Arquivo para Alimentos

Produtos têm sal e gordura acima do recomendado

Terça-Feira, 10 de Fevereiro de 2009 

Destinados a crianças, alimentos também apresentam mais açúcar do que o necessário, diz pesquisa do Idec

Karina Toledo e Alexandre Gonçalves

 

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) analisou 30 alimentos industrializados destinados a crianças e detectou teores de açúcar, sal e gorduras acima do ideal. Além disso, alguns apresentaram teores nutricionais acima do descrito na embalagem, o que pode levar o consumidor a exceder sua cota diária de gordura ou sódio.

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Veja o relatório do Idec, com a lista dos produtos analisados

“Selecionamos os produtos por terem grande apelo entre o público infantil. Muitos deles têm brindes e bichinhos na embalagem ou usam a imagem de personagens famosos”, explica Carlos Thadeu de Oliveira, gerente de informação do Idec e responsável pela pesquisa. Segundo a análise, o bolinho de morango Nhamy, da Nutrella, foi o que apresentou maior variação em relação ao valor no rótulo: 237,5% mais gordura saturada. Em segundo lugar está o bolinho de baunilha e chocolate Gulosos, da Bauducco, com 114,3% mais gordura saturada que o registrado.

“A legislação brasileira tem uma tolerância de até 20% de variação nos valores expressos, mas nesses casos a discrepância está muito acima do permitido”, afirma o gerente do Idec. Ele destaca ainda que em alguns produtos que se apresentam como livre de gordura trans foi detectada a substância. “No rótulo do salgadinho de bacon da marca Magikitos consta 0%, mas foi encontrado 1,66 grama de gordura trans por porção.” Procurada, a empresa afirmou que “destaca na embalagem os valores nutricionais apurados em análises feitas por empresas qualificadas. Mas que vai analisar os laudos apresentados pelo Idec e, se realmente constar alguma desconformidade, corrigirá imediatamente”.

A Bauducco “reitera seu compromisso com a qualidade e correção das informações sobre seus produtos, porém por não ter não ter acesso à avaliação realizada pela entidade, fica impossibilitada de prestar maiores esclarecimentos.” A Bimbo disse que a marca Nutrella foi adquirida recentemente e os produtos estão sendo reavaliados.

OVERDOSE

O excesso de sacarose, considerado o pior dos açúcares, foi outro problema apontado pela pesquisa. “A legislação brasileira não obriga os fabricantes a discriminar, entre os carboidratos, o que é amido, o que é açúcar, mas os nutricionistas recomendam que os açúcar não deve corresponder a mais de 25% do consumo de carboidratos”, explica Oliveira.

O gerente do Idec destaca o caso dos muffins orgânicos SuaviPan . “O produto tem apelo saudável, por ser orgânico, mas quase metade de seu peso corresponde a açúcares. Foram 19,68 gramas em uma porção de 40 gramas.” O dono da Suavipan, Paulo Roberto Cristino, diz que apenas 20% dos açúcares correspondem à sacarose, o restante corresponde à farinha orgânica e à lactose do leite integral. Cristino ressalta ainda que 96% dos ingredientes usados são orgânicos e apropriados para o consumo das crianças.

No quesito sal, diversas marcas de salgadinhos ultrapassaram, na porção de 100 gramas, o recomendado para o consumo diário, que é 1 grama pelo padrão do Reino Unido (a Anvisa utiliza valores menores). O campeão foi o Yokitos bacon, da Yoki, com 1,3 gramas na porção. A empresa alegou que não teve tempo hábil para analisar os resultados da pesquisa, mas que fará análise detalhada e apresentará o resultado ao Idec.

Os piores resultados para gorduras saturadas ficaram com os salgadinhos Ruffles original e Pringles sabor bacon, respectivamente com 4,66 g e 3,41 g por porção de 25 g. O limite máximo recomendado para crianças de 4 a 6 anos é 16 g diários. “Se a criança comer 100 g de Ruffles e um bolinho Ana Maria de 60 g já terá ultrapassado o limite recomendado em uma única refeição”, alerta Oliveira.

Para a nutricionista Renata Maria Padovani, do núcleo de estudos e pesquisas com alimentos da Unicamp, não há um limite semanal seguro para consumo desses produtos industrializados. “Uma vez por semana já é considerado hábito. E o consumo desse tipo de alimento deve ser muito eventual”, diz. “O consumo excessivo de gordura saturada interfere na saúde cardiovascular, você já começa na infância o processo de arteriosclerose. Excesso de sódio pode elevar a pressão, também fator de risco para problemas cardiovasculares e renais.”

