Arquivo para Candidatos – Tesouro EUA

Conheça os candidatos mais cotados a novo secretário do Tesouro dos EUA

Por: Gustavo Kahil
06/11/08 – 14h00
InfoMoney

SÃO PAULO – O mercado aguarda com grande expectativa o nome do novo secretário de Tesouro norte-americano que sucederá Henry Paulson na tarefa de criar e administrar as medidas de enfrentamento da crise financeira internacional. É esperado que o presidente eleito, Barack Obama, anuncie o nome ainda nesta quinta-feira (6).

“A rapidez nas definições de cargos importantes do futuro governo revelaria aos mercados a disposição e o comprometimento de Obama em manter uma postura pró-ativa e buscar rapidamente soluções para contornar a crise de confiança e abreviar a recessão”, afirma a equipe da LCA Consultores, em relatório.

São várias as funções que agora o cargo exige. Entre elas, a administração do plano de US$ 700 bilhões de aquisição de ativos podres dos bancos e de compra de ações das instituições financeiras com problemas de funding. Entre os nomes mais sondados estão: Timothy F. Geithner, Robert E. Rubin, Lawrence H. Summers e Paul Vocker.

Os candidatos
Os candidatos têm um currículo de peso (veja o resumo das biografias abaixo). Um é presidente do Federal Reserve de NY, dois ex-secretários do Tesouro e um ex-presidente do Federal Reserve, nesta ordem. “Há muitos programas novos que o secretário do Tesouro terá que aprender rapidamente”, disse à InfoMoney Douglas Smith, ex-assessor de Robert E. Rubin, Lawrence H. Summers no Tesouro.

“O mais rápido que o nome seja anunciado, mais rapidamente ele poderá começar a trabalhar com o secretário atual. É importante que o nome traga conforto e todos eles têm muita credibilidade e entendem o problema”, diz Smith, que hoje atua como economista-chefe para as Américas do Standard Chartered Bank. Para ele, não há expectativa de rumo na atuação do Tesouro. “Todos reconhecem que os candidatos são muito inteligentes e bastante experientes”, conclui. Confira abaixo um resumo da biografia de cada candidato:


Timothy F. Geithner

É presidente do Federal Reserve de Nova York desde novembro de 2003, além de membro do FOMC (Federal Open Market Committee), comitê que decide a política monetária dos EUA. Ele também atuou no Departamento de Tesouro norte-americano em 1988 e por mais cinco administrações passando por vários cargos. Entre 1999 e 2001, atuou como subsecretário do Tesouro para Assuntos Internacionais nas administrações dos secretários Robert Rubin e Lawrence Summers.

Foi diretor do Departamento de Desenvolvimento Político e Revisão do FMI (Fundo Monetário Internacional) de 2001 até 2003. Antes de aderir ao Tesouro, Geithner trabalhou para a Kissinger Associates Inc.


Robert E. Rubin

É diretor e conselheiro sênior do Citigroup. Rubin começou a carreira em finanças no banco Goldman Sachs em 1966. Atuou neste banco até 1992, chegando ao posto de co-chairman em 1990. Depois, aderiu à administração do presidente norte-americano Bill Clinton como assistente de Política Econômica e diretor do Conselho Econômico Nacional. Entre os anos de 1995 a 1999, foi secretário do Tesouro norte-americano e atuou diretamente nas crises do México, Ásia e Rússia.

Passou a fazer parte do Citigroup em 1999 como diretor e chairman do Comitê Executivo. Em novembro de 2007 foi nomeado chairman do banco, mas em dezembro retornou ao cargo anterior. Quando deixou o cargo, Bill Clinton o chamou de o melhor secretário do Tesouro desde Alexander Hamilton, que foi o primeiro a ocupar o cargo, entre os anos de 1789 e 1795.


Lawrence H. Summers

É professor da Universidade de Harvard, instituição que também presidiu de julho de 2001 até junho de 2006. Antes, entre 1991 e 1993, foi economista chefe do Banco Mundial. Lá trabalhou no desenho de estratégias para ajuda a países em desenvolvimento, serviu no comitê de empréstimos do banco e guiou o setor de pesquisa bancária e estatística. A sua pesquisa esteve focada na demonstração influência do alto retorno do investimento na educação em meninas nos países em desenvolvimento. Em 1993 foi nomeado subsecretário do Tesouro. Em 1995 e 1997 atuou em conjunto com Rubin no desenho de respostas às crises financeiras do México e da Ásia.

Entre 1999 e 2001, serviu como secretário do Tesouro na administração de Bill Clinton, depois da saída de Robert E. Rubin. Durante seu mandato, o governo norte-americano recomprou títulos da dívida com o uso de excesso de recursos do orçamento pela primeira vez desde a década de 1920. Liderou esforços para modernizar o sistema financeiro e, internacionalmente, trabalhou para inserir a China na OMC (Organização Mundial do Comércio).


Paul Vocker

É conselheiro econômico do presidente eleito Barack Obama. Entre 1952 e 1957 atuou no Fed de Nova York como economista. Depois, passou ao cargo de economista do Chase Manhattan Bank. Em 1962 entrou no Departamento de Tesouro dos EUA como diretor de Análise Financeira, um ano depois tornou-se diretor adjunto para assuntos monetários. Retornou ao Chase em 1965 como vice-presidente e diretor de planejamento. Retornou ao cargo de subsecretário no Tesouro em 1964. Atuou com papel importante na suspensão do sistema de conversibilidade direta de dólar ao ouro. Ao deixar o Tesouro em 1975, assumiu o cargo de presidente do Fed de NY.

Em 1979 assumiu a presidência do Fed, apontado pelo presidente Jimmy Carter. A sua atuação é credita como a que encerrou um período de estagflação, por meio da imposição de limites ao crescimento da oferta de moeda, abonando a política anterior de fixar objetivos para a taxa básica de juro. Depois de deixar o Fed em 1987, se tornou chairman do banco J. Rothschild, Wolfensohn. Em 2000, Volcker foi apontado diretor para os EUA na ONU (Organização das Nações Unidas).

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