Arquivo para Banco do Brasil

Dinheiro da venda é bloqueado para pagar precatório

O Banco do Brasil deve depositar em juízo as parcelas para pagar a compra da Nossa Caixa. A decisão em caráter liminar foi dada pela juíza Fernanda Souza Hutvler, da 20ª Vara Federal de São Paulo. Fernanda acolheu pedido da OAB, que requer em Ação Civil Pública que o dinheiro que o estado de São Paulo vai obter com a venda da Nossa Caixa seja usado para pagar precatórios.

A Nossa Caixa foi vendida para o Banco do Brasil em novembro por R$ 5,3 bilhões. Segundo a OAB, o estado de São Paulo deve R$ 30 bilhões em precatórios. São 500 mil credores de precatórios alimentares, na maioria aposentados e pensionistas, que estão na fila aproximadamente há 10 anos, informa a Ordem.

Pela decisão da juíza (clique aqui para ler), as 18 parcelas da compra devem ser depositadas em juízo até que ela decida o mérito da ação. A primeira parcela, no valor de R$ 299,2 milhões, vence nesta terça-feira (10/3). 

“A decisão é histórica porque, simultaneamente, combate o calote da dívida pública e restabelece a dignidade do Poder Judiciário, constantemente desrespeitado pelos governadores brasileiros que se recusam a cumprir as suas decisões”, afirmou o presidente da OAB, Cezar Britto.

A proposta da OAB, segundo o presidente da Comissão Especial dos Credores Públicos do Conselho Federal da Ordem, conselheiro Orestes Muniz Filho, é que os recursos obtidos com a venda do banco sejam transferidos diretamente para a Justiça do estado fazer o pagamento dos precatórios alimentares.

Na sessão plenária desta segunda-feira (9/3), o Conselho Federal da OAB autorizou também as seccionais da OAB de outros estados que estão em dívida com os precatórios e que estejam transferindo ou vendendo bens estatais a pedir a extensão da ação ajuizada pela Ordem em São Paulo.

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Aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil pode fazer cliente economizar

Por: Flávia Furlan Nunes
27/11/08 – 17h08
InfoMoney

SÃO PAULO – À primeira vista, a aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil é positiva ao consumidor, que deve acabar economizando, pelo menos quando analisados alguns serviços prioritários estabelecidos pelo Banco Central. Isso porque o banco comprador tem 12 tarifas com valores até 40% menores em relação ao adquirido.

O caso mais extremo é o fornecimento de extrato mensal de conta de depósitos à vista e de poupança, que custa R$ 1,45 no Banco do Brasil e R$ 2,40 na Nossa Caixa, uma diferença de 40%. A menor diferença foi encontrada em ordem de pagamento, com valor de R$ 24 no BB e de R$ 25 na Nossa Caixa (-4%).

Três tarifas têm o mesmo valor nos bancos: fornecimento de microfilmagem (R$ 6), transferência de DOC pela internet (R$ 8) e transferência entre contas na própria instituição (R$ 1).

Taxas de juros
De acordo com o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), a aquisição deverá representar uma acomodação das taxas de juros praticadas pelos dois bancos, além das tarifas e dos pacotes de serviço já contratados. Em relação aos juros, é possível dizer que eles variam dentro dos próprios bancos, de acordo com o nível de relacionamento do cliente. Confira abaixo:

Banco Crédito pessoal Cheque especial Aquisição de veículos
Banco do Brasil de 2,05% a.m. a 8,62% a.m. de 0,95% a.m. a 6,55% a.m. de 0,5% a.m. a 5,5% a.m.
Nossa Caixa de 2% a.m. a 8,5% a.m. de 1,7% a.m. a 7,3% a.m. de 1,4% a.m. a 4,35% a.m.

Fonte: Idec

No caso da taxa de juros no rotativo, o Banco do Brasil pratica um máximo de 13,8% a.m., enquanto a Nossa Caixa tem um juros máximo de 9,5% a.m.

Como fica o consumidor?
Conforme orientou o Idec, os contratos em andamento devem seguir as condições já estabelecidas. Para os novos, o cliente deve buscar as tarifas e serviços que são mais atrativos, até a consolidação da aquisição. Fique atento aos extratos, para não ser surpreendido com cobrança de tarifas não acordadas.

