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Bandeira da redução de jornada dá tom à festa de 1º de Maio em SP

01/05/2008 – 15h14 – Atualizado em 01/05/2008 – 15h16

CUT e Força Sindical defendem redução da jornada semanal de 44 para 40 horas.
Favorável à medida, ministro do Trabalho defende negociação com os empregadores.

Roney Domingos e André Nery Do G1, em São Paulo

A bandeira da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais dominou as festas promovidas pelas maiores centrais sindicais do país – a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Força Sindical – neste 1º de maio, em São Paulo. A CUT realiza uma festa no Autódromo de Interlagos, na zona sul da capital paulista, e a Força reúne trabalhadores na praça Campo de Bagatelle, na zona norte.

 

O presidente da CUT em São Paulo, Edilson de Paula e o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, defenderam a redução da jornada de trabalho com base em uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística Sócio-Econômicas (Dieese) que estima que a medida pode gerar 2 milhões de empregos.

 

Lupi defende a negociação dos os empresários. “Diminuindo a jornada, você tem que ter mais trabalhadores. Será que o patronato vai fazer isso? Eles trabalham com custos. Por isso sou a favor da negociação para que todas as partes saiam satisfeitas”, afirmou.

 

 Paralisação e assinaturas

A Força Sindical bateu na mesma tecla, com o tema “Reduzir a jornada é gerar empregos”. Durante o evento, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, convocou os trabalhadores para uma paralisação parcial no próximo dia 28 em defesa da redução da jornada de trabalho.

 

No dia seguinte, a central deverá entregar ao Congresso um abaixo-assinado pedindo a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais. “Nós estamos pedindo a redução de trabalho para 40 horas semanais porque o Brasil está num momento muito bom. O país está crescendo, os salários melhoraram, a inflação está controlada”, afirmou.

 

Edilson, da CUT, afirma que as centrais sindicais já coletaram mais de 1 milhão de assinaturas para fazer passar no Congresso Nacional um projeto de lei de iniciativa popular reduzindo a jornada até o dia 28. “Isso não vai trazer nenhuma conseqüência para a economia brasileira. Pelo contrário, vai ajudar. O 1º de Maio da CUT está muito concentrado na redução da jornada de trabalho”, afirmou.

 

A CUT espera reunir 500 mil pessoas no evento no Autódromo de Interlagos - a PM diz que só fará uma estimativa do público depois das 16h. A festa da Força Sindical reuniu 800 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, e 1 milhão, conforme os cálculos da organização.

 

 Saia-justa

O dia começou com uma rápida visita do prefeito Gilberto Kassab à festa da CUT, no Autódromo de Interlagos, volta das 10h30, antes do início do evento. Dirigente licenciado do PDT, Lupi, que chegou ao evento por volta das 13h, negou que haja constrangimento entre o seu partido e o prefeito de São Paulo, que pode ser candidato à reeleição.

 

O presidente da Força Sindical e do PDT, o deputado federal Paulinho da Força, pode ser alvo de investigação da Polícia Federal por supostamente ter tramado ação contra Kassab. Lupi não quis comentar o assunto: “Não sou da Força e não sou prefeito. Perguntem para eles”, afirmou.

 

O ministro defendeu Paulinho e disse que não se pode prejulgar ninguém. “Indícios para apurar não é prova. A PF que aponte seus indícios. Não podemos ser um tribunal de inquisição.”

 

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