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Imobiliária deve pagar indenização a locatário e fiador por cobrança desrespeitosa

DECISÃO

A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou a Imobiliária Cilar Ltda. ao pagamento de R$ 6 mil, divididos, igualmente, entre a locatária e o fiador de imóvel sob a sua administração, por causar danos morais a eles pelo seu modo de cobrança. A decisão foi unânime.

No caso, os dois ajuizaram ação de perdas e danos cumulada com indenização por danos morais contra a imobiliária, apontando-a como responsável por uma sucessão de fatos que resultaram na rescisão de contrato de aluguel.

Afirmaram que a imobiliária, além de não resolver os graves danos provocados pelo desabamento de parte do imóvel locado, o que inviabilizou a atividade desenvolvida pela locatária (academia de ginástica), passou a cobrar dela e de seu fiador valores de reforma do imóvel e os alugueres não pagos. Além disso, sustentou que a imobiliária ingressou em juízo com execução do contrato e inscreveu os nomes dos devedores nos cadastros de restrição de crédito.

A primeira instância condenou a imobiliária ao pagamento de 200 salários mínimos, a título de danos morais e não acolheu a preliminar de ilegitimidade passiva da imobiliária para atuar na ação. Entretanto o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), por maioria, decretou a ilegitimidade da imobiliária, extinguindo o processo sem julgamento de mérito.

“A imobiliária, na condição de mera administradora do imóvel, não pode ser demandada judicialmente, porque não recebeu poderes específicos do proprietário do bem. O fato de ela receber os valores dos aluguéis e emitir recibos e cuidar da relação locatícia não significa que também possa, em nome do proprietário, representá-la judicialmente”, decidiu o TJPR.

No STJ

Para a ministra Nancy Andrighi, relatora, a imobiliária, realmente, não possui legitimidade passiva para responder por questões atinentes diretamente à estrutura do imóvel locado, atuando como mera administradora do bem.

De acordo com a ministra, a participação de um intermediário nos contratos de locação de imóvel não é ampla a ponto de colocá-lo no lugar do próprio locador, que é quem responde pelas obrigações e deveres previstos na referida lei. “Isso, mesmo que a intermediação contratual se dê apenas e tão-somente com a imobiliária, sem que as partes sequer tenham contato pessoal”, ressaltou.

Quanto à cobrança dos valores e inclusão nos serviços de restrição ao crédito, a relatora afirmou que não podem ser imputadas ao proprietário do imóvel/locador, que o entregou para a administração da imobiliária. “Ao contrário, as cobranças efetuadas pela imobiliária contra a locatária e seu fiador e, em especial, o modo desrespeitoso pelo qual efetuou tais cobranças, estão umbilicalmente ligadas à atuação da própria imobiliária, cuja legitimidade passiva não pode ser afastada”, disse a ministra.

A ministra considerou a indenização de 200 salários mínimos elevada e determinou a redução do valor para R$ 6 mil.

 

Coordenadoria de Editoria e Imprensa

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Fortalecido após enxurrada de IPOs, setor imobiliário ultrapassa sazonalidade

Por: Conrado Mazzoni Cruz
18/07/08 – 17h30
InfoMoney

SÃO PAULO – Uma surpresa agradável bateu à porta da indústria imobiliária brasileira. O efeito sazonal da primeira metade do ano virou coisa do passado. As prévias de lançamentos das incorporadoras de imóveis referentes ao segundo trimestre não deixam dúvidas sobre uma nova distribuição dos projetos.

Diferentemente do ano passado, quando um volume expressivo do VGV (Valor Geral de Vendas) ficou concentrado no quarto trimestre, alcançando por pouco o guidance anunciado, marcas recordes de vendas foram apresentadas pelas empresas no período de abril a junho de 2008.

Para quem achava que a demanda no mercado imobiliário existia só no final do ano, os números assustam: a construtora Tenda (TEND3), por exemplo, fez lançamentos representando um VGV de R$ 496 milhões, 115% maior do que o registrado no segundo trimestre de 2007. As vendas contratadas somaram R$ 405 milhões, cifra 409% acima na comparação anual.

Outra que também revelou números preliminares recentemente é a Klabin Segall (KSSA3), que cravou VGV de R$ 322 milhões, um aumento de 1.612% perante os R$ 19 milhões apresentados no mesmo período de 2007. No quesito vendas contratadas, houve um avanço de 550% neste segundo trimestre, totalizando R$ 368 milhões.

IPOs e demanda
O primeiro aspecto da mudança é a sólida demanda, sobretudo da baixa renda, praticamente mantendo os níveis dos últimos três meses de 2007. Chegar ao meio do ano com quase metade da promessa cumprida não seria possível se as incorporadoras não tivessem para quem vender.

“Acredito que a demanda é muito maior do que a presente oferta. No espaço de um ano, de junho de 2007 até junho de 2008, ingressaram no mercado de classe C mais de 22,5 milhões de brasileiros”, analisa o diretor de RI da Tenda, Ricardo Perpétuo. Para ele, o potencial do segmento econômico cria uma demanda “incomparável”.

Merece atenção a maior disponibilidade de recursos do setor após a enxurrada de IPOs (oferta pública inicial de ações) em 2007, que potencializou a atividade imobiliária do País. No ano passado, 14 novas empresas do ramo imobiliário entraram na Bovespa, captando R$ 7,9 bilhões.

Planejamento
“A melhor distribuição também é decorrente de que, passado o período dos IPOs, as companhias iniciaram 2008 com terrenos, com equipes, com propagandas e com projetos aprovados”, enfatiza o executivo da Tenda. Estima-se que o intervalo entre comprar o terreno e prepará-lo para o lançamento demora de seis a oito meses.

“Todo mundo fez o IPO e precisava do timing para aprovar o banco de terrenos. Hoje, as empresas estão mais estruturadas para o ciclo, você já está aprovando o que vai lançar em 2009″, completa a gerente de Relações com Investidores da Klabin Segall, Carolina Burg.

Os especialistas também concordam que as incorporadoras sofreram pressão depois da estréia na bolsa, com um mercado pedindo resultados fortes e rapidamente. “As empresas não tiveram tempo suficiente para aprovar tudo no pós-IPO, por isso ficou tudo mais no final do ano”, lembra Carolina.

“Agora as companhias vão lançar aquilo que vai encontrar público para comprar”, conclui Perpétuo. Vale destacar que as projeções ainda apontam que o trimestre mais forte será o quarto, embora sem a concentração de 2007 – algumas companhias realizaram 80% dos lançamentos previstos nos últimos três meses do ano.

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