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Bancários se reúnem com BB nesta sexta em Brasília

sexta-feira, 21 de novembro de 2008, 09:38 | Online

Representantes vão exigir um compromisso formal pela garantia de empregos após a aquisição do Nossa Caixa

Agência Estado

SÃO PAULO - Representantes dos bancários reúnem-se nesta sexta-feira, 21, às 14 horas com a direção do Banco do Brasil, em Brasília, para exigir um compromisso formal pela garantia de empregos e direitos dos trabalhadores do BB e da Nossa Caixa após a aquisição do banco paulista, anunciada na última quinta-feira. 

Veja também:

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“Vamos reivindicar a unificação de direitos como Planos de Cargos e Salário (PCS), fundos de pensão e programas de assistência médica”, disse o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino. A categoria também reivindica que não haja fechamento de agências bancárias e que sejam preservadas as bandeiras das duas instituições.

 

De acordo com o sindicato, o Banco do Brasil havia se comprometido a reunir-se com os representantes dos bancários assim que a aquisição fosse anunciada.

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Como fica o setor bancário brasileiro com a aquisição da Nossa Caixa?

Por: Nathália A. Terra Pereira
20/11/08 – 16h10
InfoMoney

SÃO PAULO – Em menos de vinte dias, o setor bancário brasileiro assumiu feições bem diferentes. Ao final do mês de outubro, o Bradesco (BBDC4) detinha a liderança como banco mais lucrativo em 2008, seguido de perto pelo Itaú (ITAU4), ao passo que no quesito carteira de crédito, o Banco do Brasil (BBAS3) mantinha larga folga em relação a seus pares.

Até que, em 3 de novembro, em uma operação que tomou de surpresa os investidores, o Unibanco (UBBR11) e o Itaú anunciaram a integração de suas atividades: nascia assim o Itaú Unibanco Banco Múltiplo, o maior conglomerado financeiro do País e também do Hemisfério Sul. Nesta quinta-feira (20), outra transação histórica: o BB fechou a compra da Nossa Caixa (BNCA3) por R$ 5,4 bilhões.

Novo cenário
Movimentações históricas em tão curto espaço de tempo alteraram profundamente a cara do mercado bancário brasileiro. Com as aquisições e fusões, o segmento ganha expressividade no plano internacional e força para enfrentar os tempos difíceis que se abatem sobre as bolsas e a economia global. Mas nesse jogo de forças, um ficou para trás: o Bradesco.

Quando os primeiros rumores de que o BB compraria a Nossa Caixa surgiram em maio deste ano, o banco foi um dos primeiros a se manifestar contrariamente – mas sem sucesso. O Itaú e o Unibanco optaram pela integração. O BB adquiriu também outros bancos regionais, como o Besc e o Banco do Piauí. Enquanto isso, o Bradesco mantinha-se longe do noticiário.

O resultado? De líder, o banco amarga agora a última colocação entre as três maiores instituições financeiras brasileiras em diversos parâmetros, como ativos totais detidos, carteira de crédito e lucro líquido no acumulado do ano. Confira a tabela:

BB-Nossa Caixa Itaú Unibanco Holding Bradesco
Ativos R$ 498,1 bilhões R$ 575,1 bilhões R$ 422,7 bilhões
Empréstimos Totais R$ 226,0 bilhões R$ 225,3 bilhões R$ 160,6 bilhões
Patrimônio Líquido R$ 31,1 bilhões R$ 51,7 bilhões* R$ 34,2 bilhões
Lucro Líquido
Acumulado
2008
R$ 6,4 bilhões R$ 8,1 bilhões R$ 6,0 bilhões

*Considerando efeitos fiscais

Se o Bradesco perdeu competitividade frente a seus pares, o Banco do Brasil ainda possui um longo caminho para alcançar os números do Itaú Unibanco Holding, mesmo com a aquisição da Nossa Caixa, embora tenha recuperado a liderança no que concerne à carteira de crédito.

A preponderância do Itaú Unibanco Holding é particularmente mais incisiva no quesito “ativos”, no qual tem R$ 575,1 bilhões detidos, contra R$ 498,1 bilhões registrados pela junção dos números do Banco do Brasil com a Nossa Caixa. O terceiro lugar fica com o Bradesco: R$ 422,7 bilhões.

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Veja o fato relevante sobre a compra da Nossa Caixa pelo BB

quinta-feira, 20 de novembro de 2008, 14:53 | Online

Da Redação

SÃO PAULO - O Banco do Brasil anunciou nesta quinta-feira, 20, a compra do controle da Nossa Caixa das mãos do governo de São Paulo por R$ 5,386 bilhões. O custo atribuído a cada ação da Nossa Caixa será de R$ 70,63 e a quantia será paga ao governo em dinheiro, dividida em 18 parcelas mensais.