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Lula compara ‘trabalho duro’ na cana com mineração na Europa

 

 
 
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo que “todo mundo sabe” que o trabalho nas plantações de cana é duro e comparou a situação brasileira com a indústria da mineração da Europa no começo da era industrial.

“Eu adoro esse debate”, disse Lula, em referência às críticas que o setor recebe.

“Todo mundo sabe que o trabalho na cana é duro. Como é duro o trabalho de um balconista que fica atendendo a gente atrás do balcãozinho das seis da manhã à meia-noite.”

“Não é mais duro do que o trabalho em uma mina de carvão que foi a base de desenvolvimento da Europa. Pegue um facãozinho e passe um dia cortando cana e desça numa mina a noventa metros de profundidade para explodir dinamite, para você ver o que é melhor.”

As condições de trabalho na indústria da cana foram criticadas nesta semana pela Anistia Internacional e pelo relator especial da ONU sobre o Direito ao Alimento, Olivier De Schutter. A Anistia destacou em relatório a libertação de trabalhadores que estavam em situações “análogas à escravidão” em plantações no Pará.

Lula disse que “o Brasil está pronto e apto a qualquer momento para acabar com o papel do cortador de cana”.

“O problema não é acabar, é você saber onde vai colocar mais de um milhão de trabalhadores.”

Ele disse que o governo está trabalhando em conjunto com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para elaborar um modelo de contrato de trabalho nacional que garanta condições mais favoráveis aos empregados da indústria da cana.

‘Toda inteligência brasileira’

Lula está na Itália para participar de uma conferência da agência da ONU para Agricultura e Alimentos (FAO) sobre a crise provocada pelo aumento do preço mundial dos alimentos.

O etanol brasileiro – que vinha sendo elogiado antes da crise por servir supostamente como alternativa mais limpa aos combustíveis fósseis – é apontado por vários críticos como um dos fatores que pode contribuir para a alta dos preços, junto com outras formas de biocombustíveis.

Em entrevista coletiva a jornalistas na embaixada brasileira na Itália, Lula confirmou que discursará em defesa do etanol na abertura da conferência da FAO, na terça-feira.

Lula disse aos jornalistas que a campanha internacional do governo a favor do etanol brasileiro é “uma guerra necessária” para o Brasil, e que o país precisa juntar “toda a inteligência brasileira” para debater a questão.

“Nessa guerra comercial, nós não temos que ficar nervosos, e achar que o mundo acabou por isso. É uma guerra necessária, e o Brasil tem que ir para ela preparado”, disse Lula.

“Eu disse ao (ministro do Desenvolvimento) Miguel Jorge que é preciso nós juntarmos toda a inteligência brasileira na área de biocombustíveis, para que a gente possa fazer um debate interno e externo altamente qualificado, que não tenha apenas a questão emocional ou ideológica, mas que tenha o resultado prático do conhecimento científico daquilo que nós precisamos para o Brasil.”

O presidente disse que o governo convocará uma conferência internacional sobre biocombustíveis no Brasil entre 20 e 21 de novembro, reunindo chefes de Estado, cientistas e técnicos.

Adversários do etanol

O presidente disse que ONGs, fazendeiros europeus e a indústria automobilística da Europa estão entre os que fazem campanha contra o etanol.

“Estamos ainda para detectar quem são os responsáveis (pela campanha contra os biocombustíveis brasileiros). A primeira coisa é que eu acho que você tem, na Europa sobretudo, pressão de ONGs, da própria agricultura européia, que não quer abrir mão dos subsídios, e você tem pressão, quem sabe, até da indústria automotiva européia que não quer mudar a sua matriz, o seu motor”, disse Lula.

“Essa difamação (contra o etanol) é de todo mundo, inclusive nossa no Brasil. Eu tenho dito a todo mundo no Brasil que cada vez que nós falarmos qualquer coisa agora, nós temos que saber como isso será utilizado contra nós na Organização Mundial do Comércio (OMC).”

“Na medida em que você começa a ser um artista principal, você começa também a ficar muito mais visado. As pessoas começam a te bater.”

Lula também disse que quer tratar com os chefes de Estado sobre a alta do petróleo, que, segundo ele, seria um importante fator na crise do preço dos alimentos.

