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Presidente da Geórgia assina acordo de cessar-fogo com a Rússia

15/08/08 – 12h30 – Atualizado em 15/08/08 – 13h37

Anúncio foi feito em Tbilisi ao lado de Condoleezza Rice.
EUA pedem retirada imediata das tropas russas do país.

Do G1, com agências internacionais

 

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, anunciou nesta sexta-feira (15) que assinou o acordo de paz com a  Rússia, encerrando as hostilidades em torno da região rebelde da Ossétia do Sul.

A declaração foi feita ao lado da secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, que foi ao país negociar o cessar-fogo.

O presidente georgiano culpou o Ocidente por não ter reagido com força suficiente contra os movimentos militares anteriores da Rússia, e por ter falhado em garantir sua entra da na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

 

Ele disse que a Rússia é um “mal” para o mundo e que jamais aceitará a ocupação de partes do território de seu país.

 

Rice disse que a tarefa mais urgente agora é a retirada das tropas russas da Geórgia. “Todas as tropas russas, e qualquer tropa paramilitar e irregular que tenha entrado com elas, devem partir imediatamente”, disse.

 

A secretária revelou que os EUA querem o envio de observadores internacionais e, eventualmente, de tropas internacionais para garantir a manutenção da paz no país.

 

O acordo foi assinado pelos georgianos em um dia de intensas trocas de acusações entre Rússia,  Estados Unidos e Geórgia em relação à guerra travada em território georgiano desde o último dia 7.

 

Entenda o confronto entre Rússia e Geórgia  

 

William Waack: Soberba dos EUA dificulta relação com a Rússia

 

Em meio a relatos de saques cometidos por milícias irregulares, Saakashvili acusou a Rússia de realizar uma “limpeza étnica” contra a população georgiana das repúblicas separatistas da Abkházia e Ossétia do Sul. Chegou a comparar a atual ocupação à humilhação imposta pela Alemanha nazista aos tchecos na década de 1930.

A Rússia diz estar apenas reagindo à “agressão” da Geórgia contra a Ossétia do Sul. Na semana passada, Tbilisi enviou tropas para tentar recuperar o controle dessa região separatista e etnicamente diversa, que desde o começo da década de 1990 goza de autonomia sob proteção de Moscou.

 

O presidente americano, George W. Bush, acusou hoje a Rússia de “cerco e intimidação” contra a Geórgia, ao afirmar que o povo da ex-república soviética tinha escolhido a liberdade e insistir em que os EUA não o “deixará de lado”.

 

A Geórgia também citou as suspeitas, levantadas por uma ONG norte-americana, de que a Rússia estaria usando bombas de fragmentação contra civis. Moscou nega e diz que são os georgianos que deixaram minas terrestres ao desocupar o território nesta semana. 

 

As forças russas não se limitaram a retomar o controle das regiões separatistas, e na sexta-feira permanecem em território georgiano. É a maior demonstração de força do Kremlin fora das suas fronteiras desde colapso da União Soviética, em 1991.

A cúpula militar disse em Moscou que não houve combates nas últimas 24 horas, mas a ONU se diz preocupada com a insegurança na região. Testemunhas viram milicianos ossetianos atacando aldeias e furtando carros.

Os EUA, aliados da Geórgia, acusam a Rússia de querer “punir a Geórgia por ousar tentar se integrar ao Ocidente”. Washington alerta para graves consequências caso a ocupação prossiga.

 

Escudo

Piorando ainda mais a relação entre EUA e Rússia, a Polônia aceitou formalmente na quinta-feira a instalação de interceptadores norte-americanos de mísseis em seu território, e em contrapartida Washington prometeu reforçar a defesa antiaérea de Varsóvia. 

 

O presidente russo, Dimitri Medvedev, acusou o escudo antimísseis dos Estados Unidos na Europa do Leste de “ter por alvo a Federação Russa”. 

 

A respeito do conflito com a Geórgia, enfatizou que a Rússia é a ‘avalista’ da segurança no Cáucaso e que apoiará a vontade dos povos que vivem nas duas regiões separatistas georgianas. Disse ainda que é improvável que essas regiões, Ossétia do Sul e Abkházia, continuem fazendo parte do Estado georgiano.

