Arquivo para Itaipu

Brasil quer antecipar pagamentos de Itaipu para ajudar o Paraguai

Sexta-Feira, 01 de Maio de 2009  

Objetivo é atenuar a crise no Paraguai e tentar convencer o governo a desistir da ideia de mexer no Tratado de Itaipu

Christiane Samarco e Denise Chrispim Marin, BRASÍLIA

 

A uma semana da visita oficial ao País do presidente paraguaio, Fernando Lugo, o governo brasileiro prepara um pacote de ajuda para tentar demover o vizinho da ideia de mexer no Tratado de Itaipu. Pela principal medida em estudo, o Brasil ajudaria a reforçar o caixa do governo paraguaio, antecipando a compra da energia excedente da usina hidrelétrica. Essa proposta, na visão de setores do Planalto, pode evitar o aprofundamento da crise política paraguaia.

A oferta não contempla a demanda do Paraguai de reajuste de preço e de mudança no Tratado de Itaipu, mas tem como vantagem imediata a geração de receita suficiente para o governo paraguaio aplicar em programas sociais que possam, em curto prazo, contornar a atual debilidade política da gestão de Lugo.

O pacote de ajuda será apresentado a Lugo durante sua visita de Estado, no dia 7 de maio. Uma outra proposta está em estudo e vai ser discutida em uma reunião técnica no próximo dia 5, em Brasília: fazer uma elevação substancial no pagamento adicional pela energia cedida pelo Paraguai. Em janeiro passado, o Brasil propôs a duplicação do valor – dos atuais US$ 105 milhões para US$ 215 milhões ao ano. Na ocasião, o Paraguai desconsiderou a oferta.

Além desses recursos emergenciais, o governo brasileiro insistirá em sua oferta de janeiro, orientada para projetos de infraestrutura e de desenvolvimento econômico do país vizinho. Esse pacote envolve a criação de um fundo binacional para alavancar programas no Paraguai e a abertura de uma linha de US$ 1 bilhão no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar obras, entre as quais a construção das pontes entre Porto Murtinho (MS) e Canelo Peralta e entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco. Também consta do pacote a linha de transmissão da energia de Itaipu a Assunção, obra de cerca de US$ 450 milhões, e mais 13 projetos de cooperação brasileira no país vizinho.

O Paraguai rejeitou todo esse pacote, no último dia 30 de março, por meio de nota endereçada ao Itamaraty. Esse rechaço à oferta brasileira deu-se oito dias antes de o escândalo da paternidade de Lugo vir à tona e abalar a sustentação política de seu governo. Colaboradores do presidente Lula avaliam que, na próxima semana, Lugo desembarcará em Brasília suficientemente enfraquecido para acolher uma proposta melhorada do governo brasileiro, mesmo que distante de sua demanda maximalista.

No Planalto e na base aliada, avalia-se que Lugo não pode mais tocar seu governo com base em discursos ideológicos e precisa mostrar resultados de gestão para o eleitorado. A arrogância paraguaia, que marcou as negociações anteriores com o Brasil, deverá desaparecer. Mesmo assim, auxiliares de Lula temem que prevaleça a noção de política exterior vinculada à hegemonia da esquerda na América do Sul, defendida por Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, e uma avaliação mais catastrófica do cenário político paraguaio, respaldada pelo Itamaraty. Tais linhas, advertem esses políticos, poderiam levar o governo brasileiro a ceder mais do que deveria ao Paraguai.

Nas três rodadas de negociação que ocorreram desde a posse de Lugo, em agosto de 2008, o Paraguai insistiu na reabertura do Tratado de Itaipu, para acabar com a cláusula que obriga o país a despejar a energia que não utiliza no sistema brasileiro. A alegação de Assunção se baseia na possível venda de eletricidade à Argentina e ao Chile, a preços de mercado – apesar da inexistência de rede de transmissão para esses vizinhos. Nas quatro rodadas, a resposta brasileira foi negativa. Uma virada nessa posição tenderá a gerar um estresse entre o governo e o Congresso – até mesmo com a base aliada, como indicou o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), presidente da representação brasileira no Parlamento do Mercosul.

“O caminho racional é sermos parceiros. Mas o Tratado de Itaipu é inegociável”, afirmou o senador. “Mesmo que o governo quisesse, e não o quer, não há possibilidade de repactuar o Tratado porque o Congresso não aprovaria.”

NÚMEROS

US$ 215 milhões

É quanto o governo brasileiro se propõe a pagar por ano pelo adicional de energia cedido ao Paraguai

US$ 105 milhões

É quanto o governo brasileiro paga hoje pelo adiciona de energia de Itaipu cedido ao Paraguai

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Aneel autoriza reajuste de 8,7% nas tarifas de Itaipu

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008, 12:00 | Online

Aumento, a partir de janeiro, embute acordo feito com o Paraguai para assumir parte do financiamento da usina

Gerusa Marques, da Agência Estado

 

BRASÍLIA - A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou na terça-feira, 9, um reajuste de 8,7% para as tarifas da energia produzida pela Usina Hidrelétrica de Itaipu. O aumento passa a vigorar em 1º de janeiro de 2009. 

Veja também:

linkBrasil rejeita idéia de perdoar dívida do Paraguai, diz Amorim

linkItaipu, um gigante polêmico

 

 

Com o reajuste, o kilowatt (KW) de energia de Itaipu subirá de US$ 23,0270 para US$ 25,0298. A energia de Itaipu é cotada em dólar por pertencer ao Brasil e ao Paraguai.

 

 

O reajuste aprovado na terça em reunião da diretoria da agência só terá reflexo na conta do consumidor final na data de reajuste anual de cada distribuidora. A energia de Itaipu, segundo a Aneel, é fornecida para 30 distribuidoras do Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País.

