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Lula compara ‘trabalho duro’ na cana com mineração na Europa

 

 
 
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo que “todo mundo sabe” que o trabalho nas plantações de cana é duro e comparou a situação brasileira com a indústria da mineração da Europa no começo da era industrial.

“Eu adoro esse debate”, disse Lula, em referência às críticas que o setor recebe.

“Todo mundo sabe que o trabalho na cana é duro. Como é duro o trabalho de um balconista que fica atendendo a gente atrás do balcãozinho das seis da manhã à meia-noite.”

“Não é mais duro do que o trabalho em uma mina de carvão que foi a base de desenvolvimento da Europa. Pegue um facãozinho e passe um dia cortando cana e desça numa mina a noventa metros de profundidade para explodir dinamite, para você ver o que é melhor.”

As condições de trabalho na indústria da cana foram criticadas nesta semana pela Anistia Internacional e pelo relator especial da ONU sobre o Direito ao Alimento, Olivier De Schutter. A Anistia destacou em relatório a libertação de trabalhadores que estavam em situações “análogas à escravidão” em plantações no Pará.

Lula disse que “o Brasil está pronto e apto a qualquer momento para acabar com o papel do cortador de cana”.

“O problema não é acabar, é você saber onde vai colocar mais de um milhão de trabalhadores.”

Ele disse que o governo está trabalhando em conjunto com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para elaborar um modelo de contrato de trabalho nacional que garanta condições mais favoráveis aos empregados da indústria da cana.

‘Toda inteligência brasileira’

Lula está na Itália para participar de uma conferência da agência da ONU para Agricultura e Alimentos (FAO) sobre a crise provocada pelo aumento do preço mundial dos alimentos.

O etanol brasileiro – que vinha sendo elogiado antes da crise por servir supostamente como alternativa mais limpa aos combustíveis fósseis – é apontado por vários críticos como um dos fatores que pode contribuir para a alta dos preços, junto com outras formas de biocombustíveis.

Em entrevista coletiva a jornalistas na embaixada brasileira na Itália, Lula confirmou que discursará em defesa do etanol na abertura da conferência da FAO, na terça-feira.

Lula disse aos jornalistas que a campanha internacional do governo a favor do etanol brasileiro é “uma guerra necessária” para o Brasil, e que o país precisa juntar “toda a inteligência brasileira” para debater a questão.

“Nessa guerra comercial, nós não temos que ficar nervosos, e achar que o mundo acabou por isso. É uma guerra necessária, e o Brasil tem que ir para ela preparado”, disse Lula.

“Eu disse ao (ministro do Desenvolvimento) Miguel Jorge que é preciso nós juntarmos toda a inteligência brasileira na área de biocombustíveis, para que a gente possa fazer um debate interno e externo altamente qualificado, que não tenha apenas a questão emocional ou ideológica, mas que tenha o resultado prático do conhecimento científico daquilo que nós precisamos para o Brasil.”

O presidente disse que o governo convocará uma conferência internacional sobre biocombustíveis no Brasil entre 20 e 21 de novembro, reunindo chefes de Estado, cientistas e técnicos.

Adversários do etanol

O presidente disse que ONGs, fazendeiros europeus e a indústria automobilística da Europa estão entre os que fazem campanha contra o etanol.

“Estamos ainda para detectar quem são os responsáveis (pela campanha contra os biocombustíveis brasileiros). A primeira coisa é que eu acho que você tem, na Europa sobretudo, pressão de ONGs, da própria agricultura européia, que não quer abrir mão dos subsídios, e você tem pressão, quem sabe, até da indústria automotiva européia que não quer mudar a sua matriz, o seu motor”, disse Lula.

“Essa difamação (contra o etanol) é de todo mundo, inclusive nossa no Brasil. Eu tenho dito a todo mundo no Brasil que cada vez que nós falarmos qualquer coisa agora, nós temos que saber como isso será utilizado contra nós na Organização Mundial do Comércio (OMC).”

“Na medida em que você começa a ser um artista principal, você começa também a ficar muito mais visado. As pessoas começam a te bater.”

Lula também disse que quer tratar com os chefes de Estado sobre a alta do petróleo, que, segundo ele, seria um importante fator na crise do preço dos alimentos.

Meio ambiente

Sobre o impacto ambiental do etanol, outra crítica feita ao programa brasileiro, Lula disse que “nenhum país tem autoridade moral” para falar sobre meio ambiente no Brasil e descartou qualquer medida para proibir a plantação de etanol na Amazônia.

Ele disse que pediu, na semana passada, um estudo para o Inmetro comparando a emissão de gases de dois carros em condições semelhantes, só que um movido a etanol e outro a gasolina.

Segundo o presidente, o estudo concluiu que o carro a gasolina emite oito vezes e meia mais gases nocivos ao meio ambiente do que o automóvel movido a etanol.