 

Leia abaixo o fato relevante sobre a operação:

 

“FATO RELEVANTE

1. Em conformidade com o ? 4º, do artigo 157, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, com a Instrução CVM nº 358, de 03 de janeiro de 2002, e em aditamento ao Fato Relevante de 21.05.2008, o Banco do Brasil S.A. (“Banco do Brasil”), sociedade de economia mista federal, com sede em Brasília (DF), Comunica:

 

2. Foi celebrado, nesta data, entre o Banco do Brasil e o Governo do Estado de São Paulo, Memorando de Entendimentos, com efeito vinculante, para aquisição do controle acionário do Banco Nossa Caixa (“Nossa Caixa”), por intermédio da alienação de 76.262.912 ações ordinárias, pertencentes ao Estado, equivalentes a 71,2499527144% do capital social total e do capital votante na mesma proporção, para o Banco do Brasil. O preço estipulado para alienação é de R$ 5.386.496.425,21 (cinco bilhões, trezentos e oitenta e seis milhões, quatrocentos e noventa e seis mil, quatrocentos e vinte e cinco reais e vinte e um centavos), resultando no valor de R$ 70,63 (setenta reais e sessenta e três centavos) por ação.

 

3. A forma de pagamento desse investimento, negociada com o Governo do Estado de São Paulo, prevê pagamento em espécie, em 18 parcelas mensais, a partir de março de 2009, no valor de R$ 299.249.801,40 (duzentos e noventa e nove milhões, duzentos e quarenta e nove mil, oitocentos e um reais e quarenta centavos), corrigidas pela SELIC até o pagamento das respectivas parcelas.

 

4. O valor da operação foi calculado com base em avaliação econômico-financeira elaborada por consultores contratados pelo Banco do Brasil, a qual levou em consideração, entre outras metodologias, as perspectivas de rentabilidade futura e o fluxo de caixa descontado da Nossa Caixa. Os consultores contratados foram Merrill Lynch (assessor financeiro), PriceWaterhouseCoopers (avaliação e due diligence), Accenture (sinergias e integração) e UBS Pactual (fairness opinion).

 

5. Considerando a natureza jurídica de economia mista de ambas as companhias envolvidas, e para a preservação adequada do interesse público, o memorando de entendimentos prevê a posterior incorporação societária da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, com a manutenção da prestação de serviços para o Estado de São Paulo, consubstanciada nos seguintes aspectos: i) manutenção da prestação de serviços bancários em todas as localidades atualmente atendidas pela Nossa Caixa; ii) manutenção e incremento das políticas financeira, creditícia e de fomento desenvolvidas pela Nossa Caixa; iii) assunção, pelo Banco do Brasil, da operacionalização dos programas sociais do governo do Estado de São Paulo administrados pela Nossa Caixa; iv) manutenção do patrimônio público, principalmente no que se refere a depósitos judiciais e operações financeiras privativas de instituições financeiras oficiais.

 

6. Na forma como está acordada, a operação preserva o interesse dos agentes relacionados às empresas, incluindo empregados, correntistas, acionistas e demais parceiros.

 

7. A operação está sujeita à aprovação de lei autorizadora pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e dos demais órgãos competentes.

 

8. Em obediência à legislação vigente, mais detalhes da operação serão divulgados ao mercado no momento oportuno.

 

Brasília, 20 de novembro de 2008.

 

Aldo Luiz Mendes

Vice-Presidente de Finanças,

Mercado de Capitais e Relações com Investidores

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Banco do Brasil compra Nossa Caixa por R$ 5,38 bilhões

20/11/08 – 14h33 – Atualizado em 20/11/08 – 14h39

Anúncio foi feito por meio de fato relevante à CVM e à Bovespa.
Negociações já aconteciam há meses e foram facilitadas pela MP 443.

Alexandro Martello Do G1, em Brasília

 

O Banco do Brasil confirmou nesta quinta-feira (20), por meio de comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à Bolsa de Valores de São Paulo, a aquisição do banco paulista Nossa Caixa por R$ 5,38 bilhões.

 

O pagamento será feito em dezoito parcelas mensais a partir de março de 2009 no valor, cada uma, de R$ 299,2 milhões – corrigidas pela taxa básica de juros.

 

“O valor da operação foi calculado com base em avaliação econômico-financeira elaborada por consultores contratados pelo Banco do Brasil, a qual levou em consideração, entre outras metodologias, as perspectivas de rentabilidade futura e o fluxo de caixa descontado da Nossa Caixa”, informou o Banco do Brasil.

