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Parlamento do Mercosul debate crise da Bolívia

 

 

 

O Parlamento do Mercosul discute hoje, em Montevidéu, soluções para a crise política na Bolívia. A sessão está marcada para as 15 horas. As comissões temáticas do parlamento estão reunidas nesta manhã e também devem abordar o assunto.

A crise boliviana começou a se agravar na semana passada, quando manifestantes de oposição explodiram um gasoduto da Petrobras. Grupos civis também invadiram prédios públicos e atacaram prédios de veículos de comunicação do governo. Os manifestantes acusam o presidente de adotar medidas estatizantes. Os protestos – que prejudicaram o fornecimento de gás para o Brasil – começaram depois que o governo de Evo Morales reduziu o repasse de verbas para alguns departamentos do país para aumentar o valor das pensões de idosos.

O presidente do Parlasul, Deputado Dr. Rosinha (PT-PR), já pediu uma audiência com o presidente boliviano para entregar, com outros deputados e senadores, documento no qual o órgão manifesta apoio à democracia na Bolívia e condena qualquer tentativa de fracionamento de seu território. “Vamos nos colocar à disposição das lideranças políticas da Bolívia para tudo o que for necessário no sentido de organizar reuniões e debates políticos, uma vez que devem ser ouvidos os dois lados”, afirmou Dr. Rosinha.

Reunião com Jobim
Amanhã, os parlamentares devem se reunir com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para discutir a criação do Conselho de Segurança da América do Sul. Dr. Rosinha (PT-PR) afirmou que a reunião é “uma excelente oportunidade” para avaliar a adoção das medidas que serão discutidas hoje.

A crise na Bolívia, segundo o deputado, tem reflexos no Mercosul porque a Bolívia é associada ao bloco e tem fronteiras com o Paraguai, a Argentina e o Brasil. “As crises fazem com que as pessoas migrem para áreas mais seguras, e as mais próximas são esses três países”, lembrou.

Negociações
A Colômbia, o Brasil e a Argentina podem cumprir um papel importante no processo de paz, na avaliação de Dr. Rosinha. “Seria importante os presidentes desses países chamarem as forças que estão hoje se confrontando para uma reunião”, disse. Para o deputado, no entanto, não é muito fácil acalmar os ânimos porque os grupos envolvidos nos tumultos são os mesmos “que sempre apoiaram golpes”.

Dr. Rosinha lembrou que o Parlamento do Mercosul se manifestou sobre a crise quando ela estava no início, aprovando um manifesto no qual defendia a soberania territorial do país. Outra manifestação nesse sentido foi feita logo após o referendo que ratificou os mandatos de Evo Morales e de diversos governadores. Dr. Rosinha também já havia divulgado nota oficial, em nome do Parlamento, apoiando a democracia na Bolívia.

Notícias anteriores:
Parlamento do Mercosul pede diálogo na Bolívia

Da Reportagem
Edição – Paulo Cesar Santos

 

(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura ‘Agência Câmara’)

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Forças Armadas da Bolívia vigiam cidade em estado de sítio

REUTERS – 14.09.2008 13:22

Por Simon Gardner

LA PAZ (Reuters) – Tropas bolivianas começaram a vigiar neste domingo as ruas da cidade amazônica que foi palco de sangrentos choques entre apoiadores e opositores do governo, com quase 30 mortos.
O efetivo militar foi levado a Cobija após ficar acampado no aeroporto local por mais de um dia. As forças foram fazer cumprir o estado de sítio imposto na sexta-feira pelo presidente Evo Morales no distrito de Pando, que tem a pequena cidade como capital.
“(As tropas) saíram do aeroporto à noite e desceram todas as ruas de Cobija. Passaram a madrugada”, disse à Reuters o prefeito de Cobija, Luis Flores, ligado ao governo.
Um jornalista que trabalha na cidade fronteiriça com o Brasil disse que o local estava parado, com comércio fechado, e que havia uma presença policial mínima nas ruas.
O repórter acrescentou que o efetivo militar está vigiando um quartel e o aeroporto, após ter realizado algumas operações durante a noite.
A Bolívia é sacudida há três semanas por violentos enfrentamentos entre seguidores de Morales e opositores, que tentam barrar o plano do governo de implantar uma Constituição de caráter socialista, que consolidará a nacionalização da economia e dará mais poder aos indígenas.
A resistência está sendo liderada pelos governadores dos ricos departamentos orientais do país –Santa Cruz, Pando, Beni e Tarija–, onde os produtores latifundiários também estão em pé de guerra contra a reforma agrária de Morales.
Em meio à onda de violência, os departamentos opositores aceitaram abrir um canal de diálogo com o governo para chegar a um acordo de reconciliação nacional.
No domingo, funcionários do governo se reunirão com o governador do departamento de Tarija, Mario Cossio, que representará a oposição na segunda rodada de conversações.
A União de Nações Sul-Americanas, que inclui a maior parte de líderes da região, fará uma reunião de emergência na segunda-feira, em Santiago, para tratar da situação na Bolívia.
O jornal chileno El Mercurio informou que a presidente chilena, Michelle Bachelet, convocou a reunião após Molares lhe informar que havia um relatório de inteligência sobre a iminência de uma tentativa de golpe para tirá-lo do poder.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou presença no encontro, assim como o líder venezuelano, Hugo Chávez, o principal aliado de Morales.
MAIS MORTOS
O governo quase duplicou a cifra de vítimas fatais na noite de sábado, ao mesmo tempo em que as tropas continuavam encontrando cadáveres em Pando após os choque de quinta-feira entre camponeses que apóiam o governo de Morales e seguidores do governo local.
“Foi reportado que mais 10 corpos foram encontrados (somados aos 15 de quinta-feira). Isso nos dá uma idéia da magnitude do massacre que aconteceu em Porvenir”, explicou o ministro do Interior, Alfredo Rada, em entrevista coletiva.
O funcionário acrescentou que a cifra total de mortos já beira os 30.

