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Microblogs amadurecem e deixam de ser ‘diarinhos’

10/03/2008

FILIPE ARAÚJO/ AE
SOSSEGO – Nathália Capistrano usa o Tumblr apenas para mostrar aos seus amigos pequenas coisas interessantes que descobre na internet

Mais do que só mostrar “o que você está fazendo”, serviço de micropost virou uma extensão para blogs e redes sociais

Gustavo Miller

Quando os blogs começaram a ganhar muitos adeptos no Brasil e em todo o mundo, eles tinham o (chato) rótulo de meros diários virtuais. Não era por acaso: muitos dos blogueiros da época apenas usavam a ferramenta para falar de suas vidas pessoais. Hoje a situação se inverteu e o blog já conseguiu se livrar dessa fama maldita.

O mesmo está acontecendo com seu irmão caçula, o microblog. No ano passado, quando o Twitter, o site que criou o conceito dos blogs curtos, começou a repercutir bastante por aqui, muita gente viu nele apenas uma forma de algum desocupado dizer em até 140 caracteres o que estava fazendo em determinado momento de seu dia-a-dia.

Um ano depois vê-se que os microblogs já amadureceram e viraram uma ferramenta que exemplifica o ritmo frenético da comunicação atual, em que qualquer pessoa, em qualquer lugar, consegue achar um meio de dar o seu recado.

O universitário carioca Victor Pencak, de 19 anos, começou usando o serviço de microblog Pownce e hoje usa o Twitter. “Indico algum site que achei interessante, um vídeo engraçado ou um link para uma matéria”, diz. Detalhe: ele não atualiza seu microblog pelo site do próprio. “Posto pelo o meu celular ou pelo Gtalk”, explica.

Esse é um diferencial bacana dos microblogs: a facilidade que eles têm de se integrar a qualquer ferramenta digital (leia abaixo). Não por acaso, hoje ele consegue ser um complemento para blogs, redes sociais e mensageiros eletrônicos. O próprio Pencak,quando não tem muito tempo para escrever algo em seu blog, opta pelo microblog. Sua solução foi criar um “widget” de seu Twitter (twitter.com/VictorPencak) em sua página (www.victorpencak.com) – e assim seus leitores sempre estão atualizados.

“Widgets” são pequenos aplicativos que rodam dentro de um site. São códigos HTML que, inseridos no código-fonte de uma página online (seja blog ou perfil em rede social), viram uma mini janela interativa.

Nos microblogs os “widgets” são os “badges”. Twitter, Pownce, Tumblr e Gozub são serviços que oferecem essa ferramenta (é só procurar no menu inicial de cada um desses serviços um link com a palavra “badge”; no caso do Gozub, clique em “meu emblema”).

Integrar o blog com o microblog está dando tão certo que o WordPress lançou recentemente seu próprio aplicativo de microblogging, o Prologue. É um ambiente onde os blogueiros podem criar seus microposts, com a opção de cada texto ser comentado e ter sistema de tags e feed próprios. Bem legal.

Microblogs são uma mistura de blog com rede social. Além de publicar os seus textos, também dá para “assinar” o perfil de outras pessoas. Assim, acaba-se vendo em seu perfil os seus posts e os de sua lista de amizades – dá até para responder os textos postados por eles.

A essência dos microblogs é o texto. No Twitter, o serviço mais popular do gênero (os brasileiros correspondem a 7% do número de usuários internacionais do site) isso é claro. Para mandar o link de um vídeo ou notícia é necessário colocar todo o seu endereço no corpo da mensagem (dica: o site www.tinyurl.com diminui as URLs).

Por essa e outras cositas mais, o Twitter não é o serviço de micropost mais completo que há. Mesmo assim, nos testes do Link ele acabou sendo o mais indicado – mas pelo fato de ele ser muito popular, que é o que pesa em uma rede social. Pownce e Jaiku até permitem que se envie arquivos, como fotos e vídeos, e que se crie grupos. Mas o número de brasileiros presente neles é bem reduzido.

A webdesigner Nathália Capistrano, de 22 anos, usa um microblog diferente, o Tumblr (http://nath.tumblr.com), que é muito mais um blog secundário, um Tumblelog. Ele publica apenas pequenas informações: um vídeo, uma imagem, um áudio ou uma frase. Como no Twitter, dá para assinar o Tumblr de outras pessoas e ver o que elas estão postando – dá, inclusive, para “reblogar” o conteúdo de terceiros, caso ele seja muito interessante (dá-se o devido crédito, lógico).

“Coloco apenas coisas interessantes que acho na internet para mostrar para os meus amigos”, diz Nathália. “O legal do Tumblr é que nele você faz o seu sistema. No Twitter eu apenas dou o link do vídeo, já no Tumblr eu posso mostrá-lo.”

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