 

A venda da Nossa Caixa foi precedida por reunião entre o governador de São Paulo, José Serra, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida nesta quarta-feira (19). Ao fim do encontro, porém, o governador José Serra negou que o assunto tenha sido discutido.

 

Liderança

 

Com a compra da Nossa Caixa, o Banco do Brasil dá mais um passo para tentar retomar, no futuro, a posição nunca havia perdido de maior banco do país. O BB deixou a liderança no início de novembro com a fusão entre o Itaú e o Unibanco, que resultou na criação de um “gigante financeiro”. Com a operação, o conglomerado formado pelos dois bancos privados assumiu, também, o posto de maior instituição financeira da América do Sul.

 

Logo após o anúncio da fusão entre o Itaú e o Unibanco, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já avisava que o BB perderia a liderança “momentaneamente” e que a instituição teria a chance de correr atrás e se recompor. “A vida é assim. Nada como um dia depois do outro. Ele [BB] terá também a chance de correr atrás e se refazer”, afirmou Mantega na ocasião. A visão é compartilhada pelo presidente Lula, para quem há interesse de que o BB seja “muito maior do que qualquer banco no Brasil”.

 

Ao concretizar a compra da Nossa Caixa, o BB soma R$ 53,4 bilhões em ativos, que já totalizavam R$ 459 bilhões antes da operação. Com isso, a instituição sobe para cerca de R$ 513 bilhões em ativos totais. Este valor já contabiliza o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e Banco do Piauí (BEP) – este último adquirido recentemente.

 

O conglomerado formado pelo Itaú e Unibanco possui cerca de R$ 575 bilhões em ativos. mantendo a liderança. O BB também avalia, porém, a compra do Banco de Brasília (BRB) e há rumores que estaria negociando a aquisição de parte do Banco Votorantin. A instituição também tem atuado na compra de carteiras de crédito de bancos de menor porte.

 

Nova regra facilita negócio

 

A compra da Nossa Caixa foi agilizada pela edição, por parte do presidente Lula, da Medida Provisória 443, que autoriza o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirirem, com menos burocracia, instituições financeiras públicas e que passou a permitir a compra de bancos privados. A medida foi anunciada em meados de outubro, antes da fusão do Itaú com o Unibanco.

 

O BB lembra que já estava conversando com o governo paulista sobre a compra da Nossa Caixa há vários meses, ou seja, bem antes do anúncio da fusão entre o Itaú e Unibanco. Com a MP 443, informou em outubro o vice-presidente de Finanças do BB, Aldo Mendes, a compra do banco paulista teria ficado mais fácil, visão que também foi compartilhada pelo governador de São Paulo, José Serra.

 

Segundo explicou Aldo Mendes, do BB, quando a MP 443 foi editada em outubro, o modelo antigo [pelo qual o BB não podia fazer compras diretas de outros bancos] começou a mostrar “grande dificuldade” para a compra da Nossa Caixa e BRB, pois envolvia uma engenharia financeira complicada e pagamento em ações.

 

“Os vendedores [governos estaduais] não querem receber, como moeda de troca, ações de outro banco. Querem transformar esse banco em outros ativos. Em um primeiro momento caixa [dinheiro] e, em um segundo momento, investimento em seus estados”, explicou Mendes naquele momento.

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BB pode financiar carros em 36 parcelas, diz Lula em reunião

sexta-feira, 24 de outubro de 2008, 13:45 | Online

 

Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, presidente ressaltou preocupação com crise

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O Banco do Brasil (BB) poderá passar a fazer financiamentos de aquisição de carros em 36 parcelas. A informação foi dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos integrantes do comitê gestor do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) que tiveram reunião com ele na manhã desta sexta-feira, 24, no Palácio do Planalto. Segundo o empresário Antoninho Marmo Trevisan, o presidente enfatizou, no encontro, a sua preocupação com os efeitos da crise financeira internacional no setor automobilístico brasileiro em conseqüência da escassez de crédito.

 Veja também:

 

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A avaliação do presidente, de acordo com Trevisan, é de que os próprios compradores de automóveis já não estão mais aderindo a planos de financiamento de veículos em 80 meses. O empresário disse que Lula mostrou preocupação “com a economia real” e com a manutenção das vendas no mercado interno.

‘Oxigênio da economia’

Lula ainda demonstrou empenho em manter andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), de acordo com Trevisan e o ex-governador do Rio Grande do Sul Germano Rigotto, também presente na reunião. “É uma questão de honra manter a nossa economia aquecida”, afirmou o presidente, segundo Trevisan e Rigotto. “O crédito”, disse o presidente, “é o oxigênio da economia e não faltará.” Os dois são membros do comitê gestor.