“Infelizmente, depois do que aconteceu, é pouco provável que os ossetas do sul e os abkházios possam viver num mesmo Estado com os georgianos”.

Disse ainda que a Rússia não deseja uma deterioração das relações com os ocidentais por causa da crise na Geórgia, mas que responderá como fez na Ossétia do Sul se seus cidadãos forem alvo de novos ataques. 

 

Merkel, por sua vez, não evitou criticar o lado russo na crise.

“Considero que a reação da Rússia foi ‘desproporcional’”, afirmou ao lado de Medvedev, depois de se reunir com ele em Sochi, sul do país.

Segundo ela, o ponto de partida das negociações para solucionar o conflito da Ossétia do Sul e da Abkházia deve ser o respeito à “integridade territorial” da Geórgia. 
 

Tentativa de negociação

As autoridades georgianas tentam negociar nesta sexta-feira (15) com o comando militar russo a entrega da cidade georgiana de Gori, ainda em mãos russas, afirmou à agência France Presse uma fonte do governo da Geórgia.

 

O porta-voz do ministério do Interior, Shota Utiashvili, explicou que funcionários do governo georgiano chegaram a Gori nesta sexta-feira para discutir com o general russo que comanda as tropas na cidade.

Autoridades georgianas afirmaram na quinta-feira que receberam a informação de que as forças russas iriam embora na sexta-feira, mas algo similar foi divulgado no dia anterior e isto não aconteceu.

A polícia georgiana entrou em Gori na manhã de quinta para retomar o controle da cidade, mas deixou o local rapidamente ao ver os militares russos.
 

 

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Rússia anuncia saída de Senaki e diz não haver mais risco para a Ossétia do Sul

Russos haviam dominado importante base militar georgiana na cidade.
Conselho de Segurança da ONU fará consultas para tentar paz na região.

Do G1, com agências

 

O ministério russo da Defesa informou nesta segunda-feira (11) que as tropas do país estão deixando a cidade georgiana de Senaki, onde haviam dominado uma importante base militar.

 

Segundo o ministério russo, a retirada ocorre porque “não há mais risco” de as tropas da Geórgia continuarem a atacar a região separatista da Ossétia do Sul a partir dali.

 

A região separatista da Ossétia do Sul está sob ataque dos georgianos desde a última quinta-feira (7), o que provocou a invasão da Geórgia por tropas da vizinha e rival Rússia.

 

Entenda o conflito na Ossétia do Sul

 

Veja fotos dos confrontos

 

Geórgia e Rússia fazem uma “guerra de versões” nesta segunda em mais um dia de confrontos armados. As forças russas teriam ocupado nesta segunda a cidade georgiana de Gori e também uma importante base militar na cidade de Senaki (ambas fora da região separatista), segundo Alexander Lomaia, secretário do Conselho Nacional de Segurança da Geórgia. Os russos, porém negaram a tomada de Gori.  

Em reação, as forças georgianas reforçaram suas posições próximo à capital, Tbilisi, para defendê-las de um eventual ataque russo, segundo Lomaia. Por sua vez, os russos negaram a intenção de atacar a capital.

 

“As forças russas estão ocupando Gori. As forças armadas georgianas receberam ordens de abandonar Gori e de fortificar posições próximo a Mtsjeta para defender a capital. É uma ofensiva total”, disse Lomaia.

 

O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, acusou a Rússia de ter cortado as comunicações entre o leste e o oeste do país. Endereçando-se aos países ocidentais, ele disse que a Geórgia precisa mais do que “ajuda moral e humanitária” para enfrentar a invasão russa.

 

Leia também: Poderio militar da Geórgia é minúsculo em comparação com o russo

 

  ONU

O Conselho de Segurança da ONU vai manter novas consultas sobre a crise na Geórgia em uma tentativa de encerrar o conflito armado do país com a Rússia, anunciou nesta segunda-feira (11) um porta-voz das Nações Unidas.

Farhan Haq disse que o conselho se reunirá para receber o relatório do secretário-geral-adjunto para a Manutenção da Paz, Edmond Mulet, sobre o conflito entre Geórgia e Rússia, desencadeado na quinta-feira pelo ataque de tropas da Geórgia à região separatista da Ossétia do Sul. 

