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Lula cobra fim de restrição à venda de trigo argentino

 01 de julho de 2008 – 09h25 ]

 

San Miguel de Tucumán – San Miguel de Tucumán – Com a decisão já tomada de antecipar o cronograma de construção da hidrelétrica binacional de Garabi, na fronteira do Brasil com a Argentina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá cobrar hoje de Cristina Kirchner a regularização dos embarques de trigo ao País. Em paralelo a 35ª Reunião de Cúpula do Mercosul, na manhã de hoje, em San Miguel de Tucumán, na Argentina, Lula e a presidente do país vizinho tentarão também limar outras diferenças que têm desgastado a relação bilateral.O brasileiro vai cobrar as razões de um “papelão” da Argentina na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) – a contestação pública da posição do Brasil sobre a abertura de mercados industriais, que favoreceria uniões aduaneiras como o Mercosul.

A hidrelétrica binacional, somada aos investimentos produtivos brasileiros na Argentina nos últimos anos, tornou-se uma espécie de escudo do governo Lula contra medidas protecionistas de Buenos Aires. Na semana passada, em uma reunião de monitoramento das obras prometidas pelo Brasil à vizinhança sul-americana, o próprio presidente Lula ordenou que as obras de Garabi fossem antecipadas. Projeto dos anos 80, a usina binacional no Rio Uruguai implicaria investimento de US$ 1,5 bilhão a US$ 1,7 bilhão e elevaria em 9% o total de energia disponível na Argentina. Seria, portanto, um alívio a um país que padece de escassez de energia desde 2004.

Com essa carta na manga, Lula espera, pelo menos, afrouxar as restrições impostas pelo governo Kirchner às exportações de trigo ao mercado brasileiro. Desde dezembro, a Argentina autorizou o embarque de apenas 2 milhões de toneladas ao Brasil. Desse volume, 1 milhão de toneladas estão sujeitas a controles do governo, que libera as vendas a conta-gotas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (AE)

 

 

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Cristina Kirchner pede fim de protestos para dialogar com ruralistas


A presidente da Argentina, Cristina Kirchner
‘É muito difícil dialogar com pistola na cabeça’, disse Cristina Kirchner

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu o fim dos protestos do setor rural, que completaram 15 dias nesta quinta-feira, para que o diálogo possa ser aberto entre o governo e representantes dos ruralistas.

“Peço, humildemente, como presidente de todos os argentinos e em nome dos argentinos, que suspendam o protesto para dialogar”, disse Crsitina Kirchner, em um comício realizado em Buenos Aires e transmitido ao vivo pelas principais emissoras de TV do país. “Não se pode negociar se não são suspensas as iniciativas que extorquem o país.”

Pouco antes, no mesmo discurso, Cristina Kirchner afirmou que é “muito difícil dialogar com pistola na cabeça, principalmente na democracia”.

Ela se referia ao protesto rural que já provoca desabastecimento nos supermercados de diversos pontos da Argentina e à ameaça dos ruralistas de manter a greve por tempo indeterminado.

Cristina Kirchner afirmou ainda que pela primeira vez, em cem anos, o país registrará cinco anos de “crescimento sustentável”.

Ela disse que o governo “não está contra os pequenos produtores”, sinalizando que poderia ser dado tratamento diferenciado à cobrança dos impostos às exportações do setor agrícola – medida que afeta principalmente a soja e provocou a onda de protestos.

“Não é uma política anti-soja, mas pró-povo, pró-Argentina, pró-campo. (…) E essa forma é a única que temos de erradicar a fome no país. (…) Estamos discutindo um modelo de país. (…) Meu objetivo é a igualdade social”, disse.

A presidente criticou ainda os panelaços realizados durante semana, afirmando que não são espontâneos.

Reação

No palanque com Cristina Kirchner estavam ministros, secretários, líderes parlamentares e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner.

Enquanto a presidente falava, emissoras de TV mostravam também a reação dos ruralistas.

Os produtores rurais escutavam as palavras de Cristina Kirchner e acenavam que manteriam a paralisação, que inclui o bloqueio das estradas, principalmente para caminhões carregados com alimentos.

Quando a presidente terminou seu discurso, líderes do protesto nas localidades de Gualeguaychú, na província de Entre Ríos, e São Pedro, na província de Buenos Aires, decidiram manter a manifestação.

Gualeguaychú mantendo bloqueio total das estradas, e São Pedro parcialmente. Nos dois casos, eles querem a suspensão dos novos impostos às exportações do setor antes de encerrar a greve.

Panelaços

Outra reação, também quase imediata, foram os panelaços e buzinaços, pelo terceiro dia consecutivo, nos bairros de classe média e classe alta da capital federal, Buenos Aires.

Mas a expectativa, segundo o vice-presidente da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati, é de que o diálogo seja aberto depois do discurso de Cristina.

“Foi um discurso bem diferente do de terça-feira. Desta vez, foi um chamado ao entendimento. Merece ser tratado com toda a responsabilidade. Na minha opinião, o discurso abre o diálogo”, disse.

Na terça-feira, Cristina tinha criticado o setor rural.

Quando questionado sobre a decisão dos líderes do protesto em Gualeguaychú, Biolcati respondeu: “Eu sou membro de uma das entidades, mas são quatro”.

Estas entidades estimam que são realizados cerca de 400 protestos nas estradas argentinas.

Segundo Biolcati, deverá ser realizada uma reunião nas próximas horas para definir se o protesto será suspenso ou não.

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