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‘Lei seca’ poderá ser ampliada para motoristas que usam remédios tarja preta

16/09/08 – 09h32 – Atualizado em 16/09/08 – 09h40

Ministro da saúde pediu um estudo à Anvisa para embasar tal ampliação.
Complexidade na aferição da quantidade de droga ingerida é um empecilho.

Do G1, com informações de O Globo

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, estuda propor a ampliação da Lei Seca, que prevê prisão de motoristas embriagados, para usuários de outras drogas legais, inclusive medicamentos psicoativos. Ele afirmou na segunda-feira (15) que já pediu um estudo neste sentido à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas ainda não há previsão de como seria aplicado. A Anvisa disse que não recebeu pedido oficial.

 

“Esses estudos servirão para vermos como podemos aperfeiçoar uma norma legal que já exista, ou alguma iniciativa inovadora para lidar com essa questão”, disse Temporão, que explicou ter recebido o pedido de entidades médicas.
O ministro afirmou ainda que é preciso discutir e normatizar o uso de drogas psicoativas, ansiolíticos e antidepressivos, já que há contra-indicação formal da utilização desses medicamentos associada à direção.

 

“Podem existir situações em que a pessoa associe bebida alcoólica e algum tipo de droga psicoativa. Há um relatório da Organização Mundial de Saúde mostrando que o Brasil é o terceiro maior mercado do mundo de anfetaminas, que também têm ação no sistema nervoso central”, disse.

 

Porém, o ministro admitiu que é mais difícil uma lei nesse sentido, já que fazer a aferição da quantidade de droga ingerida é mais complexo que medir a concentração de álcool no sangue, com bafômetros.

 

“Isso passa também por uma dimensão de educação e informação. É importante que as pessoas saibam da gravidade de se usar uma droga psicoativa e dirigir, porque isso pode colocar em risco a sua saúde e a de outros”, afirmou Temporão.

 

O ministro disse ter muita confiança de que o Supremo Tribunal Federal ratificará a Lei Seca, que proíbe o motorista de dirigir com qualquer nível de álcool no sangue, apesar das duas ações diretas de inconstitucionalidade que tramitam no STF.
“Diante de uma redução brutal do número de mortes, uma Corte se colocaria contra a norma? Defenderia o quê? A volta do número de mortes? É pouco provável”, concluiu.

 

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‘Álcool não é o único vilão no trânsito’, diz especialista

20/07/2008 – 08h00

Lei seca para motoristas, que entrou em vigor no dia 20 de junho, completa um mês.
PRF diz que principais causas de acidentes nas estradas são imprudência e velocidade.

Glauco Araújo Do G1, em São Paulo
 

Os primeiros 20 dias de vigência da lei seca provocaram a redução do número de acidentes de trânsito, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde na quinta-feira (10). A Lei 11.705, que muda do Código Brasileiro de Trânsito, entrou em vigor no dia 20 de junho e provocou a mudança de hábitos na população. No entanto, especialistas em psicologia no trânsito e policiais rodoviários federais consideram que o álcool não é a principal causa de acidentes com veículos.

 

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou queda de 24% no número de resgates em 14 dos 144 postos do país. O levantamento preliminar cobre cerca de 25,3 milhões de pessoas. A maior queda dos resgates (47%) foi registrada na região de Niterói (RJ), onde vive 1,8 milhão de pessoas. Em Brasília, com uma população de 2,5 milhões de habitantes, a redução foi de 40%. Em Porto Alegre, a queda foi de 35% em uma região com 1,4 milhão de pessoas. O balanço do primeiro mês de vigência da lei, com a contabilização de ocorrências de todos os postos do Samu, deve ser divulgado em agosto pelo Ministério da Saúde.

 

“Essa curva de redução acontece porque cerca de 30% do volume de atendimentos do Samu é decorrente de acidentes envolvendo traumas. Desse percentual, a maior parte é de ocorrências de trânsito e, no Brasil, 50% dos acidentes de trânsito tem relação com bebidas alcoólicas. Existe, portanto, uma relação direta entre a lei seca e a redução do número de atendimentos do Samu”, diz Cloer Vescia, coordenador geral de urgências e emergências do Ministério da Saúde.

 

Para Vescia, a expectativa é de que essa queda permaneça nos próximos meses. “No início há uma fiscalização mais presente e mais rigorosa, mas nosso desejo é que isso se mantenha. Com os dados preliminares temos apenas uma tendência”, diz.

 

De acordo com Salomão Rabinovich, diretor do Centro de Psicologia Aplicada ao Trânsito (Cepat), a bebida alcoólica é apenas um dos causadores de acidentes no trânsito brasileiro. “Temos outros fatores como as drogas ilegais, as drogas farmacêuticas, distúrbios de sono e problemas de personalidade. O álcool não é o único vilão dessa história toda.”