Protótipo em minuatura do 'primeiro carro verde do mundo' (Foto Valter Campanato/ABr)
Protótipo em minuatura do ‘primeiro carro verde do mundo’ (Foto Valter Campanato/ABr)

“Se as pessoas querem levar a sério o Protocolo de Kyoto e o desaquecimento do planeta, o Brasil está dizendo: nós temos um combustível que seqüestra carbono quando plantamos e que não emite gás carbono quando liga o motor do carro. A partir daí, começaremos o debate. Nós entendemos que é a energia do futuro até que alguém apresente uma melhor.”

Dentro da campanha internacional do governo em favor do etanol, Lula mostrou à imprensa o protótipo miniatura do que seria, segundo ele, “o primeiro carro verde do mundo”. O projeto está sendo desenvolvido pelas empresas Braskem e Toyota.

Todas as partes de plástico do carro são feitas com material derivado da cana-de-açúcar, e não de petróleo.

“É um carro em que ninguém precisa mais beber álcool, é só cheirar o carro que está resolvido o problema”, brincou Lula ao mostrar a miniatura aos jornalistas.

 

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Exposição na Itália exibe Fiat 500 de ouro

08/02/2008 – 11h16 – Atualizado em 08/02/2008 – 11h20

Modelo Pepita tem assento com pele de animais e cristais Swarovski no freio de mão.
Carro está avaliado em R$ 154 mil.

Do G1, em São Paulo entre em contato

Divulgação

O carro Fiat 500 Pepita, todo pintado de ouro, é a grande atração da exposição ‘Scrigno Tesori di Italia’, que abriu nesta sexta-feira (8) no Spazio Etoile, em Roma. O carro é pintado com pó de ouro 24 quilates misturado com verniz. O veículo é avaliado em 60 mil euros (R$ 154 mil) (Foto: Divulgação)

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O assento dos bancos é feito com pele de animais, a gosto do cliente: avestruz, crocodilo, lagarto, serpente, raia ou tubarão. O console é revestido com madrepérola australiana, o freio de mão, os pedais e o câmbio têm cristais Swarovski embutidos (Foto: Divulgação)

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Até os pneus foram pintados de ouro. A exposição termina no domingo (Foto: Divulgação)

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Itália decide realizar eleições em 13 e 14 de abril

Atualizado às: 06 de fevereiro, 2008 – 18h21 GMT (16h21 Brasília)
 
O presidente italiano Giorgio Napolitano
Napolitano dissolveu o Parlamento, abrindo caminho para eleições

As eleições italianas foram marcadas para os dias 13 e 14 de abril, depois do anúncio da dissolução do Parlamento pelo presidente Giorgio Napolitano.

Pela legislação da Itália, as eleições têm de ser convocadas em um prazo de até 70 dias depois da dissolução do Parlamento.

Com a antecipação do pleito, os italianos irão às urnas apenas dois anos depois de Romano Prodi ter derrotado o então primeiro-ministro Silvio Berlusconi na eleição mais apertada da história recente do país.

Prodi apresentou sua renúncia no dia 24 de janeiro, depois de ter perdido no Senado o voto de confiança que poderia garantir a continuidade de seu mandato.

Curiosamente, Berlusconi hoje lidera as pesquisas de intenção de voto e é visto como o favorito para assumir o próximo governo.

Segundo Christian Fraser, correspondente da BBC em Roma, esta foi a segunda legislatura mais curta da história da República italiana.

Prodi

O presidente Giorgio Napolitano não escondeu a sua frustração ao anunciar a dissolução do Parlamento.

Napolitano havia tentado durante vários dias obter apoio entre os vários partidos para a formação de um governo interino que, segundo ele, deveria realizar uma reforma das leis eleitorais, que muitos consideram ser a base da instabilidade política do país.

Sob o atual sistema de representação proporcional, os partidos menores com apenas alguns assentos detêm o equilíbrio de poder no Parlamento.

No entanto, os partidos italianos de direita, liderados por Silvio Berlusconi, rejeitaram a idéia e o presidente foi obrigado a aceitar a derrota.

Portanto, o país deve ir às urnas em abril com o mesmo sistema de representação proporcional.

Atualmente, há 39 partidos no Parlamento, e, de acordo com pesquisas de opinião, a coalizão de Berlusconi tem uma vantagem de dez pontos sobre os seus adversários nas pesquisas.

Walter Veltroni, o prefeito de Roma, deve substituir Romano Prodi como candidato de centro-esquerda para o cargo de primeiro-ministro.

Veltroni é o líder do maior partido de centro-esquerda da Itália, o recém-formado Partido Democrático, e deu sinais de que gostaria de disputar as eleições sozinho, sem o apoio de outros partidos da coalizão de centro-esquerda.

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