Sábado, 12 de Julho de 2008
Desaceleração na construção civil contribuiu para alta menor que a de junho, de 0,96%
Flávio Leonel
O novo coordenador do IPC da Fipe, Antonio Evaldo Comune, manteve ontem em 0,95% a projeção para a inflação na cidade de São Paulo em julho. Ele ressaltou, no entanto, que há um “viés de baixa” para a estimativa, que poderá ser alterada na próxima divulgação do indicador.
“Prefiro manter a previsão de 0,95%, mas acredito que a taxa de inflação poderá ficar mais parecida com o que vimos na primeira quadrissemana do que com o fechamento do mês passado”, disse Comune, referindo-se à taxa de 0,96% do fim de junho.
Segundo ele, o destaque do levantamento foi o comportamento do grupo habitação, que saiu de uma taxa de 0,30% para uma alta de 0,12%. O motivo dessa desaceleração foi, principalmente, a queda de 1,86% do item energia elétrica, proporcionada pela alíquota menor de PIS/Pasep e Cofins determinada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para as contas da Eletropaulo deste mês.
Outro fator importante foi o comportamento de alta mais amena da alimentação. Apesar de o grupo permanecer em um nível bastante elevado, de 2,34%, e representar cerca de 70% de toda a inflação paulistana, teve uma taxa 0,53 ponto porcentual menor que a do fim de junho, quando chegou a 2,87%.
Para o fim 2008, a Fipe manteve a estimativa anterior. Segundo Comune, o IPC deverá fechar o ano com uma taxa acumulada de 6,35%.
ALTAS MENORES
Desde que atingiu o pico de alta de 2008, o IPC já teve uma desaceleração de 0,53 ponto porcentual na cidade de São Paulo, segundo o levantamento semanal da Fipe. O coordenador do índice afirmou que o processo de altas menores da inflação se intensificou entre o fim de junho e o começo deste mês e deve prosseguir nas próximas divulgações da instituição.
A maior marca do IPC em 2008, que também foi o número mais alto registrado desde o fim de fevereiro de 2003 (1,61%), foi observada na primeira quadrissemana do mês passado, quando a inflação chegou a 1,30%.
Depois disso, nos quatro levantamentos seguintes da Fipe, houve apenas taxas menores: 1,26% na segunda quadrissemana de junho; 1,06% na terceira; 0,96% no fechamento do mês passado; e, finalmente, de 0,77% na primeira quadrissemana de julho.