 

Rabinovich espera que a fiscalização contra o consumo de álcool por motoristas seja permanente. “A Polícia Militar precisa ser melhor equipada, pois é ela que tem competência para esse tipo de fiscalização. Mas quero ver quanto tempo vai durar esse trabalho no país todo.”

O psicólogo acredita que a solução para a redução de acidentes de trânsito é a mudança na postura dos motoristas. “É preciso fazer uma revolução cultural. Vivemos a pior crise moral e de credibilidade nos últimos anos. Essa medida (lei seca) precisa funcionar para valer, com fiscalização constante e em todos os cantos do país. Difícil vai ser conseguir ver isso”, disse Rabinovich.

 Nas estradas

Segundo balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de 2007, a imprudência foi a principal causa dos acidentes nas rodovias brasileiras. O documento revelou ainda que 80,75% dos acidentes aconteceram em pistas em bom estado de conservação, 71,4% em retas, 53,6% durante o dia e 63% com tempo seco. Dos motoristas que se envolveram em ocorrências de trânsito, um terço reconhece que não prestaram atenção ao que estavam fazendo no momento do acidente.

Ainda de acordo com PRF, foram registrados 6.128 acidentes envolvendo flagrantes de alcoolemia ao volante em 2007. Um crescimento de 154% sobre os flagrantes realizados em 2006 (2.412).

 

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Seguro de carro pode cair até 20% com ‘lei seca’, diz especialista

19/07/2008 – 08h00 – Atualizado em 19/07/2008 – 08h01

Queda do número de batidas poderá refletir nas apólices daqui seis meses.
Concorrência acirrada entre seguradoras justifica o desconto ao consumidor.

Priscila Dal Poggetto Do G1, em São Paulo

Para formar o preço do seguro do carro, as seguradoras usam um percentual para batidas em torno de 20% do valor total. É com esta margem que as empresas irão reduzir o valor das apólices devido ao impacto da ‘lei seca’ para motoristas, que já diminuiu em cerca de 50% o índice de batidas violentas.

 

De acordo com o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP), Leoncio de Arruda, as seguradoras serão obrigas a repassar ao consumidor uma redução entre 10% e 20% do preço das apólices por causa da concorrência acirrada no setor.

 

“Existem 45 seguradoras que trabalham com seguro de automóveis no Brasil. Só 30% da frota tem seguro. É uma concorrência muito grande”, observa. “A empresa que não reduzir os preços não vai vender”, ressalta.

 

Segundo Arruda, a redução atingirá a faixa estária em que o seguro caro: a dos jovens de até 30 anos. “Quem ocasionava esses acidentes eram os jovens até 30 anos e esses jovens normalmente são de poder aquisitivo um pouco melhor”, observa.

 Daqui seis meses

O corretor Ragime Torii, da CRJ Corretora de Seguros, em Santo André (Grande São Paulo), alerta que a queda nos valores só irá acontecer daqui, pelo menos, seis meses. “É quando será feita a reavaliação estatística dessa ocorrência, que apontará se diminuiu o índice de sinistro”, explica Torii.

 

Segundo o corretor, o consumidor não deve comemorar ainda, já que se houver alguma mudança na lei, o cenário será outro. “Há muita pressão sobre essa ‘lei seca’, é muito cedo para falar em queda no valor das apólices”, ressalta.

 

Ragime Torii explica que o fator que mais conta na avaliação da apólice é o roubo. “Um seguro que cobre somente roubo e incêndio custa 60% do valor do seguro total.”

 

  Margem de lucro reduzida

A “bondade” das empresas de seguro em reduzir os preços é explicada pelo novo cenário que enfrentam. Apesar de o número de apólices ter aumentado com o boom nas vendas de carro novos, a lucratividade do negócio caiu.

 

O presidente da Sincor-SP afirma que a época de aumento de preços de seguro acabou. “O preço das apólices reduziu no ano passado. A margem de lucro do negócio caiu a ponto de a maioria das empresas registrarem prejuízo. Entretanto, o volume permitiu o lucro financeiro”, explica.

 

Para retomar a lucratividade, as empresas querem aumentar o número de apólices. Segundo Arruda, a meta é atingir 50% da frota em cinco anos. O volume também afeta o desempenho da empresa por causa do ranking. “Ela prefere perder dinheiro a ranking, porque compensa nas outras carteiras como saúde e previdência, que são mais rentáveis”, diz Leoncio Arruda.

