não tiveram os preços de seus transportes públicos reajustados, o que deverá acontecer já no começo deste novo ano, menos em São Paulo, porque essa foi a promessa do prefeito reeleito na cidade”.
A economista conta ainda que, além disso, existem os preços que sofrem influencia da variação cambial. “E no ano passado a desvalorização do Real frente ao Dólar foi bastante grande. Vimos o dólar subir de R$ 1,57 para R$ 2,30 em poucos meses”.
Estimativas da MCM garantem que, enquanto os preços administrados fecharam 2008 com alta de 3,3%, em 2009 a elevação será de 6%: “É um salto muito significativo, capaz de elevar consideravelmente alguns preços”.
Inflação menor
Porém, o cenário traçado pela economista para este ano não é pessimista. “Os preços livres terão queda e compensarão os preços administrados fazendo até com que a gente espere uma inflação menor para 2009″.
Estão nesses preços a alimentação e bens duráveis, por exemplo. “Neste novo ano não teremos mais choque de commodities agrícolas como vimos em 2008, então não teremos os aumentos de preços em alimentos como tivemos no ano passado”, explica.
Já sobre os bens duráveis, Basiliki completa: “haverá redução de preços porque a demanda deve cair. Além disso o crédito está mais restrito, os brasileiros estão menos confiantes e temem o desemprego. Isso faz com que deixem de comprar, oq ue obriga as empresas a reduzirem os valores para tentarem vender. Sem falar na redução do IPI que já se reflete no preço dos carros e aparecerá ainda mais ao longo de janeiro e fevereiro”.
Planejamento
Diante desse panorama de incertezas em que começa 2009, a recomendação de planejamento é reforçada pela economista.
“Com os preços dos serviços públicos subindo os consumidores terão que ser bastante conscientes. Tem preços que ficarão maiores e eles não podem deixar de pagar, como a energia elétrica, por exemplo”.
E finaliza: “não é preciso deixar de comprar, mas o consumo tem que ser consciente e caber no orçamento. Planejamento é a palavra ideal para o início de 2009″.