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Colunista InfoMoney: Por que as firmas fazem hedge?

Por: João Alberto Brando
20/06/08 – 14h00
InfoMoney

Sob as premissas de mercado perfeito não há razões para uma firma fazer hedge. A empresa não gerará valor ao se proteger das oscilações do mercado com o uso de derivativos se seus próprios acionistas podem se posicionar nos mesmos derivativos caso desejem não se expor a estes riscos.

No entanto, o mundo não é perfeito e em determinadas situações o uso de hedge pode criar valor para as empresas. Imagine uma situação de assimetria de informação entre a empresa e os analistas externos que só conseguiriam obter informações desta empresa incorrendo em algum custo. Assim, a obtenção de financiamento externo para os novos investimentos seria mais custosa para a empresa do que o uso de fundos internos. Ou seja, uma gestão de riscos neste caso serviria para garantir os recursos internos para os futuros projetos. Há também a simples decisão de financiar internamente o projeto por questões estratégicas que teriam que ser reveladas caso se buscasse um financiamento no mercado financeiro ou de capitais.

Por outro lado, quanto menos endividada uma empresa estiver, mais barata marginalmente uma emissão de dívida será. O hedge também poderia servir, então, para garantir uma estabilidade no fluxo de caixa e conseqüentemente aumentar a capacidade de endividamento da companhia.

“O hedge poderia servir também para aumentar a capacidade de endividamento da companhia”

Uma outra abordagem para a explicação dos determinantes do uso de derivativos pelas empresas passa pela utilidade dos seus gestores. Um gestor mais conservador, visando preservar sua reputação e seu emprego, tenderia a se hedgear mais intensivamente. A forma de remuneração dos gestores também influencia na gestão de risco. Um executivo remunerado por meio de ações tomaria menos riscos e usaria mais ferramentas de hedge para garantir um fluxo de caixa seguro e estável. Por outro lado, aqueles remunerados com opções de ações possuem um incentivo para tomarem mais riscos, pois sua renda pessoal esperada é tão maior quanto maior a volatilidade do fluxo de resultados da empresa.

E há, é claro, a aversão dos gestores ao financiamento externo que, para eles, significa mais uma fonte de monitoramento e fiscalização. Ademais, muitos possuem projetos “xodós”, que são invariavelmente de baixo retorno, e que dificilmente seriam aprovados por alguma fonte de financiamento externa. Portanto, eles necessitariam de recursos internos, que o hedge pode garantir, para se viabilizarem.

É importante ressaltar que muitas vezes este hedge é feito de forma natural. É o chamado hedge natural ou hedge operacional. Basta que as receitas e os custos (ou investimentos) estejam expostos aos mesmos fatores de risco, como variações da taxa cambial, por exemplo. Nestas situações a intensidade no uso de derivativos para se hedgear é diminuída.

Por fim, há empresas que admitem efetuar hedge para fins especulativos. Nestes casos, o argumento do início da coluna continua válido: por que especulam se seus acionistas podem fazer o mesmo se assim desejarem?

João Alberto Peres Brando é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às sextas-feiras.
joao.brando@infomoney.com.br

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