Arquivo para Campus Party – Iberoamericana

Pioneiro da Campus Party fala da edição iberoamericana

Luis Fernando Mayolo

Segue a contagem regressiva para o início da Campus Party Iberoamérica, que será realizada em El Salvador, de 28 de outubro a 1º de novembro. Por isso, o Terra conversou com Juan Negrillo, uma das pessoas que mais sabe de tecnologia no mundo e um dos líderes mais importantes do evento.

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Negrillo está há oito anos na organização e é conhecido na Europa por ser o único espanhol entre as mil pessoas recrutadas pelo ex-vice-presidente americano Al Gore para conscientizar a humanidade sobre o problema do aquecimento global. Conversamos com ele sobre esta nova data na América Central, um pouco da história e projeções sobre o evento.

Pergunta – O que vamos encontrar na Campus Party Iberoamérica 2008?
Juan Negrillo - A primeira coisa a dizer é que esta idéia surgiu porque a Secretaria Geral Iberoamericana da XVIII Cúpula Iberoamericana de Chefes de Estado e de Governo nos sugeriu o evento como uma parte importante da cúpula. O que é uma honra para nós. No momento de planejar, a primeira coisa que pensamos foi a importância de ter e contar com alguns dos talentos mais importantes que há na rede iberoamericana em todas as áreas de conhecimento com as quais lidamos no Campus Party. Por isso, vamos encontrar com 600 campuseiros de 22 países, líderes de suas comunidades digitais, mais um grupo robusto de participantes salvadorenhos.

P – Um dos eixos centrais é o tema da inclusão digital?
JN - Sim, é muito importante e estamos focados em que cada vez mais pessoas estejam conectadas e tenham contato com Internet e computadores, que possam utilizá-los na vida diária. No evento vamos encontrar atividades como um batizado digital, no qual mais de dois mil salvadorenhos terão este primeiro contato com a Internet. Vamos trabalhar também com professores e mestres através de cursos e oficinas dotadas de ferramentas pedagógicas que dizem respeito à tecnologia, para que possam aplicar em suas aulas e, por sua vez, sirvam de elemento multiplicador com outros docentes.

P – Dentro das atividades programadas para fomentar a inclusão digital está uma campanha publicitária. Fale um pouco sobre isso.
JN - Esta iniciativa será realizada dentro da área de criatividade. Se desenvolverá uma campanha publicitária voltada à sensibilização da população sobre esta problemática. Depois, vamos colocá-la à disposição dos 22 governos iberoamericanos, para que possam adaptá-la. Além disso, os campuseiros já estão trazendo idéias para lutar contra a brecha digital, social e econômica. As idéias foram enviadas pela rede e se concretizaram em grupos de discussão. Logo se juntarão em um manifesto e serão colocadas à disposição dos governos.

P – Como começou esta aventura da Campus Party?
JN - A Campus Party tem 12 anos, nasceu em 1997, em uma localidade de Málaga que se chama Mollina, no Centro Latino-americano da Juventude. É como um círculo, que regressa agora às suas origens com esta nova versão da Campus Party Iberoamérica. Naquela época foram 250 pessoas, a comunicação era através do IRC, que o chat de então. A partir daí, não parou de crescer. Este ano são quatro eventos, que somam mais de 15 mil campuseiros.

P – Quem são os criadores?
JN - Eu me incorporei no ano de 2000. O fundador é Paco Ragageles, mais Belinda Galeano e um grupo de sete ou oito amigos. Foi uma idéia que surgiu a partir de um documentário na TV espanhola. Paco via que este tipo de encontro era realizado no norte da Europa com aproximadamente 50 pessoas e pensou que era uma expressão da cultura emergente, da cultura jovem, e que haveria de levá-la para a Espanha.

P – Qual é o espírito de um campuseiro?
JN - O mais importante é que a Internet não é uma rede de computadores, e sim uma rede de pessoas. Um grupo de gente que compartilha uma paixão comum, essa visão de que através da tecnologia se pode fazer muita coisa, que é um fator de desenvolvimento e de integração.

P – Depois da Campus Party Iberoamérica, o que vem?
JN - A próxima data é em São Paulo. Eu dira que se a versão anterior no início do ano foi uma surpresa pela qualidade de participação, esta vez o evento será mais emocionante com a experiência que já temos. Será no final de janeiro (de 19 a 25), estamos procurando fazer de modo que cada vez mais gente de outros países se anime a viajar. Para esta edição, gostaríamos de ter Stephen Hawking. Ele é talvez uma das pessoas mais especiais que já passou pela Campus Party. Gostaríamos de tê-lo pessoalmente, já que na última edição ele se fez presente por uma mensagem gravada saudando os dez anos do evento.

 

Terra Colombia

 

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