Meio ambiente

Sobre o impacto ambiental do etanol, outra crítica feita ao programa brasileiro, Lula disse que “nenhum país tem autoridade moral” para falar sobre meio ambiente no Brasil e descartou qualquer medida para proibir a plantação de etanol na Amazônia.

Ele disse que pediu, na semana passada, um estudo para o Inmetro comparando a emissão de gases de dois carros em condições semelhantes, só que um movido a etanol e outro a gasolina.

Segundo o presidente, o estudo concluiu que o carro a gasolina emite oito vezes e meia mais gases nocivos ao meio ambiente do que o automóvel movido a etanol.

Protótipo em minuatura do 'primeiro carro verde do mundo' (Foto Valter Campanato/ABr)
Protótipo em minuatura do ‘primeiro carro verde do mundo’ (Foto Valter Campanato/ABr)

“Se as pessoas querem levar a sério o Protocolo de Kyoto e o desaquecimento do planeta, o Brasil está dizendo: nós temos um combustível que seqüestra carbono quando plantamos e que não emite gás carbono quando liga o motor do carro. A partir daí, começaremos o debate. Nós entendemos que é a energia do futuro até que alguém apresente uma melhor.”

Dentro da campanha internacional do governo em favor do etanol, Lula mostrou à imprensa o protótipo miniatura do que seria, segundo ele, “o primeiro carro verde do mundo”. O projeto está sendo desenvolvido pelas empresas Braskem e Toyota.

Todas as partes de plástico do carro são feitas com material derivado da cana-de-açúcar, e não de petróleo.

“É um carro em que ninguém precisa mais beber álcool, é só cheirar o carro que está resolvido o problema”, brincou Lula ao mostrar a miniatura aos jornalistas.

 

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Conselho leva a Lula propostas para enfrentar a crise mundial de alimentos

 
29.05.2008 
 

Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) discutiu hoje (29) sobre alternativas que vai sugerir ao governo federal para que enfrente a crise mundial de alimentos. Em reunião, os conselheiros finalizaram um documento que deve ser encaminhado amanhã (30) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o presidente do Consea, Renato Maluf, o governo precisa retomar instrumentos públicos de regulação. “A dimensão mais grave da crise é o despreparo dos países. Os países, sobretudo os do Sul, foram submetidos ao que se chamou de programa de ajuste estrutural, de liberalização comercial, o que fez com que eles tivessem alguns instrumentos fundamentais desmontados, dentre os quais, a própria existência de estoque”, observou.

Além dos estoques públicos de alimentos, o Consea defende o monitoramento, por parte do governo, do fluxo comercial de importação e exportação, visando assegurar a demanda interna de alguns produtos. Outras medidas a curto prazo seriam o realinhamento dos preços praticados na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) e no Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), além do fortalecimento dos equipamentos públicos de abastecimento dos municípios.

Segundo Renato Maluf, quando o Estado não atua no mercado de alimentos, os monopólios passam a ter o controle. “Os mercados não se auto-regulam. A regulação tem que ser pública. Quando não tem Estado, alguém regula, e são as grandes corporações”, disse.

Questionado sobre qual sua previsão de como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) se posicionará em relação à crise dos alimentos e à destinação de áreas de plantio para os biocombustíveis, Maluf disse temer “um predomínio de uma visão mais conservadora e tradicional”.

A FAO realiza, de 3 a 5 de junho, a Conferência Mundial sobre Segurança Alimentar, que contará com a presença de mais de 50 chefes de Estado.

“Eu olhei o rascunho da declaração final, que já está circulando. Se você me perguntar se eu acho que ele enfatiza suficientemente algumas questões que a gente acha que deveria enfatizar, eu diria que não. Ele ainda é tímido em vários pontos, mas eu espero que, dessa conferência, a gente tenha um posicionamento mais forte. E acho que, nesse sentido, o Brasil cumpre um papel muito importante”, avaliou Mafuf.

O presidente do Consea disse esperar que as propostas feitas pelo conselho sejam consideradas no posicionamento do governo brasileiro na conferência de Roma. “A nossa expectativa é que o presidente nos ouça nessas proposições que o Consea está fazendo, porque eu diria que, do que eu sei dessa conferência, uma fala que vai pesar ali é a do presidente Lula, por causa do papel internacional do país nesse campo”, previu.

Fonte: Agência Brasil

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