Sexta-Feira, 04 de Julho de 2008
Decreto inicial previa restrição total em novembro; secretário diz que não cedeu a pressões
Naiana Oscar
O decreto publicado de 18 de junho criava uma restrição gradual para os VUCs, até que eles fossem totalmente proibidos de circular, das 5 às 21 horas, na zona de restrição. Antes disso, veículos de placas pares circulam em dias pares e os de placas ímpares, em dias ímpares.
O secretário negou que houve um recuo e disse que, no decreto, a restrição total aos VUCs entraria em vigor somente se a Prefeitura julgasse necessário. No primeiro dia de medidas, caminhoneiros pararam o trânsito da cidade em protesto contra as medidas da Prefeitura, mas o secretário garante que as mudanças não ocorreram para atender a uma pressão da categoria.
“Como os resultados da primeira semana foram satisfatórios, entendemos que não seria preciso adotar essa medida”, disse Moraes. Ele afirma que, entre segunda-feira e ontem, os congestionamentos tiveram uma redução média de 30% em relação às férias escolares de julho do ano passado.
Na quarta-feira, o Sindicato dos Condutores de Transporte de Carga de São Paulo (Setcesp) pediu, em reunião com o secretário, que caminhões com 1,4 metro de comprimento a mais que os VUCs pudessem circular no centro expandido. O pedido não será atendido. Outras solicitações ainda estão sendo estudadas.
AUTUAÇÕES
Em 48 horas de operação, foram 3.445 autuações e uma arrecadação estimada em R$ 293.272. Agora, a Prefeitura afirma que o esforço de fiscalização dos caminhões na cidade será mantido mesmo após o fim das férias de julho. E anunciou a contratação de mais 265 marronzinhos. Atualmente, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) tem 1.700 agentes de trânsito. Desde o início da restrição, na segunda-feira, o prefeito Gilberto Kassab disse que seria tão rigoroso quanto foi com a Lei Cidade Limpa.
A nova legislação proíbe que caminhões grandes circulem pela área de 100 km² das 5 às 21 horas. Os condutores podem ser punidos com multa de R$ 85,13 – e levam 4 pontos na carteira. A penalidade pode ser aplicada a cada duas horas, se o motorista insistir em circular pela área restrita.
No fim desse período, ele terá acumulado 32 pontos na CNH e uma multa de R$ 621,04. Se esse motorista tiver infringido o rodízio municipal, será punido de novo. Os Veículos Urbanos de Carga, que estão submetidos a um rodízio de placas e ímpares, podem acumular até três infrações: trafegar em local proibido, desrespeitar o rodízio específico criado para eles e ainda o rodízio municipal, das 7 às 10 horas.
A Zona Máxima de Restrição foi dividida em 16 células, com 72 pontos de fiscalização. Nesta semana, a Prefeitura aplicou, em média, uma multa por minuto aos veículos que desrespeitaram as novas regras. O balanço ainda não inclui as autuações feitas pela PM.
“Os números da fiscalização demonstram a grande adesão dos caminhoneiros e das empresas à medida”, disse o secretário. Segundo Moraes, durante a operação, além de autuar os caminhões por conta da nova legislação, PMs cumpriram mandados de prisão e apreenderam veículos de carga por outras irregularidades.
Na primeira semana, a CET registrou uma queda nos congestionamentos de cerca de 30%. Às 13h30 de quarta-feira, a lentidão chegou a 10 quilômetros. “Como num dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo”, comparou Moraes.
Nas férias escolares, quando cerca de 700 mil automóveis saem de circulação, os índices de congestionamento sofrem redução de 20%. Em agosto, Moraes admite que esse porcentual voltará, mas afirma que o trânsito continuará melhor.
Os piores índices foram registrados na terça-feira . A lentidão foi em média 60% maior do que no primeiro dia da medida. Segundo o secretário, os congestionamentos resultaram de 20 acidentes que ocorreram ao longo do dia.
Desde o início de março, quando a capital registrou seis recordes consecutivos de congestionamento em 15 dias, a pressão para que a Prefeitura apresentasse alternativas ao trânsito aumentou. Em pleno ano eleitoral, começaram a ser anunciadas medidas. A restrição de caminhões começou a ser estudada paralelamente à possibilidade de ampliar o rodízio de veículos.


Após a confusão que chegou a bloquear a pista expressa da Marginal Tietê, os caminhoneiros decidiram, em acordo com a Polícia Militar, deixar os veículos estacionados em uma área próxima ao Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte, e seguir em caminhada até a prefeitura de São Paulo.