| Painel solar fica competitivo |
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A Apple estuda a possibilidade de aproveitar a luz do Sol para alimentar sua família de tocadores de mp3 iPod. Paralelamente, a prisão de Ironwood, na Califórnia, instalou 6 mil painéis solares sobre sua cobertura e o Parque Fenway, em Boston, fez o mesmo para garantir a iluminação dos jogos de baseball do Red Sox. Depois de décadas de marginalização, a energia solar se aproxima do coração da América graças à subida dos preços dos combustíveis fósseis e a preocupação com a mudança climática. Painéis colocados nos telhados para converter a luz solar em eletricidade ainda são muito caros para competir com opções mais baratas e menos ambientalmente amigáveis como os geradores a carvão sem subsídios generosos. Mas isso deve mudar em breve, prevêem analistas e pesquisadores do setor energético. A mudança no cenário é esperada entre dois e cinco anos em países como os EUA, caso os preços dos combustíveis continuem a subir nas taxas de hoje. – A longo prazo, como em dois ou três anos, devemos observar competitividade em muitas regiões do mundo – aposta Vishal Shah, um analista que acompanha as tendências do mercado insutrial americano para o banco de investimentos Lehman Brothers. Tom Werner, executivo-chefe da SunPower, a maior produtora de painéis solares da América do Norte, vê a paridade como uma chance real tão cedo como 2010 ou no máximo em cinco anos. – Essa é uma previsão mais agressiva do que daríamos anteriormente, e assim o é porque o preço da eletricidade está subindo mais rapidamente do que tínhamos estimado – diz. – Tem ficado cada vez mais claro que essa é uma possibilidade concreta e, acreditamos, uma realidade. Nos EUA, muito depende das eleições presidenciais e para o Congresso em novembro. Uma vitória democrata em ambos os pleitos pode resultar em medidas mais duras de controle de emissão de gases causadores do efeito – incluindo a legislação a qual a administração de George Bush se opôs, para reduzir o teto de emissões nas indústrias em 86%. Com a aprovação dessa lei, o custo da poluição desencorajaria a queima de combustíveis fósseis. Não só a energia solar, mas outras fontes alternativas ganhariam força. A Suntech Power, um dos nomes proeminentes na crescente indústria de painéis solares chinesa, agradece também o aumento dos insumos de silício, que ajudará os preços das peças a caírem. Apesar de facilmente instalados, os painéis solares são caros pela disponibilidade reduzida de silício, o material mais custoso usado em sua confecção. Analistas estão confusos quanto ao impacto do fim dos obstáculos para a extração do mineral esperado para daqui a dois anos. Alguns acreditam que a queda de preços do silício pode alimentar a produção de painéis fotovoltaicos – responsáveis por 90% da vendas. Mas tecnologias rivais têm emergido, como a dos painéis de filme fino, que requerem quase nenhum silício, abrindo caminho para uma briga na indústria sobre qual tipo de painel deve dominar. – A indústria solar será muito diferente daqui a dois anos – garante Ted Sullivan, da firma de consultoria Lux Research. Essas incertezas ajudaram a esfriar o preço das ações das indústrias do setor de energia solar, um parte volátil da economia que também sofre com a dúvida quanto à renovação dos benefícios fiscais concedidos nos EUA, e que expiram em um ano. – O mercado solar precisa cruzar essa grande divisão e muito disso têm um custo a ser pago – conclui Ronan Wolfsdorf, da Macroenergy Monitor. |