Arquivo para Agronegócio

Mesa-redonda discutirá conjuntura do agronegócio no País

Hoje – 05/09/2008  08h10

 

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural promove mesa-redonda em Esteio (RS) para discutir a conjuntura atual do agronegócio no País, o aumento dos preços dos insumos agrícolas e o decreto 6.514/08, que regulamentou a Lei de Crimes Ambientais (9.605/98). O debate foi proposto pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

O decreto 6.514/08 tem sido objeto de críticas dos produtores rurais, especialmente em relação ao prazo de 180 dias para o registro das áreas de reserva legal que devem ter a vegetação recomposta.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já admitiu que o prazo é pequeno e anunciou a possibilidade de rever o decreto. As mudanças no decreto foram negociadas durante audiência pública da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural em agosto.

Participarão do debate o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, deputado Onyx Lorenzoni; o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado Adolfo Brito (PP); o secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, João Carlos Machado; o chefe da assessoria de gestão estratégica do Ministério da Agricultura, Derli Dossa ; e o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Carlos Rivaci Sperotto.

A mesa redonda está marcada para as 9h30, na Casa da Tecnologia da Embrapa no Parque de Exposições Assis Brasil.

Da Redação/PCS

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Agronegócio garante saldo comercial

Domingo, 13 de Julho de 2008 

Superávit do setor deve atingir US$ 52,2 bilhões este ano, quase o dobro do projetado para o total da balança

Márcia De Chiara

Pilar da balança comercial desde meados da década passada, a exportação de produtos do agronegócio será neste ano, mais do que nunca, a salvação do saldo comercial do País. O superávit proporcionado pelas exportações do agronegócio previsto para 2008 deve atingir US$ 52,2 bilhões, quase o dobro do projetado para o saldo da balança comercial brasileira, de US$ 28 bilhões, segundo cálculos da RC Consultores. No ano passado, o superávit do agronegócio foi de US$ 42 bilhões, só US$ 2 bilhões acima do saldo positivo da balança comercial como um todo, de US$ 40 bilhões.

Preços recordes de commodities, especialmente de soja e carnes, devem garantir o excelente desempenho das exportações do setor. A estimativa é de que as vendas externas do agronegócio somem US$ 60,5 bilhões em 2008, US$ 12 bilhões a mais que no ano anterior e 32% das exportações totais da balança comercial, projetadas em US$ 190 bilhões. Por enquanto, o cenário é positivo para o Brasil porque o mundo continua crescendo e consumindo mais alimentos, o que sustenta cotações em alta dos produtos agropecuários.

Mas os reais problemas de falta de competitividade das exportações brasileiras de manufaturados, provocados pelo câmbio valorizado e pela falta de uma política industrial, podem aparecer na forma de déficits comerciais crônicos, quando a economia global desacelerar e a bolha de especulação dos preços de commodities estourar, cenário que ainda não está previsto para este ano, dizem analistas.

“Se não fosse o desempenho do agronegócio, a situação externa estaria mais complicada hoje”, diz o diretor da RC Consultores e responsável pelas projeções, Fabio Silveira. Ele observa que a contribuição do agronegócio para o superávit da balança deve aumentar significativamente este ano, a ponto de ser suficiente para cobrir com folga o déficit comercial recorde projetado para os bens de capital, de R$ 27,6 bilhões, e o saldo negativo de petróleo e derivados (R$ 11,4 bilhões).

“Só preço das commodities tem contribuído positivamente para a desempenho da balança comercial, e isso é perigosíssimo porque não temos alternativas se a conjuntura mundial mudar”, afirma o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. “É exatamente aí que mora o perigo. Se houver um furo na bolha de especulação das commodities, o saldo comercial poderá se reduzir bastante”, observa Silveira.

Castro sustenta a avaliação de que os preços em alta estão garantindo o desempenho da balança comercial baseado numa lista de 18 commodities agrícolas e metálicas. De acordo com a relação, todas essas commodities subiram em dólar no mês passado na comparação com igual período de 2007 e dois terços delas tiveram queda nas quantidades exportadas, na mesma base de comparação.

No rol das maiores quedas de quantidades estão o óleo de soja e a carne bovina. Em junho, as quantidades exportadas de óleo de soja recuaram 27,3% ante igual período de 2007. O aumento nos preços em dólar do produto foi de 81%. No caso da carne bovina, o acréscimo dos preços em dólar no mês passado foi de 57,3% em relação a junho de 2007 e queda de 25,7% nas quantidades enviadas ao exterior.

