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Começa em Genebra reunião decisiva da OMC

segunda-feira, 21 de julho de 2008 08:57 BRT

 

GENEBRA (Reuters) – Os Estados Unidos se disseram na segunda-feira dispostos a cortar subsídios agrícolas para permitir a conclusão da Rodada de Doha do comércio global, mas pediram que grandes economias emergentes, como Brasil e Índia, também façam a sua parte.

A redução dos subsídios norte-americanos que distorcem o mercado agrícola é uma das principais exigências dos países desenvolvidos. A reunião de ministros em Genebra é considerada a última chance para concluir o tratado comercial global lançado há sete anos em Doha, no Catar.

“Para que haja um resultado significativo para esta rodada… sabemos que temos de garantir um significativo novo acesso na agricultura, na indústria e nos serviços, e isso é particularmente verdadeiro quando se trata dos interesses dos países em desenvolvimento”, disse a representante comercial dos EUA, Susan Schwab, em entrevista coletiva no primeiro dia do evento, que deve durar a semana inteira.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, disse que a reunião representa um “agora ou nunca” para a Rodada DE Doha, que segundo ele ajudaria os países pobres a prosperarem por meio do comércio.

Serão discutidos também os setores industrial e de serviços, nos quais Estados Unidos, União Européia e outras economias desenvolvidas esperam obter mais aberturas. O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, disse que esta é a oportunidade “única em uma geração” de promover uma reforma agrícola e abrir mercados.

“Só teremos mais liberalização comercial no futuro, só teremos aumento no padrão de vida para as pessoas do mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, se tomarmos as decisões corretas nesta semana”, disse Mandelson a jornalistas.

Para os países em desenvolvimento, cabe às nações ricas assumirem o ônus por tal abertura. “Os aumentos dos preços do combustível e dos alimentos são uma sombria lembrança da continuidade das desigualdades no comércio agrícola global. Os países desenvolvidos hoje são responsáveis pelas maiores distorções no sistema global de comércio”, disse o ministro egípcio de comércio, Rachid Mohamed Rachid.

“Numa época de tanto sofrimento entre os membros mais pobres, as nações ricas devem resistir ao protecionismo, devem assumir sua responsabilidade e fazer as mudanças políticas necessárias”, disse ele em nota.

(Reportagem adicional de Laura MacInnis, Jonathan Lynn e Robin Pomeroy)

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Negociações na Rodada Doha entram em crise. De novo

Terça-Feira, 03 de Junho de 2008 

 

Jamil Chade
A Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) voltou a entrar em crise profunda. Ontem, o mediador das negociações para a liberação de produtos industriais, Don Stephenson, jogou a toalha dizendo que seria inútil continuar o processo por falta de entendimento.

De um lado, americanos e europeus querem amplo acesso aos mercados industriais e de serviços dos países emergentes para abrir seus mercados agrícolas. O países emergentes, entre eles Brasil, Argentina, África do Sul e Índia, se recusam a aceitar a liberação de mais de 50% sugerida pela OMC. Para esses governos, o que há sobre a mesa na agricultura não justifica a abertura de seus mercados industriais e de serviços.

“É hora de os países assumirem a responsabilidade e trabalharem para aproximar posições”, disse Stephanson. “Enquanto não chegarem nesse ponto, me parece inútil convocar reuniões de negociações.”

No fim de maio, o mediador apresentou o rascunho de uma proposta com a esperança de que uma reunião ministerial pudesse ocorrer em junho ou julho para fechar um acordo. Mas o processo caminhou para um lado indesejado e já não há nenhuma certeza.

“Durante a última semana de negociação, as coisas se degradaram. Ainda estamos muito distantes de poder apresentar um texto aos ministros”, disse ele. As negociações começaram em 2001.

 

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