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Ministério do Trabalho prepara nova norma para Lei do Estágio

 

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) criou um grupo de trabalho, junto com representantes do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), para a elaboração de uma instrução normativa que regulamentará a nova Lei de Estágio – a Lei nº 11.788, de 2008.

 

O limite de seis horas diárias para a jornada de trabalho e a duração máxima de dois anos para os estágios são as exigências da nova legislação que mais causam inquietação entre as empresas. O ministério ainda não definiu, também, como será a fiscalização do cumprimento da lei.

 

De acordo com Ezequiel Sousa do Nascimento, secretário de políticas públicas de emprego do ministério, os pontos imprecisos na lei estão detendo o ritmo de contratação dos estagiários – exatamente o contrário, segundo ele, da intenção do governo ao criar a lei. Nascimento afirmou, em uma palestra na sede paulistana do CIEE, na sexta-feira, que em uma semana estará pronta a proposta de instrução normativa que tornará a lei mais factível para as empresas.

 

No entanto, o secretário não soube informar como se dará a fiscalização das novas normas – apenas que o fiscal do trabalho adotará uma postura “suave e simpática”. “Se a lei fosse um pouco mais genérica teria causado menos problemas”, diz.

 

As dificuldades de adequação à lei variam conforme o ramo de atividade. No setor bancário, o limite de duração do estágio é um dos pontos mais problemáticos. “Isso vai fazer com que a empresa treine o jovem para o mercado e não para si”, diz Magnus Ribas Apostólico, diretor de RH da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

 

Outra preocupação é quanto à previsão de contratação de portadores de deficiência em 10% do quadro de estagiários. Para Apostólico, isso será inviável, tendo em vista a dificuldade já existente de as empresas cumprirem a chamada Lei de Cotas, que estabelece a reserva de vagas no quadro de funcionários.

 

Durante a palestra, a redução da jornada foi uma reclamação trazida pela área de RH da Votorantim. Isso porque em alguns locais em que a empresa está situada não há transporte público, apenas o coletivo fornecido pela empresa, com horários adequados à jornada de oito horas da maioria dos funcionários. Já na área médica, há incerteza quanto aos estágios curriculares obrigatórios de curta duração oferecido pelos hospitais a milhares de estudantes, porque a lei exige que sejam feitos exames admissionais e demissionais.

 

De acordo com informações de representantes do departamento jurídico da Faculdade São Camilo, os hospitais estão recusando os estagiários pelo alto custo dos exames. Nas bancas de advocacia, o limite de duração de estágio é um dos principais pontos de contestação. O escritório Velloza Girotto e Lindenbojm Advogados Associados, por exemplo, informou que está concentrando as contratações aos últimos dois anos do curso de direito.

Fonte: Valor Econômico, por Luiza de Carvalho, 10.11.2008

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Veja como as empresas receberam a notícia de que a lei de estágio mudou

Por: Karin Sato
14/10/08 – 13h49
InfoMoney

SÃO PAULO – O mercado recebeu bem as mudanças na lei de estágio, afirma a presidente do grupo DMRH e Cia. de Talentos e diretora de Jovens Profissionais da ABRH-SP (Associação Brasileira de Recursos Humanos), Sofia Esteves.

“As empresas consideraram muitos pontos da lei justos. As grandes organizações, por exemplo, já concediam férias proporcionais aos estagiários. Restam, entretanto, dúvidas quanto à implementação”, diz ela. Uma dessas dúvidas diz respeito ao relatório de atividades do estagiário, que deve ser enviado às instituições de ensino a cada seis meses, no máximo.

Sobre o fato de que, agora, estagiários não poderão trabalhar mais de seis horas por dia, algumas falam em demitir estudantes, já que precisam de profissionais que trabalhem oito horas por dia, ao passo que outras falam em contratar, para suprir a falta ocasionada pela redução da carga horária.

O que as empresas decidiram
Para descortinar como o mercado havia recebido a notícia das mudanças, a diretoria de Jovens Profissionais da ABRH-SP promoveu uma pesquisa em conjunto com o GCET (Grupo de Coordenadores de Estagiários e Trainees), composto por mais de 80 gestores de RH de empresas de grande porte.

Segundo o estudo, a maioria dos gestores (66%) acreditam que a empresa deve manter o número de estagiários mesmo com a nova lei; 21% responderam que haverá uma redução; e 13%, ao contrário, dizem que contratarão mais.

Quando questionados sobre o que farão com a bolsa auxílio, metade disse que ainda não definiu o valor; 35% das empresas pretendem manter a bolsa, mesmo com a redução da carga horária; e 15% afirmaram que ela será reduzida. Já no caso das empresas que pagam por hora, 70% disseram que haverá um reajuste para que o valor total seja equivalente ao praticado anteriormente; outras 30% ainda não se decidiram.

Por último, a pesquisa constatou que 70% das empresas ouvidas já têm estágio de seis horas, embora 80% dos contratos sejam de oito horas.

“O que sinto é que uma empresa vai copiar a prática da outra. Por enquanto, muitas não sabem o que fazer. O maior problema é que a lei restringiu a duração do estágio a dois anos e, com isso, acredito que todas as organizações somente pegarão estagiários do terceiro ano em diante, acarretando menos oportunidades para o estudante que está no início do curso”, diz o coordenador do GCET, Abraão Dantas dos Santos Júnior.

Sobre a pesquisa
O coordenador do GCET conta que cerca de 70 grandes empresas com sede em São Paulo, que representam cerca de 18 mil estagiários, responderam à pesquisa. São companhias dos mais variados setores: alimentício, comunicação, farmacêutico, siderúrgico, químico, telecomunicações, bancário, automobilístico, consultorias de Recursos Humanos, entre outros.

Adaptação
Para o VP de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional, Carlos Pessoa, apesar de algumas empresas estarem criticando a lei, no longo prazo, “tudo irá se ajustar”. “A redução da carga horário faz sentido porque, cada vez mais, os estudantes trabalham longe da universidade e, com o trânsito típico da cidade, acabam chegando atrasados na aula”, analisa.

Além disso, em sua opinião, o objetivo do estágio não é substituir a mão-de-obra efetiva, e sim contribuir para o aprendizado do estudante.

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