Para este ano, a RC Consultores projeta que as carnes (bovina, suína e de aves) isoladamente vão responder por quase 22% do saldo comercial do agronegócio e a soja em grão, por cerca de 21%. Juntos, garantirão quase 80% do superávit da balança comercial.

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Negócio ambiental ganha espaço

Domingo, 29 de Junho de 2008 

Demanda aquecida por espécies nativas faz comércio de mudas em Sinop projetar expansão de 200% este ano

Fernando Dantas

 

De madeireiro a plantador de mudas de espécies nativas, a trajetória de Jaldes Langer é um exemplo de como a pressão ambientalista já produz os primeiros resultados no Médio Norte de Mato Grosso. Gaúcho de Santa Rosa, 39 anos, de família de origem alemã, ele veio para Mato Grosso em 1984, com os pais e os irmãos. Depois de experiências frustradas com arroz e leite, a família voltou-se à atividade madeireira, e montou uma serraria em 1987.

linkVeja a galeria de fotos do agronegócio em MT

Em 1993, Langer descobriu o potencial do negócio de mudas, tanto de eucalipto e de teca, para madeira e biomassa, quanto de árvores nativas, para reflorestamento. Hoje, ele está à frente da Flora Sinop, nos arredores da cidade de mesmo nome (que curiosamente vem da sigla de Sociedade Imobiliária Norte do Paraná), um negócio que cresceu 20% ao ano, mas agora, de 2007 para 2008, deve dar um salto 200%, de 200 mil para 600 mil mudas por mês.

O cerco dos defensores do meio ambiente aos produtores rurais do Médio Norte explica em boa medida o sucesso da Flora Sinop, ao fazer explodir a demanda por espécies nativas para reflorestamento, e por matéria-prima legal para madeira e biomassa. A região está na alça de mira dos defensores da Amazônia, mas não tanto pelo que ocorre no presente ou pode vir a ocorrer no futuro, uma vez que se trata na maior parte de área já “aberta”, jargão local que eufemisticamente quer dizer “desmatada”.

O problema é o passivo ambiental, isto é, as áreas desmatadas que não se encaixam na legislação atual, como a faixa na beira dos rios, onde tem de haver matas ciliares, e determinados porcentuais das fazendas. Os fazendeiros do Médio Norte se defendem dizendo que as regras foram mudadas no meio do jogo, e há pouco mais de duas décadas, quando vieram do Sul, a legislação estimulava a “abertura” das áreas que hoje compõem o passivo ambiental.

De qualquer forma, na região, onde a posse de terra está bem regularizada, tornando difícil evadir a vigilância das ONGs e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a palavra de ordem parece ser a de adaptação gradual. “A pressão só deixa Mato Grosso mais forte, porque aqui é uma terra de empreendedores e, se surge um novo desafio, a gente faz o que é preciso”, diz Langer.

Na realidade, já há um embrião de competição entre municípios e fazendeiros para ver quem se adapta melhor e mais rápido ao figurino ecologicamente correto. Lucas do Rio Verde, por exemplo, quer se tornar o primeiro município do País a se enquadrar nas regras sobre preservação de florestas. Para isso, mapeou com fotos de satélite todas as suas propriedades.

Em Sorriso, o produtor Darcy Ferrarin replantou mais de 400 hectares da fazenda Santa Maria da Amazônia com 280 mil mudas nativas de espécies como ipês, angelim-rosa, itaúba, jatobá e jenipapo. A fazenda de soja, milho e pecuária, cortada por mais de 20 quilômetros pelo majestoso Rio Teles Pires, é hábitat de antas, capivaras, onças, emas, porcos do mato, sucuris, araras e muitos outros animais, em mais de 5 mil hectares de floresta, de um total de 13,3 mil da propriedade.

POPULAÇÃO

Se os gaúchos são os grandes capitalistas no Médio Norte do Matogrosso, os nordestinos, com destaque para os maranhenses, formam boa parte da classe trabalhadora. Na unidade agroindustrial da Sadia em Lucas do Rio Verde – com partes ainda em construção -, 90% dos contratados para as obras e para a operação do que já está pronto vem do Nordeste, segundo o gerente do projeto, Nadir José Cervellin. A unidade terá 4,5 mil funcionários diretos até o fim de 2009, quando estiver em plena operação.

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