Luiz Carlos Merten
Maior vitrine da animação no País, o Anima Mundi inicia hoje sua 17ª edição em São Paulo, depois da rodada carioca que, este ano, abrigou o Anima Forum, debates que têm ajudado a fortalecer o propósito de uma indústria brasileira do setor. Os debates deste ano foram movimentados e consolidaram um movimento que tem crescido. A animação está em alta no Brasil (e no mundo). “Sempre tivemos grandes animadores, mas a dificuldade era sempre criar as condições propícias ao desenvolvimento desses talentos”, diz César Coelho, um dos quatro integrantes do ?colegiado de três? – ele brinca -, responsável pelo evento (os demais são Aída Queiroz, Léa Zagury e Marcos Magalhães). Como sempre, o Anima Mundi abriga oficinas, que este ano oferecem sete técnicas para quem quiser se exercitar, paralelamente às sessões.
Veja trechos de animações
Uma das opções é a animação com massinhas. Você pode ver uma, nacional ou estrangeira, feita com massinhas e, antes ou depois, fazer a sua animação. O domínio da ferramenta pode ajudá-lo a avaliar melhor o que está na tela, e esse tem sido o objetivo. “O Anima Mundi surgiu para demonstrar que a animação era viável no Brasil. Isso foi em 1993, em que quase não havia produção, não só de animação, mas de nada. (O ex-presidente Fernando) Collor havia desmantelado a Embrafilme, não havia recursos e a gente com aquele sonho de fazer animação. Para mostrar que era possível, começamos logo encarando a questão do mercado.”
César Coelho esclarece, assim, que arte e indústria nasceram juntos no Anima Mundi e agora, depois de cinco anos de Forum – o gérmen foi a mostra competitiva, que surgiu em 1996 -, os números apontam para o crescimento e consolidação da indústria de audiovisual de animação no País. O mercado aquece-se, empresas demandam profissionais, as emissoras clamam por produtos. Mas, digamos que seu interesse, leitor, não seja a profissionalização. Você quer ver bons filmes de animação e, talvez, brincar um pouco nas oficinas. OK – você pode brincar, mas as oficinas são coisas sérias. Algumas nem se destinam a crianças. “Existem técnicas que exigem idade mínima. São necessárias concentração e abstração, e o público preferencial é o adulto”, esclarece Coelho. Portanto, se você vir meia dúzia der marmanjos se exercitando nas oficinas, não pense que eles (e elas) perderam a infância.
O Anima Mundi oferece várias sessões, incluindo uma mostra competitiva de longas. No ano passado, ela nem se realizou, por falta de bons filmes. Este ano, a mostra está forte, garante Coelho, mas como ela é competitiva, ele não faz nenhuma indicação, para não induzir o público. “Sempre tivemos muitas animações do Canadá, dos EUA e do Japão. Nesta edição, temos uma representação forte da França.” Um dos convidados internacionais importantes é o francês Michel Ocelot, de Kiriku e a Feiticeira, que veio para o Papo Animado. O estoniano Pritt Parn poderá ser uma descoberta gratificante (além de explicar por que a Estônia se transformou num dos maiores polos de animação do mundo). E o norte-americano Amid Amidi traz os novos tempos da internet. Ele possui o mais respeitado blog internacional voltado exclusivamente à animação. Marcia Latini apresentará um momento especial, resgatando a história dos irmãos Latini – pioneiros da técnica no País. A Disney, sinônimo de animação para o grande público, traz Renato dos Anjos e Leo Sánchez, que vêm mostrar como foi feito Bolt – O Supercão.
Serão 400 filmes de 40 países. Algumas indicações de programas imperdíveis – Kudan, que tem um lado meio Matrix; Presto, da Pixar; The Werepig (O Porcosomem), sobre turistas norte-americanos que somem na Espanha; Hardcover & Paperback, o amor entre origamis; The Royal Nightmare, dos EUA, o pesadelo de um rei em seu castelo, em preto e branco, magnífico; e Our Wonderful Nature, de Tomer Eshed, que representa o cinema de estudantes. Só para constar – Josué e o Pé de Macaxeira, de Diogo Viegas, foi a melhor animação brasileira pelo júri popular e o italiano Muto, de Blu, a melhor pelo júri oficial, no Rio.
Serviço
Anima Mundi
Memorial da América Latina. Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664, tel. 3823-4600. R$ 6
CCBB. Rua Álvares Penteado, 112, tel. 3113-3651. Grátis (ingressos a partir das 10h). Até 26/7 – Programação: www.animamundi.com.br