A mais recente crise entre Geórgia e Rússia começou na quinta (7), quando a Geórgia enviou tropas à região rebelde. A Rússia reagiu mandando tropas ao país. Houve confronto pelo controle da capital, Tshkinvali, e a reação da comunidade internacional foi imediata.

 

Até agora, o conflito teria deixado pelo menos 2.000 mortos, em sua maioria civis, segundo o governo da Geórgia. O número de refugiados pode atingir 20 mil, de acordo com as Nações Unidas. Para a Cruz Vermelha, o número chegaria a 40 mil.

 

Mais cedo nesta segunda-feira, tropas da Geórgia voltaram a atacar cidades da região separatista, segundo autoridades ossetianas citadas pela agência russa Interfax.

 

Os ataques teriam sido dirigidos a várias cidades, e incluindo armamento pesado, segundo Irina Gagloyeva, porta-voz do governo separatista. Jornalistas da Reuters afirmaram ter presenciado seis helicópteros da Georgia atacando próximo à capital da região, Tshkinvali. 
 

Por outro lado, as tropas russas ocuparam brevemente um prédio da polícia na cidade de Zugdidi, oeste do país, segundo o Ministério de Relações Exteriores da Geórgia. A ação teria ocorrido depois que os agentes georgiano se negaram a depor armas a pedido do exército russo.

 

  Cessar-fogo

O presidente da Geórgia assinou um documento de cessar-fogo unilateral na presença dos ministros de Exteriores da França, Bernard Kouchner, e Finlândia, Alexander Stubb. A Rússia rejeitou a trégua, com o argumento de que o país continuava atacando a região separatista.

 

Os ministros de Relações Exteriores do Grupo dos Sete pediram à Rússia que ela aceite imediatamente o cessar-fogo, segundo o Departamento de Estado dos EUA.

 

O premiê russo, Vladimir Putin, acusou os Estados Unidos de estarem tentando perturbar as operações mililtares russas na Geórgia usando seus aviões para transportar as tropas georgianas do Iraque para as zonas em conflito.

“É uma lástima que alguns de nossos aliados não nos ajudem e tentem, inclusive, nos perturbar, e com isso me refiro principalmente ao deslocamento do contingente militar da Geórgia no Iraque para a zona de conflito (oseta) pelos Estados Unidos e seus aviões de transporte militar”, declarou Putin. 

 

  

O presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, disse nesta segunda que a Rússia fará “todo o possível” para normalizar a situação na Ossétia do Sul.

 

Em discurso pela TV, ele disse que a Rússia jamais será apenas uma “observadora passiva” da situação do Cáucaso.

 

Segundo ele, a operação militar  na região está “quase terminada”. “Parte significativa da operação para forçar as autoridades georgianas a fazer paz com a Ossétia do Sul foi concluída”, disse. “Tskhinvali está sob o controle de um contingente de paz russo reforçado.”

 

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) anunciou que faria uma reunião de emergência para discutir a crise.

 

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Geórgia anuncia cessar-fogo na Ossétia do Sul

domingo, 10 de agosto de 2008, 11:38 | Online

 

País já havia retirado todas as tropas da região; medida era exigência da Rússia para negociar paz na região

 

TBILISI - O Ministério de Assuntos Exteriores da Geórgia entregou à Embaixada da Rússia uma nota na qual anuncia o fim, a partir deste domingo, 10, das operações militares na Ossétia do Sul. O ministério de Assuntos Exteriores da Rússia, que inicialmente negou a entrega da nota georgiana sobre o cessar-fogo, admitiu ter recebido o documento, mas não confirmou o fim dos ataques. “A nota existe, mas a parte georgiana não interrompeu o combate e suas tropas continuam disparando”, declarou o porta-voz à agência russa Interfax.

 

Veja também:

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linkEntenda o conflito separatista na Geórgia

linkAssista ao vídeo no Youtube  video

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linkGaleria de fotos do conflito 

 

A Geórgia disse que suas tropas pararam de disparar seguindo ase ordens do presidente Mijail Saakashvili. O ministério disse que estava pronto para começar as negociações imediatamente com a Rússia sobre o fim das hostilidades.

