Arquivo para Vestibular – Alterações

USP aprova mudança no vestibular

Sexta-Feira, 17 de Abril de 2009 

 

1.ª fase deixa de contar ponto para a nota final; 2.ª etapa terá 3 dias e cobrará todas as disciplinas do ensino médio
Renata Cafardo

A Universidade de São Paulo (USP) aprovou ontem mudanças no vestibular da Fuvest que já valem para o exame deste ano. O objetivo, segundo a pró-reitora de graduação, Selma Garrido Pimenta, é exigir formação mais geral dos candidatos.

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Com as alterações, a primeira fase do vestibular deixará de contar pontos para a nota final da prova, mas continua com 90 questões de múltipla escolha. Já a segunda etapa terá agora três dias e cobrará todas as disciplinas do ensino médio. Até o ano passado, apenas português e redação eram obrigatórias para todos os cursos. O restante dos exames era definido conforme a carreira escolhida.

O projeto da reitoria teve 23 votos a favor e 10 contra. Outras 7 unidades preferiram não votar na reunião do conselho de graduação. As mudanças foram noticiadas com exclusividade pelo Estado no início de março.

O documento com as propostas da reitoria foi apresentado às faculdades em uma reunião no fim de fevereiro e, desde então, passou por votações em cada uma delas. A maior queixa dos que discordavam da proposta era a rapidez com que a reitoria apresentou e colocou em votação. Este é o último ano da gestão da reitora Suely Vilela.

“Não éramos contra a proposta, mas uma mudança como essa deveria ter sido mais discutida. Defendíamos que fosse implementada no vestibular do ano que vem”, disse o presidente da comissão de graduação da Escola Politécnica, Paul Jean Jeszensky. Além da Poli , o Instituto de Matemática e Estatística, o de Física e a Odontologia, de Bauru, votaram contra.

VALORIZAÇÃO

“Não há uma ruptura da essência, só estamos valorizando todas as disciplinas do ensino médio. Os estudantes não precisam mudar a forma como estão se preparando”, disse Selma. A partir de agora, no primeiro dia da segunda fase, haverá dez questões de português e redação, com 4 horas de duração. O segundo terá 20 questões dissertativas das sete disciplinas: biologia, química, física, matemática, história, geografia e inglês (essa última foi incluída por sugestão das unidades).

Não haverá um número exato de perguntas para cada disciplina. Elas podem ser interdisciplinares ou não. Serão também 4 horas de duração, assim como o último dia, em que haverá 12 questões dissertativas entre duas e três disciplinas – escolhidas pela faculdade em que o curso é dado. As provas dos três dias têm o mesmo valor na pontuação final.

“Todas as questões da segunda fase serão difíceis”, disse a pró-reitora ao ser questionada se as perguntas do segundo dia seriam mais acessíveis, como estava descrito no projeto inicial da USP. O mesmo documento também explicava que uma primeira fase que não fosse computada na nota final seria mais “vantajosa” do ponto de vista da inclusão social, já que alunos de escolas privadas que podem pagar cursinhos tinham mais facilidade para se sair bem nas questões de múltipla escolha. Selma negou que as mudanças tenham essa intenção, ao justificar o descarte dos pontos da etapa inicial, que continuará a ter 10% de perguntas interdisciplinares.

Nada será mudado em relação ao uso da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A nota do exame continua valendo 20% da primeira fase. O programa de inclusão da USP (Inclusp) também não foi alterado.

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Conselho quer alterar vestibulares

Sábado, 14 de Março de 2009 

Órgão estadual opinaria em ações de inclusão e conteúdo de exames; medida abre polêmica sobre autonomia

Sergio Pompeu e Renata Cafardo

O Conselho Estadual de Educação (CEE) de São Paulo vai entrar na polêmica sobre os bônus para alunos de escolas públicas nos vestibulares. Deve ser votada na próxima quarta-feira a mudança de uma resolução de 1997 para aumentar o poder do CEE na articulação entre o ensino médio e superior. Com isso, o conselho pode convocar os responsáveis pelos processos seletivos nas universidades estaduais para debater temas como o conteúdo dos exames e os programas de inclusão.

“Essas ações afirmativas acabam tratando iguais de forma desigual”, diz o presidente do CEE, Arthur Fonseca Filho. O Estado revelou ontem que o índice de aprovação de alunos de escolas públicas na Medicina da USP foi de 9,7% para 37,7% em 2009. Esse grupo recebe um acréscimo na nota que chega a 12%.

A iniciativa do CEE é polêmica porque esbarra na questão da autonomia universitária, garantida na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). No Estado, a Universidade de São Paulo (USP), a Estadual de Campinas (Unicamp) e a Estadual Paulista (Unesp) garantiram mais ainda esse direito em 1989, quando passaram a receber parte da arrecadação do ICMS como orçamento.

O conselho usa a seu favor o artigo 51 da LDB que diz que nos “critérios e normas de seleção e admissão de estudantes, (as universidades) levarão em conta os efeitos desses critérios sobre a orientação do ensino médio, articulando-se com os órgãos normativos dos sistemas de ensino”. Esse órgão no Estado é o CEE. “Pela resolução de 97, o conselho transferiu esse papel para as universidades, mas previa que houvesse reuniões para discutir a questão, que nunca foram feitas”, disse Fonseca. “Não podemos tomar conta das universidades, mas queremos ser ouvidos na discussão.”

O CEE também quer participar dos debates sobre as mudanças propostas nos vestibulares da USP e da Unesp, mostradas pelo Estado neste mês. Segundo Fonseca, o fato de o conselho saber pela imprensa das propostas acelerou a votação da nova norma.

“A USP não tem uma política de admissão. Ela deve definir primeiro qual o aluno quer ter e, depois, montar um exame para selecionar com esse perfil. É assim que se faz em Harvard, por exemplo”, diz um dos membros do CEE e diretor do Colégio Bandeirantes, Mauro Aguiar. Para ele, o conteúdo dos vestibulares é extenso e não é possível ser coberto pelas escolas.

“É um atraso”, diz o ex-reitor da USP Roberto Lobo, sobre a iniciativa do CEE. “A autonomia só trouxe ganhos. O Estado pode cobrar resultados, mas não interferir.” Segundo o coordenador do vestibular da Unicamp, Leandro Tessler, a autonomia já garantia que as instituições organizassem seus exames, mesmo antes da resolução de 1997. “O conselho quer comprar briga com as três universidades.” Procuradas, as reitorias da Unesp e da USP preferiram não se manifestar antes de serem comunicadas pelo CEE. A última discussão sobre autonomia causou a invasão da reitoria da USP, em 2007. Três decretos do governador José Serra foram recebidos pelos estudantes como um sinal de que Executivo interferiria no uso de recursos e na contratação de professores.

 

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