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Lei Seca: faturamento até 40% menor leva a demissões em bares e restaurantes

Pelo que tudo indica, empresários não deixarão a lei passar sem muito debate. A Abrasel já entrou com ação no STF

faturamento até 40% menor leva a demissões em bares e restaurantes
SÃO PAULO – Conhecida como Lei Seca, a lei 11.705, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 19 de junho último, já traz prejuízos aos bares e restaurantes. De acordo com o diretor-jurídico da Abrasel (Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento), Persival Maricato, desde que ela entrou em vigor, os bares sofreram uma queda entre 30% e 40% no faturamento.
Com isso, segundo ele, as demissões no curto prazo são inevitáveis. A mesma afirmação foi feita pelo diretor de Desenvolvimento Institucional da Sindhobar (Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília), Jael da Silva, segundo o qual os bares e restaurantes da capital federal registram redução média de 30% no movimento.
“Recomendamos aos filiados que agüentem a mão mais um pouquinho. Mas os bares de happy hour são os que mais sofrem, com casas perdendo até 50% de faturamento. Isso é preocupante, porque o garçom fica esperando o cliente que não aparece e aí tem que demitir. E já tem estabelecimento demitindo”, afirmou.
Saídas
Os donos de bares decidiram, em assembléia, não adotar uma posição institucional na busca de alternativas para o transporte de clientes de modo a evitar que dirijam depois de consumirem bebida alcoólica. Mas, de acordo com a Agência Brasil, há empreendimentos que já oferecem isoladamente a opção de que um motorista dirija o carro do cliente para a casa na saída, acompanhado de uma moto para o trajeto de volta. O preço cobrado, segundo Silva, é proporcional ao que custaria a corrida de táxi.
Houve fracasso em uma tentativa de negociação com o sindicato dos taxistas, cujo objetivo era analisar a possibilidade de eles oferecerem uma espécie de serviço de lotação ou tarifa diferenciada. “Os taxistas ficaram pouco reticentes porque, talvez, vislumbraram a possibilidade de ganhar mais”, explicou o diretor da Sindhobar.
Na avaliação de Maricato, da Abrasel, medidas criativas, que visam contornar a situação causada pela lei, não resolvem nada. “Ajuda, mas não resolve. O preço do motorista, por exemplo, é muito mais caro do que o consumidor está disposto a pagar”. Para ele, a solução ideal envolveria o barateamento do custo do táxi, a oferta de transporte público de madrugada e o aumento da segurança à população. “Hoje, as pessoas andam uma quadra de madrugada e estão sujeitas a serem assaltadas”.
O que diz a lei seca
O objetivo principal da lei sancionada pelo presidente é diminuir os acidentes de trânsito. Isso porque muitos deles ocorrem quando o motorista está sob efeito do álcool. Segundo a Agência Brasil, pela nova regra, quem apresentar, no teste do bafômetro, percentual de álcool no sangue próximo de 0,3 miligrama fica sujeito a prisão de seis meses a três anos. Quando em quantidades inferiores, o condutor pode receber multa de R$ 955, perder a carteira de habilitação e ter o automóvel apreendido.
No caso dos motoristas presos, os juízes têm optado, posteriormente, pela liberação deles, mediante pagamento de fiança que vai de R$ 300 a R$ 1,2 mil, informou o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Alexandre Castilho à agência.
Antes dessa lei, o teor alcoólico permitido aos motoristas era de até seis decigramas de álcool por litro de sangue (o equivalente a cerca de dois copos de cerveja). Com a entrada em vigor da nova lei, o motorista que se recusar a fazer o teste do bafômetro sofrerá as mesmas sanções aplicadas ao motorista embriagado.
Abrasel entra com ação no STF: lei seria inconstitucional
Pelo que tudo indica, os empresários não deixarão passar esta lei sem muita discussão e debate. A Abrasel já entrou com ação no STF (Supremo Tribuna Federal), em que pede a declaração de inconstitucionalidade de artigos da Lei Seca. “A lei é pura demagogia, e irá causar problemas de cunho econômico e social, porque atinge diretamente as empresas. Além disso, pode aumentar a corrupção em boa parte das polícias do País”.
Uma nota da Abrasel diz que a lei é inconstitucional por contrariar o artigo 5º, inciso LXIII da Constituição Federal e obrigar o cidadão a produzir prova contra si mesmo, ao ter de assoprar o bafômetro. Entretanto, pesquisa da Datafolha revela que 86% da população nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro aprovam a nova lei do trânsito.
Adin
Segundo informações da Agência Brasil, a Adin (Ação Declaratória de Inconstitucionalidade) impetrada pela Abrasel, só deve ser julgada depois do recesso do Judiciário, em agosto, e diretamente no mérito da questão.
Um despacho do presidente do tribunal, ministro Gilmar Mendes, definiu que a liminar pedida na ação não vai ser julgada. Dessa forma, as partes envolvidas têm agora dez dias para apresentar mais informações no processo. Depois disso, os autos serão encaminhados para o advogado-geral da União e para o procurador-geral da República, para que eles se manifestem no prazo de cinco dias.
Somente depois disso, quando os ministros voltarem do recesso, em agosto, será designado um relator para a matéria e a Adin será levada ao Plenário do STF, para julgamento.

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