 

Sobre a saída das tropas georgianas, Aleksander Lomaya, secretário do Conselho Nacional de Segurança georgiano, disse em discurso pela rádio e televisão nacionais que “nós nos reagrupamos e ocupamos posições nos acessos de Tskhinvali, tendo visto o aumento da agressão por parte da Rússia”.

 

“Durante a noite, a Rússia transferiu para a Ossétia do Sul  dezenas de carros de combate, artilharia e até foguetes táticos, e grande quantidade de infantaria”, disse. E nquanto isso, a aviação russa bombardeava as posições georgianas na capital.

 

Um tenente georgiano ferido em Tskhinvali disse à Agência Efe que “não resta nada em que se apoiar” na cidade para fazer frente aos tanques russos.

 

Segundo o comando das forças separatistas da Ossétia do Sul – que até a retirada georgiana garantiu que controlava “plenamente” a capital e a defendia dos inimigos -, durante o combate noturno, que durou quase cinco horas, foram destruídos 12 carros de combate georgianos e um de seus aviões foi derrubado. Também reconheceu a “destruição quase total de Tskhinvali”, embora tenha responsabilizado a artilharia georgiana por isso.

 

Os combates na Ossétia do Sul contam com a participação das forças do Exército russo, destacado no Cáucaso Norte e treinado para combater em regiões montanhosas, assim como a elite dos pára-quedistas russos.

 

Durante a noite, o subchefe do 58.º destacamento do Exército russo, general Anatoli Khruliov, ficou ferido e teve de ser retirado de helicóptero durante um bombardeio georgiano da coluna motorizada russa na qual viajava.

 

“Repetiram sua tática de Grozni (capital da Chechênia): se não podem tomar a cidade, a destroem”, disse o tenente georgiano.

 

Espalhadas por todos os lugares, as tropas georgianas seguem atentas a qualquer movimento entre os escombros, disse o comando russo.

 

Nestas condições, as partes parecem estar preocupadas com a população civil, que sobrevive nos porões, e cada uma se diz responsável pelos contatos – embora sem resultados – para abrir corredores humanitários por onde retirar tanto as pessoas da Ossétia do Sul quanto os georgianos.

 

Ao longo do dia, e mesmo com as pressões internacionais, continuaram os bombardeios russos em todo o território da Geórgia, desta vez incluindo a capital, Tbilisi, onde a pista de decolagem da fábrica de aviões foi atacada.

 

Segundo o comando russo, sua aviação só ataca alvos militares, entre os quais figuram também os “lugares de concentração de reservistas”, normalmente localizados no centro dos povoados.

 

As bombas também caíram sobre o porto de Poti e regiões do distrito de Zugdidi, que faz fronteira com a Abkházia.Para aproveitar a situação, as tropas da Abkházia, apoiadas por terra, céu e mar pelas forças russas, tentam conquistar o desfiladeiro de Kodori, uma área habitada por georgianos que ocupa 15% do território da região. Na outra fronteira comum, ao longo do rio Inguri, as tropas da Abkházia entraram na área de segurança, controlada pelos capacetes azuis russos.

 

Bloqueio naval

 

 

A frota russa do Mar Negro – que fechou a passagem para a costa da Abkházia a vários navios georgianos e ameaça impor bloqueio naval – também se somou hoje às operações contra a Geórgia.

 

A Ucrânia, em cujo porto de Sebastopol a frota russa tem sua base, causou uma desagradável surpresa ao advertir que qualquer embarcação que participar do conflito será proibida de voltar.

 

Diante dessa situação e após um pedido da Geórgia, o Conselho de Segurança da ONU tentará hoje novamente, pela quarta vez em três dias, chegar a um acordo sobre o conflito na região.

 

“A situação muda a cada minuto, por isso, decidimos propor novas consultas”, disseram à Agência Efe fontes diplomáticas georgianas, depois que o principal órgão das Nações Unidas reconheceu no sábadoà noite que é incapaz de pedir conjuntamente o cessar-fogo.

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