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Frente a novo incidente, Bolívia reduzirá em mais de 50% envio de gás ao Brasil

Por: Equipe InfoMoney
11/09/08 – 13h08
InfoMoney

SÃO PAULO – Após redução de 10% no volume recebido de gás natural pelo Brasil da Bolívia, a Transierra, administradora dos gasodutos entre os países, informou nesta quinta-feira (11) que este percentual se elevará para mais de 50%, devido a um novo incidente ocorrido, só que desta vez na estação de Bella Vista.

Opositores do presidente boliviano Evo Morales provocaram a interrupção do fornecimento de gás na madrugada desta quinta-feira. O grupo revolucionário reivindica a devolução dos rendimentos oriundos do petróleo aos estados. Atualmente, os recursos são destinados a um programa nacional de assistência aos idosos.

Horizonte incerto
Para a indústria nacional, a redução na importação dos 31 milhões de metros cúbicos diários de gás da Bolívia trará efeitos severos, dada a importância deste insumo na cadeia produtiva.

De acordo com técnicos da YPFB (Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos), companhia envolvida no contrato, a normalização do primeiro acidente ocorrerá em no máximo 20 dias, enquanto que, em relação ao segundo, não há previsão de conserto do gasoduto.

Prevenção em mente
Prevenindo-se contra uma possível crise de abastecimento, a Petrobras (PETR3, PETR4) – única brasileira controladora do processo – já adotou medidas operacionais para minimizar as conseqüências.

Em paralelo, o ministro de Minas e Energia do Brasil, Edson Lobão, afirmou possuir um plano de contingência caso esta situação perdure.

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Bolívia vota hoje permanência de Evo Morales no poder

domingo, 10 de agosto de 2008, 01:24 | Online

 

Presidente pediu reconciliação para por fim à crise; oposição criticou acordo com Chávez e Irã
LA PAZ - O presidente boliviano, Evo Morales,expressou no sábado, 9, seu desejo de que seu país defina um novo cenário político e chegue à reconciliação com o referendo sobre mandatos que o país realizará na manhã deste domingo, em um clima de incerteza sobre a eficácia da consulta.
 

Mais de quatro milhões de bolivianos estão convocados a comparecer às urnas para decidir se o presidente Morales, o vice-presidente, Álvaro García Linera, e oito dos nove governadores do país, a maioria opositores, continuam ou não em seus cargos.

Morales pediu participação dos bolivianos e afirmou que o voto do povo servirá para fortalecer a democracia e redefinir o novo cenário político do país. Ele também se mostrou seguro de que o voto dos bolivianos obrigará a uma reconciliação.

A oposição, por sua vez, partiu para o ataque. O líder da aliança opositora Poder Democrático e Social (Podemos), Jorge Quiroga, disse que votar a favor de Evo significa apoiar o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o regime iraniano de Mahmoud Ahmadinejad. A Bolívia assinou no sábado com estes dois países um acordo de cooperação para incrementar a indústria de cimento.

“Um governo submetido a Chávez e ao Irã não tem nada de bom a conseguir”, disse Quiroga, que pediu a todos os bolivianos para votarem com paz e tranqüilidade. Quiroga ainda qualificou o acordo de erro. “O governo se abraçou outra vez com Chávez e com o Irã, que é um país pária que está com um programa de armamento nuclear, que financia o terrorismo de estado”, criticou.

O referendo

A Bolívia vive com expectativa as horas que antecedem o referendo que avivou a crise política do país, onde o projeto constitucional de Morales enfrenta o plano autonomista de várias regiões controladas por seus opositores.

A consulta chega rodeada de incertezas sobre sua validade constitucional e, principalmente, sobre a interpretação de seus resultados e a percentagem de votos necessários para que um governador regional seja revogado.

Tensão

Governadores opositores e dirigentes cívicos das regiões de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca, mantêm uma greve de fome para exigir a restituição da renda petrolífera regional que o governo destina agora a uma ajuda para idosos.

O confronto entre Morales e seus opositores regionais se intensificou na semana que antecede o referendo, com o aumento de protestos políticos contra o Governo que inclusive impediram a ida do presidente a vários departamentos do país.

Nas regiões de Santa Cruz, Beni e Pando, os atos de protesto nos aeroportos de suas capitais fizeram com que Morales desistisse de cumprir vários atos previstos nestes territórios. As ações da oposição levaram o Governo a afirmar que a Bolívia se encontrava no primeiro passo para um golpe de estado que o próprio Executivo rebaixou” posteriormente à categoria de “sabotagem”.

A estes episódios, uniu-se uma onda de conflitos sociais em vários pontos do país, que chegaram a ser violentos no caso do departamento andino de Oruro, onde dois mineiros morreram e mais de 40 pessoas ficaram feridas em um enfrentamento com a Polícia.

Nas horas que antecedem o referendo,os conflitos diminuíram em parte graças ao pré-acordo entre o governo e a Central Operária Boliviana (COB) sobre a nova lei de previdência exigida por este sindicato, considerado o mais importante da Bolívia e responsável por promover boa parte dos protestos dos últimos dias.

 

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