Arquivo para Cálice sagrado

Especialistas tentam decifrar o mistério do Santo Graal

 

 
 
 

Um congresso internacional em Valência, na Espanha, reúne,
a partir desta sexta-feira, os maiores especialistas do mundo
sobre o cálice sagrado.

A relíquia, venerada por todos os papas, está na Espanha desde o ano 258.

Guardado em uma capela especial na Catedral de Valência, o cálice de

17 cm de altura virou tema de debates e enigmas.

Apesar do respaldo do Vaticano, muitos especialistas questionam se o cálice

é o mesmo usado por Cristo, principalmente porque está decorado com

ouro e pedras preciosas.

“É compreensível esta desconfiança. Porque a todos nós vêm à mente

as cenas pobres com os discípulos sentados no chão, e Jesus com um

humilde cálice de barro. Mas não foi assim”, disse à BBC Brasil o professor de

história de Universidade de Valencia e historiador da catedral valenciana,

Vicente Martínez.

“O filho do carpinteiro escrevia em hebreu, era chamado de rabi

(mestre em hebraico) e esteve com famílias com posses como a de Lázaro.

É só consultar o evangelho”, afirmou.

‘Parte sagrada’

A relíquia sagrada em si seria apenas a parte superior do cálice. Uma copa

alexandrina de ágata que os arqueólogos consideram de origem oriental

criada entre os anos 50 e 100 antes de Cristo. As asas e à base de ouro

com pedras preciosas são do século 16.

O catedrático valenciano diz que pode haver dúvidas de que seja o mesmo

usado na última ceia, mas afirma que há cada vez mais informações que

confirmam o fato.

“A tradição israelita que ainda permanece é a de manter um cálice especial

de benção para as ceias de Páscoa. Os Evangelhos dizem que Jesus celebrou

os ritos de Páscoa em uma sala decorada e com pompas.”

“Os apóstolos puderam conservar o cálice da primeira eucaristia, e se esse

permaneceu intacto todo esse tempo pode ser porque o sagrado mistério o

protege”, disse Martínez.

Aniversário

A data do I Congresso Internacional do Santo Cálice, coincide com o 1750º

aniversário da chegada da relíquia à Espanha.

O cálice teria sido enviado de Roma pelo mártir São Lourenço para que ficasse

protegido, já que o santo sofria uma perseguição, na época, que o levaria à morte.

Dos mais de 150 especialistas que participam do congresso, alguns, como a

investigadora americana e professora da Universidade de Colorado Janice Bennet,

já têm teorias próprias.

Ela lançou o livro São Lourenço e o Santo Graal em que relata como o santo

teria cuidado do cálice e o mandado à Espanha.

Outros, como o antropólogo e historiador alemão Michael Hessemann, relacionam

o cálice com lendas medievais, o que daria origem aos enigmas do Santo Graal.

O catedrático de arqueologia da Universidade de Zaragoza Antonio Beltrán,

por sua vez, dará uma visão científica, apresentando um informe sobre as

últimas técnicas de investigação que podem dar mais pistas sobre a origem do cálice.

O congresso contará ainda com especialistas israelenses que discutirão a criação

e o trajeto da relíquia desde a Palestina, no século 1 a.C., passando por

Roma (o cálice teria sido usado também por São Pedro), a custódia de São

Lourenço e a etapa espanhola, onde teria passado por perseguições de

muçulmanos e teria sido guardado por reis e religiosos até chegar a

Valencia em 1424.

As conclusões serão apresentadas no domingo na Universidade Católica

de Valencia.

 

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