Trevisan contou ainda que o presidente disse que fará tudo para que a economia brasileira não sofra demasiadamente os efeitos da crise financeira internacional. Lula avaliou, de acordo com o empresário, que é seu amigo pessoal, que os efeitos da crise não seriam sentidos pela economia brasileira se não tivessem ocorrido operações de empresas com o dólar.

Outro empresário participante da reunião com Lula, Paulo Godoy, da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústria de Base (Abdib), disse que sugeriu ao presidente a criação de um fundo de R$ 10 bilhões para garantir a continuidade de obras de infra-estrutura no setor privado. Esses R$ 10 bilhões viriam, segundo ele, dos fundos de pensão, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Caixa Econômica Federal. Godoy disse que Lula achou a idéia “interessante”.

 

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Negócios com ações da Nossa Caixa dobram em 2 dias

Terça-Feira, 27 de Maio de 2008  

Movimento financeiro saltou de R$ 8,68 milhões para R$ 15,67 milhões e suscitou as suspeitas da CVM

Renée Pereira

O volume financeiro das ações da Nossa Caixa na quarta-feira, antes do anúncio da negociação com o Banco do Brasil (BB), quase dobrou em relação ao de segunda-feira. Segundo levantamento da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec-MG), com dados da Economática, os negócios saltaram de R$ 8,68 milhões para R$ 15,67 milhões.

O número de operações subiu de 725 para 994, um salto de 37%. Já o preço das ações da instituição teve alta de 2,83% no período. Na semana anterior ao anúncio, a média era de 583 negócios por dia, com volume negociado inferior a R$ 10 milhões.

Essa forte movimentação suscitou as suspeitas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que decidiu investigar se houve informação privilegiada de alguns investidores, até porque o número de operações não subiu na mesma proporção que o volume financeiro. Ou seja, as operações teriam sido feitas por um número restrito de investidores.

Analistas do mercado financeiro reconhecem que o volume negociado foi claramente estranho. Mas, segundo eles, a movimentação começou a ficar mais forte já na segunda-feira. “Isso pôde ser verificado com clareza porque as ações da Nossa Caixa não têm muita negociação, o que destoou da movimentação diária”, disse um analista que não quis se identificar.

Na sexta-feira, depois do feriado e do anúncio das duas instituições, a negociação com as ações da Nossa Caixa explodiram. Segundo a Apimec-MG, o número de negócios saltou para 4.824 operações e o volume financeiro, para R$ 190,52 milhões, aumento de 565% e 2096%, respectivamente. Nesse dia, as ações ordinárias da instituição tiveram um avanço de 31,52%, para R$ 36,3. No pregão de ontem, os papéis subiram 3%, para R$ 37,39.

Na opinião do presidente da Apimec-MG, Paulo Ângelo Carvalho de Souza, os números mostram claramente uma movimentação fora da normal. Além disso, ele acredita que, mesmo na sexta-feira, depois do anúncio, as negociações de ações da Nossa Caixa deveriam ter sido suspensas pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

A explicação, completa o executivo, é que se trata de um negócio que pode não se realizar. “Esses anúncios precisam ser feitos, mas há de se ter mais cautela para que tais informações sejam passadas com clareza e precisão e após o pregão da Bolsa.” Ele citou também o caso da Agência Nacional do Petróleo (ANP), cujo anúncio de uma grande reserva de petróleo no País causou especulações com papéis da Petrobrás.

LEILÃO OU VENDA

A polêmica em torno da venda da Nossa Caixa também continua entre os bancos privados, que reivindicam a realização de um leilão. Um dos pontos primordiais do processo está relacionado ao fato de que os depósitos judiciais – em torno de R$ 16 bilhões – da Nossa Caixa, um dos grandes atrativos, apenas podem ficar com bancos oficiais. Por isso, o valor do banco seria reduzido se uma instituição privada o comprasse.

Há, porém, pareceres de juristas renomados no mercado, como Adilson Abreu Dallari e Luís Roberto Barroso, que contestam essa tese. Os documentos, a que o Estado teve acesso, mostram que eles consideram inconstitucional a determinação para que o depósito judicial tenha de ficar com banco oficial. Para eles, isso viola os princípios constitucionais de livre iniciativa e livre concorrência.

Além disso, os juristas destacam que a lei diz que os depósitos devem ser feitos “preferencialmente” em bancos oficiais. Ou seja, a escolha da instituição fica a critério do juiz.

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