 

 

Entre os itens que pesaram para o reajuste, está o acordo feito no início do ano passado pelo qual o Brasil assumiu o pagamento de cerca de US$ 8 milhões anuais, a título de correção monetária, da parte paraguaia do financiamento da construção da usina de Itaipu.

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Reunião de Tratado de Itaipu deixa impasse sobre preço da energia vendida ao Brasil

Por: Flávia Furlan Nunes
28/10/08 – 13h13
InfoMoney

SÃO PAULO – Depois de sete horas e meia, reunião realizada na segunda-feira (27) entre Paraguai e Brasil avançou em três dos seis pontos pendentes sobre o Tratado de Itaipu. Continua, porém, o impasse sobre a revisão do preço da energia vendida ao Brasil pelo país vizinho.

De acordo com a assessoria de imprensa de Itaipu, ficou acertado o término das obras na subestação da margem direita da usina hidrelétrica, bem como a gestão plena binacional e fiscalização conjunta das contas pelos órgãos auditores de ambos os países.

Apesar destes avanços, alguns pontos ficaram pendentes. De acordo com a Agência Brasil, a delegação paraguaia reivindica disponibilidade de metade de sua parte da energia de Itaipu para negociação com outros países e a revisão do saldo passivo da dívida contraída para construir a usina – hoje em torno de R$ 18 bilhões – e também do preço que o Brasil paga pela energia cedida.

Entenda a situação
A revisão do preço da energia vendida ao Brasil pelo Paraguai foi uma das principais bandeiras da campanha do presidente do país vizinho, que foi eleito neste ano. Na opinião de Lugo, o tratado não é justo para o Paraguai, uma vez que nenhum país deve dar seu bem natural a preço de custo.

Um acordo assinado entre as duas nações na década de 70 determina que a energia que um País não utilizar deve ser vendida preferencialmente ao parceiro, por preço de custo. Atualmente, a produção da usina responde por 20% do consumo brasileiro. Segundo tratado válido por 50 anos, cada um dos países tem direito à metade da energia produzida.

No entanto, o Paraguai utiliza apenas cerca de 5% da parte que lhe cabe. O restante é necessariamente vendido ao Brasil, por força do tratado, a preço de custo.

Impacto na conta de luz
De acordo com o professor do departamento de engenharia elétrica da Universidade Federal do Mato Grosso, Dorival Gonçalves, caso o tratado da usina seja revisto, a conta de luz do brasileiro ficará entre 2% e 3% mais cara. “Temos que entender Itaipu como um grande poço de petróleo situado entre o Brasil e o Paraguai, e o Paraguai tem 50% desse poço”, avaliou.

Segundo o diretor-geral da Usina de Itaipu, Jorge Samek, o valor pago ao Paraguai pela cessão da energia é de US$ 45,31 por megawatt/hora. Nas concessionárias brasileiras, o preço médio praticado está em torno de US$ 38 por megawatt/hora.

A energia produzida pela usina hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, vai custar R$ 78 por megawat/hora. Na avaliação de Gonçalves, o Paraguai deve pedir que a tarifa fique em R$ 100.

Próximos passos
A assessoria da usina afirmou que a negociação com a Comissão Oficial de Negociação Brasil-Paraguai deve prosseguir no final de novembro, ainda sem data marcada. Em dezembro, está previsto encontro entre os presidentes dos países Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Fernando Lugo (Paraguai).

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Conta de luz: Amorim não quer negociar mudanças no Tratado de Itaipu

Por: Flávia Furlan Nunes
23/05/08 – 11h44
InfoMoney

SÃO PAULO – Contrariando a vontade do presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse não apoiar uma negociação que vise mudanças no contrato da usina hidrelétrica de Itaipu.

De acordo com o tratado firmado em 1973 e válido por 50 anos, cada um dos países tem direito à metade da energia produzida na usina binacional. O Paraguai, porém, só utiliza 5% de sua parte. O restante é necessariamente vendido ao Brasil, por força do tratado, a preço de custo.

Em reunião com a Representação Brasileira do Parlamento do Mercosul, Amorim disse que o fato de ser contrário à negociação não impede o Brasil de ajudar o país vizinho de outra forma, como com investimentos em infra-estrutura.

Intenção paraguaia
Segundo o assessor da presidência da Administração Nacional de Eletricidade (Ande) – corresponde à Eletrobrás brasileira no país vizinho -, Medardo Pino Rodriguez, a intenção do Paraguai é aumentar o preço da energia.

“O que se busca é que se possa elevar um pouco [o preço pago pelo Brasil] para que o Paraguai, de alguma maneira, tenha um maior benefício pela cessão que está fazendo ao Brasil dessa energia”, disse, segundo a Agência Brasil.

A possibilidade de haver um aumento na tarifa veio durante a campanha para a presidência do país vizinho. Lugo defendeu a retomada da soberania do país sobre seus recursos naturais e prometeu pressionar Brasil e Argentina pela revisão dos tratados das hidrelétricas binacionais de Itaipu e Yacireta.

No bolso do consumidor
Um possível aumento do custo da energia comprada do Paraguai impactaria na tarifa cobrada do consumidor. “As distribuidoras compram cotas da usina e elas repassariam o aumento aos consumidores, por meio do reajuste anual das tarifas”, disse o diretor-presidente da Anace (Associação Nacional dos Consumidores de Energia), Paulo Mayon.

Ainda segundo ele, o Brasil pagaria mais pela energia de Itaipu somente se o contrato se estendesse. “Eu acredito na convergência de interesses. Não temos intenção de mexer no tratado, mas se acontecer um reajuste, o Brasil vai querer estender-se como a 1ª opção de comprador desta energia”.

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