Cenário atual e perfil de risco sugerem cautela na escolha da aplicação em renda fixa

Por: Giulia Santos Camillo
05/02/09 – 14h25
InfoMoney

SÃO PAULO – O cenário turbulento, o aumento da aversão ao risco e o ciclo de alta da taxa Selic. Tudo isso contribuiu para que 2008 fosse um ano mais atrativo para a renda fixa. Dentro desse segmento, entretanto, o destaque foi o mercado de CDB (Certificado de Depósitos Bancários), que foi favorecido também pela corrida por aumento de liquidez dos bancos brasileiros, que acabou por provocar a alta das taxas.

Porém, o surpreendente corte da taxa Selic em 100 pontos-base em janeiro e as expectativas de que a autoridade monetária continuará flexibilizando a política de juro, na esteira de indicadores ruins sobre a economia brasileira, podem gerar algumas dúvidas em relação à atratividade da renda fixa.

Melhor estratégia em renda fixa
Nesse contexto, o gestor de Carteiras de Crédito da Rio Bravo, José Romeu Del Moro Robazzi, lembra que o mercado de renda fixa é eficiente, incorporando rapidamente as expectativas dos agentes.

“No mercado de renda fixa hoje, os preços dos ativos prefixados estão embutindo até o final do ano mais 200 pontos-base de corte na taxa livre de risco, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é atrelado à taxa Selic definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária)”, conta.

Segundo Robazzi, há duas estratégias alternativas, de acordo com a percepção do investidor. Se ele acredita que o corte do juro básico será maior do que as projeções do mercado, de 200 pontos-base, no horizonte de um ano, ele deve procurar aplicações pré-fixadas – CDBs pré ou LTNs (Letras do Tesouro Nacional).

Porém, caso o investidor acredite que a flexibilização monetária não atingirá tal magnitude, o gestor explica que ele “deve então procurar aplicações atreladas ao CDI, tais como CDBs pós fixados e LFTs (Letras Financeiras do Tesouro)”.

CDBs ou títulos públicos?
Quando se trata de investimentos, mesmo em renda fixa, uma das considerações mais importantes tem a ver com o quanto de risco cada um quer correr. No caso dos CDBs, é necessário atentar para o risco de crédito do emissor. Normalmente, certificados de bancos com melhor qualidade de crédito tendem a possuir prêmios mais baixos – ou remuneração menor – do que as instituições com qualidade de crédito inferior.

Entre as principais recomendações aos investidores é conhecerem seu próprio perfil e o perfil do banco, antes de optar pelo investimento. De acordo com o gestor da Rio Bravo, os pequenos investidores podem achar o Tesouro Direto uma alternativa mais atraente, pois permite a aplicação em títulos de emissão do Tesouro Nacional de pequeno volume com custos lineares, sendo razoável para pequenas aplicações.

Já no caso dos CDBs, os bancos tendem a reduzir as taxas que pagam em aplicações de pequenos valores. Mas há uma vantagem, já que, além de ser mais simples para o correntista, a aplicação de baixo volume em CDB é garantida pelo Fundo Garantidor de Crédito até R$ 60 mil. Já para montantes maiores, os certificados de bancos rendem mais do que os títulos públicos. Isso tudo deve ser considerado lembrando que, nos CDBs, há a adição de risco de crédito do banco emissor.

Na escolha entre CDBs e títulos públicos, Robazzi argumenta que “cabe ao investidor avaliar se a taxa adicional que consegue no CDB do seu banco está refletindo o fato de que o emissor é uma entidade privada e, portanto, apresenta um risco de crédito de qualidade inferior ao risco de crédito do Tesouro Nacional”.

Risco
A dificuldade de comparar rendimentos e riscos de cada banco pode trazer uma desvantagem para a aplicação no CDB, que é um investimento concentrado, não havendo diversificação. Nesse sentido, investimentos em fundos de renda fixa aparecem como alternativa. Eles apresentam um perfil de risco melhor por pulverizarem a aplicação em diversos bancos, embora possam ter rentabilidade menor do que os CDBs individuais.

Contudo, o investidor deve manter em mente a necessidade de sempre analisar as aplicações. Robazzi afirma que a leitura do regulamento e prospecto do fundo é fundamental, e indica o site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) aos investidores que estiverem interessados em mais detalhes. A autarquia supervisiona os fundos e disponibiliza informações.

Para o futuro
“O início do ano foi um período de reversão no movimento de taxas de CDBs, mais evidente nos grandes bancos e menos perceptível nos bancos de menor porte. No entanto, a liquidez ainda está restrita”, explica o gestor, que acredita que o movimento para os CDBs não deve perdurar no mesmo ritmo.

“Até por força do ofício, creio que ao longo do ano outras classes de ativos de renda fixa como os fundos de investimento vão recuperar atratividade, senão pela rentabilidade, pelo menos pela percepção de que apresentam um melhor perfil de risco em decorrência da diversificação de suas carteiras”.

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