quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008, 02:28 | Online
Niza Souza, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - À primeira vista, eles até parecem artificiais, de tão perfeitos. Mas não se engane. Os minilegumes, além da bela aparência, costumam ser mais saborosos. A maioria das variedades miniaturas é produzida a partir de sementes híbridas, geneticamente melhoradas. Não só desenvolvidas para reduzir o seu tamanho, mas também para realçar características como consistência e sabor.
Na Fazenda Ituaú, em Salto (SP), os minilegumes, que representam 50% da produção de hortaliças e legumes, recebem atenção especial. Além do cultivo em estufas – são mais de 3 hectares de área em 112 estufas – para garantir a produção o ano inteiro, alguns produtos, como a minimoranga, são embelezadas com polimento individual, antes de serem vendidas. ”Elas ficam mais brilhantes e bonitas”, diz o produtor Cyro Cury Abumussi.
Uma a uma
Em outra propriedade especializada em minilegumes, a Fazenda Ervas Finas Horticultura, de Campo Limpo Paulista (SP), a minicenoura, depois de colhida, é lavada e escovada, uma a uma. ”Tem de ter boa aparência. Mas compensa, porque é um produto valorizado”, diz uma das proprietárias, Annette Heuser. Na Ervas Finas são 6 hectares de área plantada com minilegumes, sendo 3 abrigados sob estufas.
O consumidor de minilegumes é exigente. Por isso, a seleção e padronização dos produtos é rigorosa. ”O descarte, que chega a 50% da colheita, é doado para instituições beneficentes”, diz Abumussi. O emprego de mão-de-obra para o cultivo é intensivo, pois até a polinização é manual.
Incluindo o preço das sementes híbridas de mínis, que chegam a custar até 30 vezes mais do que as de hortaliças convencionais, o custo de produção é bem superior. ”Mas o preço de venda compensa”, diz Abumussi. Para produzir a minimoranga, por exemplo, o desembolso é de R$ 3 por fruta, que é vendida por R$ 4 a unidade. Antes de investir na produção de miniaturas, porém, ele recomenda estudar bem o mercado. ”O produtor deve verificar se há demanda na região e definir bem o comprador.”
O cultivo de miniaturas na Ituaú começou em 1998. Antes, a fazenda tinha uma horta convencional. ”A demanda pelos mínis teve início com a alta gastronomia. Percebemos esse nicho e investimos”, diz.
”O cultivo protegido, em estufas, é essencial. Apenas a miniberinjela é cultivada em campo aberto, porque precisa de polinização de abelhas e porque o preço de mercado é baixo e não vale a pena o uso da estufa”, explica o produtor.
Pimentas
Além das diversas variedades de berinjela e minimoranga, a Ituaú produz minipimentão (de diversas cores), minitomate e minicenoura, além de mais de 40 tipos de pimenta. ”Colhemos de 15 a 25 toneladas de legumes/mês, entre mínis e convencionais.”
Na Ervas Finas, a forma de produção é diferente. ”Fazemos o plantio de sementes convencionais, o que muda é a colheita, precoce”, diz Annette. ”Além do tamanho menor, a textura é melhor e mais macia.” Das lavouras da propriedade são colhidos cenoura, abobrinha, alho-poró, beterraba, berinjela, milho e rabanete, todos em miniatura.